Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Maestro de Mim


Foram dois acordes e três oitavas que bastaram para alguns calafrios.
Esqueci o mundo a minha volta. Olhei várias vezes de um lado para o outro, na linha do horizonte, mas a minha retina estava a quilômetros de distância. Primeiro, parei de perceber a textura dos materiais, depois, os tons das cores e, por último, fechei os olhos e chorei.
Chorei como uma criança pode chorar, mas em intensidade. Porque a pureza do choro de uma criança é inalcançável por alguém que tanto mal já viu.

Eu havia alcançado ao longe meu objetivo, depois de ser errante por tanto tempo.

O caminho era feito de pedras predispostas umas do lado das outras, algumas separadas por grama, outras por terra. Andava eu rodeado por outras pessoas, peregrinos vestidos com túnicas negras e cabeças abaixadas. 
Nós vivemos andando e olhando os outros ao nosso redor. Isso torna muito difícil a autocrítica, a real opinião de nossa própria imagem.
Eu não podia perceber que também estava vestido de preto. Também tinha uma túnica em minha cabeça e também seguia uma música levemente melancólica em murmúrios.

Me aproximei daquele lugar. Parecia ter sido construído há milhares de anos, mas não perdia seu sentimento de calma e tranquilidade.

Eu desliguei os aparelhos e entrei. Me desliguei do mundo e adentrei outro, clássico, tenor e soprano.
Ouvir as vozes perfeitamente encaixadas, desde o menor até o maior tom, todas seguindo aquele único que se posta de frente delas, me fazia refletir. Será ele, o maestro, parte incontestável do sucesso da música? Serão todas as vozes, dentre seus talentos próprios indiscutíveis, independentes dos movimentos do maestro? Ou a música é um produto da mão que comanda e da voz talentosa que obedece?

Não entendo. Tenho a voz que canta a melodia, ou tenho a mão, que comanda a sintonia?


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