Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

domingo, 29 de setembro de 2013

Não é pessimismo

o que eu vivo dizendo para os outros.

Acordo cansado das mesmas histórias, das mesmas cobranças, das faltas de nexo. Cansado desse mundo desenfreado.
As pessoas trabalham demais para pagarem dividas que nunca serão quitadas totalmente. Vivem enganadas num sistema cruel e imperialista.
Vivem correndo atrás de idéias que não pertencem a elas próprias.
Você, é você mesmo que está perdendo seu tempo lendo mais essa mensagem do mundo do entretenimento que te hipnotiza o tempo todo, qual foi a última vez que se sentiu bem de verdade?
Vivemos presos nas angustias e nas ansiedades que criamos nesse delírio coletivo. Vivemos no passado e no futuro. 
Onde está o presente senão o agora? Chega de besteiras, o presente acabou de virar passado. Tão volátil quanto às relações superficiais que me sufocam. Sempre julgamos o mundo a partir do nosso Mundo! Sempre buscamos por sentido naquilo que não consigo conhecer, como uma criança que só vê o mundo a partir do próprio umbigo. 

Entro em crise e desespero. E é nesse momento que me escondo, me isolo e me calo. É o meu modo de dizer que preciso de um tempo; tempo para cuidar das próprias feridas. 
Preocupo-me quando percebo que solucionar meus problemas parece muito mais difícil do que resolver os problemas dos outros. Sempre existe uma receita de bolo que cabe para alguém, mas nunca para mim. Por  quê? Por que ninguém entende ninguém verdadeiramente (?).

Achamos que sabemos cuidar de muita gente... Quando é que vou aprender?
A gente só pode ser melhor ou pior do que a gente mesmo.


sábado, 28 de setembro de 2013

Passos em Falso


Eu  me perdi no mar de cobranças que eu faço pra mim mesmo, e foi só quando eu caí que percebi que a falha ou o acerto são inevitáveis e fazem parte de um grande jogo de tabuleiro. E quem joga esses dados sou eu mesmo. 
Como seria bom, se a felicidade fosse como o som. Que não pudéssemos deixar de ouvi-la mesmo tapando os ouvidos.
Acerte o acorde, faça o gol. Fale olhando nos olhos, chore escondido. Olhe para ambos os lados antes de atravessar, não olhe para o mendigo que dorme com frio na praça. Sinta ciúme, aconselhe que isso é errado.
Tudo indica que eu estou em uma partida de xadrez, em que sou a única peça deste lado. Eu  me sinto como o rei, mas a cada jogada as minhas chances ficam menores. É questão de sorte, sair vivo daqui. É questão de sorte, criar a expectativa e ser bem-sucedido nela. 
Estou aqui parado, tentando ouvir aquele som. Mas algo me empurra, e quando me viro para encará-lo, me deparo com minha própria imagem, repetida em um exército. Cada um tem um rosto diferente e uma palavra única em sua boca, como se cada um daqueles representasse um dia passado de minha vida. Então todos param e, lentamente, viram-se para mim, com seus rostos imóveis, aguardando um próximo comando.
Neste momento me sinto como comandante, e me sinto inseguro. Todos precisam de uma escolha minha, e um passo em falso é mais um rosto triste na multidão. Seria tão mais fácil se decidissem por mim, eu penso em silêncio. Mesmo que isso signifique que quem está na direção sou eu, e eu preciso olhar para ambos os lados antes de atravessar.


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Planos Perfeitos


Menina, largue a boneca, faça jus às ideias que você compartilha com seus amigos.
Meu bem, nós já fizemos tantos planos que não deram certo que isso tudo mais parece um desenho animado do que a vida real.
Já que a vida não é uma composição de Tallis em que tudo se encaixa, por que não atirar a bola pra frente e ver o que acontece?
As palavras que você falou são frutos do passado, no momento exato em que você as pronunciou.

Por que é que você entendeu tudo errado?

