Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O Quarto de Rostos


A casa está vazia, exceto pela luz que vêm do corredor.
As lágrimas do céu escorrem, lentamente, e batem contra o telhado acima de nós.
tec, tec, tec.
Com o passar do tempo, o barulho se torna mais alto, mais intenso e mais rápido.
Assim como nós.
A chuva agora é torrencial, a casa agora é silenciosa, e a sua boca agora é alvo fácil.

Agora eu adormeço meio que contra a minha vontade, mas pela obrigação do ato, e também pelo meu cérebro já estar gritando por isso. 

Eu encontrei uma razão pra mudar,
Mudar de personalidade, de cidade, de nome. Eu sonhei com isso e acordei diferente.
A vida tem a habilidade de transformar um dia bom em um dia triste, numa velocidade incrível. O grande problema é que não consigo perceber quando ela faz o contrário. 
Ou talvez só esqueça de agradecer.

Eu acordo, mas estou em outro quarto, este rodeado por rostos em todos os cantos. Alguns olham pra esquerda, outros pra direita, e os demais para mim. Vidrados em mim, aguardando pelo momento em que eu começaria a gritar. Nós somos governados pelos nossos medos?
Mas em meio a tudo, eu vejo um rosto diferente. Seus olhos,
Tristes, como você fazia quando tinha que dizer adeus.
tec, tec, tec.
Foi o som que ouvi quando aqueles olhos se fecharam e tudo se apagou.

A minha boca treme, a minha mão sua em frio. Eu finalmente consegui abraçar o mundo, e admito estar feliz com isso, mesmo que meus braços doam todos os dias.
Uma pessoa muito sábia já havia me dito uma vez: "À ninguém, um fardo do qual não possa carregar."


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