Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

sábado, 28 de setembro de 2013

Passos em Falso


Eu  me perdi no mar de cobranças que eu faço pra mim mesmo, e foi só quando eu caí que percebi que a falha ou o acerto são inevitáveis e fazem parte de um grande jogo de tabuleiro. E quem joga esses dados sou eu mesmo. 
Como seria bom, se a felicidade fosse como o som. Que não pudéssemos deixar de ouvi-la mesmo tapando os ouvidos.
Acerte o acorde, faça o gol. Fale olhando nos olhos, chore escondido. Olhe para ambos os lados antes de atravessar, não olhe para o mendigo que dorme com frio na praça. Sinta ciúme, aconselhe que isso é errado.
Tudo indica que eu estou em uma partida de xadrez, em que sou a única peça deste lado. Eu  me sinto como o rei, mas a cada jogada as minhas chances ficam menores. É questão de sorte, sair vivo daqui. É questão de sorte, criar a expectativa e ser bem-sucedido nela. 
Estou aqui parado, tentando ouvir aquele som. Mas algo me empurra, e quando me viro para encará-lo, me deparo com minha própria imagem, repetida em um exército. Cada um tem um rosto diferente e uma palavra única em sua boca, como se cada um daqueles representasse um dia passado de minha vida. Então todos param e, lentamente, viram-se para mim, com seus rostos imóveis, aguardando um próximo comando.
Neste momento me sinto como comandante, e me sinto inseguro. Todos precisam de uma escolha minha, e um passo em falso é mais um rosto triste na multidão. Seria tão mais fácil se decidissem por mim, eu penso em silêncio. Mesmo que isso signifique que quem está na direção sou eu, e eu preciso olhar para ambos os lados antes de atravessar.


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