Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Passagem à 2014


As páginas do livro viram-se exponencialmente, rapidamente. Uma ou outra palavra que desconheço, acabo deixando para saber seu significado depois.
Hora ou outra fecho o livro, com o marcador repousando na página atual. Preciso focar meus olhos em lugares distantes. Simplesmente levanto a cabeça e vejo um campo verde, que vai de alguns metros à minha frente até o perder de vista.
Conforme minha mente desprende-se do mundo daquele livro, percebo o aroma no ar. É uma mistura de notas amadeiradas, quase como árvores no outono, cheirando ainda à toda a chuva que cai nessa época, com uma nota um pouco mais irritante, que vêm da fumaça dos trens que param, dos passageiros que entram e saem da estação na qual estou.
Como não há nada mais interessante a se fazer no momento - a não ser um senhor de alguns oitenta e poucos anos, que prende sua atenção em mim, tal como estivesse me julgando -, eu acabo voltando ao meu livro. 
Por que não falar um pouco dele? Bom, trata-se de um livro normal, com sua capa e contracapa já gastas pelo tempo, suas bordas amareladas e seu cheiro indiscutivelmente agradável. Em seu conteúdo, somente coisas sobre mim - desculpe, não é de minha vontade passar uma imagem narcisista. Fique tranquilo, ninguém escreveria um livro sobre mim -. Coisas que aconteceram nesse período. Marcando as melhores páginas com adesivos, fiquei preocupado se os mesmos adesivos iriam sobrar, ou faltar. Foram amores perdidos - não, retifico, foram amores vividos -, reencontros tensos e resolvidos, muitos desapontamentos - principalmente vindos de mim mesmo -, muitas lágrimas desnecessárias e socos na parede. Mas também foram muitas risadas, encontros felizes, orgulhos e abraços.
Ler aquele livro demorou muito, mas, como havia de se esperar pelo trem, eu tinha tempo. Ele chegou, freou lentamente e soltou um apito forte. Em algum lugar à minha direita, ouvi chamarem os passageiros. Levantei-me, meio tonto ainda pelo tempo que passei sentado, e olhei ao meu redor. Aquela cidade eu não veria novamente, e naquele momento imaginei se deveria sentir saudade ou alívio.
Na capa do livro, em números imponentes, 2013. No trem, em igualdade de tamanho e importância, 2014. 

Feliz ano novo!

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