Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Saudosismo de criança

Os barulhos lá fora parecem de cristais caindo no chão.
Sinto o cheiro da água no ar. Aquele gostinho de terra molhada invadindo meus pulmões quentes.
Parece apenas chuva, mas tem muita tristeza escondida aqui...

Percebo a chuva com paciência, mas uma ansiedade pulsa por dentro de meu coração, queimando como uma brasa viva que fica velha e menor a cada carbono que o oxigênio leva embora.
Percebo o mundo com uma ansiedade de gente grande, e a chuva não é mais a mesma chuva que outrora me alegrava, que me fazia imaginar as brincadeiras em um universo paralelo. Pular em poças sujas de água, vendo a felicidade em tudo, sentindo-se apenas feliz. Hoje o que tenho é apenas o conhecimento Aristotélico da Felicidade. Tão técnico... Tão metafisico.
Hoje a chuva não passa de um obstáculo inconveniente, que dificulta meu trajeto da universidade para casa. A pressa não me deixa ver quem passa na rua; humano, assim como eu.
Não parece a mesma chuva de antes, sem duvida algo mudou. É difícil admitir que crescemos e que toda mudança implica em escolher, e escolhas sempre (sempre) resultam em perdas.
Mas o que perdemos ao nos tornar nesses adultos neuróticos e cheios de preocupações? E o que ganhamos?

Carregamos nosso mundo em nossas mãos. Ele não está pronto, e não acredito que um dia possa estar.
É como aquelas massinhas coloridas de modelar que brincamos na outrora e saudosista infância: Até o dia que essas massinhas se ressequem e não possam mais ser utilizadas, nunca pararam numa mesma forma. Sempre mudaram, sempre se adaptaram. Misturaram-se a outras cores e se modelaram.
Então me pergunto: Qual é a forma atual de nossa massinha? Como é nossa vida agora?

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