Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

domingo, 15 de dezembro de 2013

O Que Vem Depois


As sombras estão postas, e elas me mostram de onde exatamente vêm a luz. E é pra lá que eu vou.
Os lugares por onde passo são os mais diferentes possíveis. 
Primeiro estou num quarto. As paredes são estranhas, como se estivessem curvadas, e acho que consigo até mesmo contar quantas rachaduras as várias lâminas de madeira têm. Balanço a cabeça, preciso seguir em frente, mas então me atenho ao chão - ele não existe. É como se eu estivesse pisando no céu. Ergo vagarosamente um dos pés - tenho medo de transpassar a barreira na qual tenho equilíbrio e cair sem fim - e vejo a planta dos pés refletida no chão. Firmo o pé novamente e começo a me abaixar, chegando com o rosto cada vez mais perto daquela força invisível. Meu rosto vai ficando reconhecível no espelho, mas percebo que algo está errado: estou desfigurado. Apoio uma mão no chão e toco meu rosto - sim, ele está normal, ou ao menos está com tudo no lugar - e coloco a mesma mão na imagem do meu rosto.



A barreira desaparece. Era esse meu medo, e agora estou caindo.

O céu é tão límpido quanto o do nascer-do-sol. Atravesso algumas nuvens, e por alguns segundos, perco totalmente o medo de onde aquela queda vai me levar. Mas as cores começam a esfriar, o azul escurece, as nuvens começam a ficar sólidas - tão sólidas quanto se possa imaginar - e começo a me bater nelas. Nesse momento de dor que mais parece sem fim, quando finalmente minha cabeça vira-se para baixo e tudo o mais desaparece, o chão vêm de encontro a mim. Tal qual eu fui de encontro a ele, anteriormente, agora com muito mais velocidade e com um destino só: morte. 

Se é que a morte têm salas com papéis de parede marrom-claro e cheiro de lavanda. 

Olho pra cima e lá está o lugar de onde vim - um céu escuro, tempestuoso - certamente para lá é que não quero voltar. À minha frente uma porta, comum, com um trinco redondo também de madeira. Em suas frestas, luz. Eu abro a porta, e a luminosidade me cega temporariamente.

Um comentário:

Raiza Perruquinho disse...

Adoreii o blog =)
Continue sempre postando conteúdos pq ajuda muitas pessoas =)
Beijoos