Menino, quem vai lembrar de você quando tudo acabar, e por quê? Tudo isso que você faz, incluindo esse romantismo exagerado, só o fazem parecer um idiota para a opinião alheia e destruidora. 
Todas aquelas cantadas baratas e todas aquelas amigos que foram embora e não voltarão mais se tornaram somente lembranças, as quais você se apega como se fossem um prêmio da mega-sena acumulada.

Por que é que você não percebeu que devia ter feito tudo diferente?

Meninos e meninas, eu os vejo de longe, trocando olhares em meio a outros milhões de pessoas. Façam seus planos perfeitos e acreditem que existe alguma coisa nesse mundo que não é finita. E boa sorte.


domingo, 22 de setembro de 2013

Um Sentimento em Comum


E o tempo passou. Passou, e passou tão longe, que só pude ver suas luzes indo embora.
Só consegui olhar para o chão, esboçando um sorriso.
O que mais eu podia fazer? Será que temos que ver as coisas indo embora pra poder se movimentar?
No futebol, é a bola que precisa correr, e é ela que corre nos pés de um jogador habilidoso.
Na vida, quem é que precisa se mover?
És dono das próprias pernas?

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Futuro incerto

Misture aquela sensação boa com um bom banho quente.
Que emoção é esta que mantem minhas pernas de pé? Vejo água escorrer ralo abaixo, mas parece que ela não está lavando todo esse temor que sinto. Algumas coisas ficam presas como uma marca ruim, um código tatuado na alma. Um sinal para nunca esquecer.
Os músculos trepidam de dor.
Tenho medo do futuro, apesar de não avista-lo. Cultura saudosista prestem atenção no meu grito que pede apenas Liberdade.

Falaram que é o vazio dentro de nós. Falam que ele é do tamanho de Deus. Eu sei que existe uma diferença entre o vazio e o nada.
Perguntei aos filósofos da minha época, mas eles não souberam me responder algo que me acalmasse. Falaram apenas de um vazio que está presente nos outros, e o nada para onde todos vão. Falaram de todos, menos de mim, e deles próprios.
Aprendo, mesmo que aos poucos, que tenho que achar minhas próprias respostas. Eu sei que existe uma diferença entre o vazio e o nada, apenas não sei qual é.
Meu interesse.
Pensei que era o único no mundo, o mais importante. O tempo todo, e tudo que tenho são baseado no interesse... dos outros.

De que ordem eu faço parte?
Estou ligado num futuro incerto. Às vezes tenho vontade de escrever um livro, em páginas amarelas, em poucas páginas. Um livro de apenas um leitor. Sabe aquele futuro ali na frente (consegue ver agora?) é a única coisa que tenho hoje.





quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Maestro de Mim


Foram dois acordes e três oitavas que bastaram para alguns calafrios.
Esqueci o mundo a minha volta. Olhei várias vezes de um lado para o outro, na linha do horizonte, mas a minha retina estava a quilômetros de distância. Primeiro, parei de perceber a textura dos materiais, depois, os tons das cores e, por último, fechei os olhos e chorei.
Chorei como uma criança pode chorar, mas em intensidade. Porque a pureza do choro de uma criança é inalcançável por alguém que tanto mal já viu.

Eu havia alcançado ao longe meu objetivo, depois de ser errante por tanto tempo.

O caminho era feito de pedras predispostas umas do lado das outras, algumas separadas por grama, outras por terra. Andava eu rodeado por outras pessoas, peregrinos vestidos com túnicas negras e cabeças abaixadas. 
Nós vivemos andando e olhando os outros ao nosso redor. Isso torna muito difícil a autocrítica, a real opinião de nossa própria imagem.
Eu não podia perceber que também estava vestido de preto. Também tinha uma túnica em minha cabeça e também seguia uma música levemente melancólica em murmúrios.

Me aproximei daquele lugar. Parecia ter sido construído há milhares de anos, mas não perdia seu sentimento de calma e tranquilidade.

Eu desliguei os aparelhos e entrei. Me desliguei do mundo e adentrei outro, clássico, tenor e soprano.
Ouvir as vozes perfeitamente encaixadas, desde o menor até o maior tom, todas seguindo aquele único que se posta de frente delas, me fazia refletir. Será ele, o maestro, parte incontestável do sucesso da música? Serão todas as vozes, dentre seus talentos próprios indiscutíveis, independentes dos movimentos do maestro? Ou a música é um produto da mão que comanda e da voz talentosa que obedece?

Não entendo. Tenho a voz que canta a melodia, ou tenho a mão, que comanda a sintonia?


domingo, 8 de setembro de 2013

Cético demais

Não é apenas uma ideia minha.
Tudo acaba fazendo parte de um todo, grande como a nossa própria criatividade, grande como nossa própria arrogância que sucumbe todos nós...
Muita gente fala do brilho dos pensamentos bons. Aliais quem, nesse mundo horroroso, vive sem se iludir com este positivismo total? A Esperança não deixa de ser um fracasso adiado para o final.
Pensamento é vida.

A gente nunca tem tempo para ver as cores do dia, o cheiro da chuva, nem ao menos a ardência da luz do sol. As coisas estão turvas, cansadas, meio bagunçadas como um armazém sujo e abandonado, cujo zelador abandonou seu cargo há alguns meses.
Qual é minha parcela de culpa disto tudo? Dê-me um porquê para não agir de má fé, e por a culpa dessa desgraça nos outros. Quando o carro estraga é sempre melhor por a culpa no mecânico. 

Eu vejo o vazio. A ausência de sentido em cada fragmento. Cadê os positivistas agora? O mundo se definha em doses venenosas. Ninguém liga para ninguém.
Eu vejo o nada, e o nada está em mim.

Essa pressa toda, essas relações superficiais, toda essa incerteza, esse individualismo e imediatismo...
As coisas estão em crises.

Nossa espiritualidade clama por uma revitalização, nós, que somos céticos demais. 
Aprendemos a acreditar apenas naquilo que nos convém, apenas naquilo que nossos olhos cegos conseguem ver. Tudo vale para nosso sucesso individual.
Vivemos de finais de semana!
Como chama este tédio, esta depressão da razão?

Onde estão todos agora? Eles parecem que se perderam...
 ...no vazio de si mesmo, assim como você, e eu.

domingo, 1 de setembro de 2013

Mártir por um Coração

Cada mente, um universo.

Me mande para o hospital, eu quero conversar com algum médico
Um psiquiatra ou até mesmo um padre, alguém que me entenda
Por favor enfermeira, leve a dor embora daqui,
Mas traga baldes, e muitos.

Medique-me doutor, deve haver algum remédio que cure essa doença humana
Acreditar naquilo que é real
Quando tudo que é real, ou o que parece ser,
São produtos da nossa mente
Quando o significado de realidade não passa daquilo de que acreditamos "ser".

Vivendo em mundos diferentes,
Nós humanos conhecemos um só planeta
Mas são 6 bilhões de Terras dentro de um só orbe
Aquilo que é pra mim, não será pra você
Quando você se corta, de que cor é seu sangue?

O grande problema, ou solução, ou mártir de cada um de nós exalta-se daquilo que chamamos "coração"
São sentimentos, e não somente amor, como pode ser confundida a palavra sentimento.
Trata-se de raiva, ciúme, orgulho, amizade, confiança
Estas nossas ruínas, nossas vulnerabilidades
Mas podemos viver sem sentimentos? O que nos diferenciaria de uma máquina?
Teríamos o poder de escolher não seguir ordens? Qual teu propósito aqui, seu consumidor de oxigênio?

Eu não estou fodendo sua mente, nem mesmo a minha,
Aquilo que é, já não pode ser desfeito, remediado ou simplesmente morto
Seguimos de segunda a segunda acreditando que o passado passou, o presente é a chave e o futuro um baú de tesouros.
Espero piamente que, ao abrir o teu, encontres mais do que um coração que falta em teu peito, mas que ainda bate, em meio a algo frio e sujo.
Pois vá em frente, faça aquilo que acredite
Como sempre, estarei aqui. Mas entre na fila, pois meus dois ombros já estarão ocupados com pobres amigos que choram por não poderem mudar o resultado que encontram em seus baús.
"Siga seu coração" já foi uma frase mais sabiamente utilizada.

Ei, senhora, seu tempo já acabou. Próximo!