Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

segunda-feira, 22 de julho de 2013

A mesma mensagem

Estava preso nas mesmas ideias, como sempre. Como somos tolos quando nos apaixonamos.
As coisas nunca parecem estar simples. E mesmo que lutamos para resolver, tudo sempre se complica no final do dia. Concordo quando dizem que construímos muros demais, e poucas pontes que nos ligam aos nossos objetivos, que nos ligam uns aos outros.
Por que cativamos os outros com tanta facilidade? A gente nunca pede para amar, mas amamos mesmo assim.

Apenas com um pacote de Doritos na mão numa noite fria, mas não tão fria quanto os sentimentos dos outros. Caminhamos em distancias que apenas nossos corações conhecem.
Quando deixamos de ser uma criança sonhadora não somos mais nos mesmos. Parece uma maldição que piora com o passar do tempo. O tempo... Não deveria ser ele o sanador?

Amor de verdade existe enquanto não há outro que nos satisfaça igualmente.
Amor de verdade machuca em doses pingadas, e por mais que estejamos preparados para ouvir um não, nunca estamos prontos o bastante para aceitar uma derrota.
Nossos sentimentos são como um balão de gás.
Se soltarmos,
voam longe.

sábado, 13 de julho de 2013

Quando existe um laço

Olho para passado e o que vejo são sombras.
Perspectivas fracassadas.
Promessas em vão.
Amores perdidos.

Quantas são as artimanhas do destino?
O futuro tende a mudar toda vez que insisto em visualiza-lo. Somos sempre crianças tolas querendo brincar de sermos felizes, achando que existe algo que durará por toda a existência. Mal darmos conta de que somos tão virgens das angustias. Sempre estamos inacabados. Sempre faltará algo.

Certas coisas só permanecem enquanto nosso sentimento existe.
Mas você está aqui hoje, como uma centelha de mudança que sempre chega quando menos esperamos.
Uma nova perspectiva. Um fenômeno que deixa o passado nas gavetas das lembranças.

O que tenho para dizer deste laço que nos une hoje?
Quem sabe a melhor resposta seja de que você é um bom presente.





sexta-feira, 12 de julho de 2013

Conto: O Velho e O Mar


"Dor, era tudo que sentia.
Abriu os olhos vagarosamente e tentou perceber em que ambiente estava. 
Conseguia ver somente rochas molhadas. Ao que parecia, era uma caverna, mas não sabia ao certo como chegara ali. Suas roupas, outrora impecáveis, estavam agora sujas de uma mistura de lama, sangue e pólvora. Em um primeiro momento procurou seu cigarro, e após não encontrá-lo, riu da ignorância de fumar em um momento como aquele.
O eco das gotas d'água caindo estava tornando-se um hino fúnebre para ele. Lá fora, ainda podia ouvir à distância a guerra continuando. Dentro de si, conseguia ouvir seu coração batendo com fraqueza.
Tentou levantar um pouco a cabeça, mas a tontura não o deixava muitos movimentos. O sangue ao menos havia estancado, oriundo de dois ferimentos de bala em seu peito.
A caverna onde ele havia caído tinha uns dez metros de profundidade, era o que ele podia calcular. O sol lá fora brilhava tanto quanto a poeira podia permitir - poeira de guerra - algo que seus olhos já estavam acostumados. 
De tão fraco que estava, adormeceu, e sonhou. Sonhou com o mar, com o cheiro e brilho únicos dele. Quando criança, cresceu em uma cidade portuária. Conseguia lembrar-se somente de sua mãe, de seus irmãos e das inúmeras vezes em que passaram as tardes sentindo a água refrescar seus pés, no cais.
Então o mar já não era mais um quebra cabeças pra ele. Sabia que podia confiar na força do oceano, como também podia confiar em seu coração. Foi com essa força renovada que ele acordou.
Levantou-se lentamente e começou a escalar a parede da caverna. Ao chegar no lado de fora, viu que a noite já avançava sobre o céu, tão majestosa quanto um felino prestes a dar o bote em sua presa. 
Não havia fumaça, nem cheiro de sangue no ar. Parecia que nada havia passado por ali, nem os dois mil homens dos quais ele era apenas mais um.
Como havia predito, o mar estava ali. O aroma encheu os pulmões já abatidos dele. Com um sorriso despreocupado no rosto, ele correu em direção à água, mergulhou, abraçou-a e se lembrou de todos os momentos de sua vida."

"Dor, era tudo que eu sentia. Desculpe-me por ter ido embora e por ter terminado aqui, assim. A guerra não traz nada de bom, nem ao vencedor, quem dirá ao perdedor. Eu fui obrigado a vir, mas também vim por vontade própria. A culpa tem que ser repartida, entre os que criaram isso tudo e eu mesmo.  Cuide da minha moto, e cuide-se." - Era o que dizia a carta, que estava ao lado do corpo do soldado que a escreveu, encontrado numa caverna, já falecido.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Três três


Há uma brecha em seu escudo. Eu consigo ver atrás de sua máscara, que esconde um rosto tão lindo.
E não são as fotos que você me manda,
Não são os minutos em que eu ouço você cantar,
Não é o perfume que você deixou na minha pele.
É simplesmente o fato de você me abraçar forte e tentar dizer que não gosta de mim,
Ou dizer que as memórias que ficaram vão ser esquecidas algum dia.

Eu quero sentir o teu toque sem pressa, 
Quero sentir a textura das tuas mãos, quero sentir o perfume que você usa pra sair a noite.
Eu quero ouvir tua voz sem pausas por horas, para que eu possa gravar qualquer possível combinação de palavras, só para poder sonhar todas as noites com nossas conversas, para poder ouvir a tua voz o tempo todo.
Eu quero ouvir cada tom que você alcança quando canta. Eu quero conseguir reparar nos erros que você comete, quando passa por alguma parte da música que mexe com teu coração. 
Quero conhecer os teus medos, eu quero poder esperar o tempo que for necessário pra sentir os teus cabelos entre os meus dedos.
Eu quero finalmente te sentir arrepiada novamente. Ouvir os sons de um quarto vazio, que já ânsia pela falta de luz e pela sobra de calor. 

Não importa se, ou o quanto, vai ser triste depois. Seja um não ou um adeus.
Eu vou lutar,
Pra te conhecer.
Pra te conquistar.
Pra te fazer bem.
São três ações. Três caminhos. Três três.


domingo, 7 de julho de 2013

Mundo das idéias equivocadas

A felicidade é uma ilusão tão verdadeira como a própria vida. Não é um prêmio que se conquista com uma vida árdua e complicada.
Não são os momentos mais simples que vemos a tal felicidade, nem muito menos os mais complexos.
Pode ser que felicidade não exista, ou não faça sentido, como toda a vida em si.
O que é ser feliz? Quem sabe, felicidade seja o caminho que percorremos até o fim.

Se entendermos ela como algo que devemos "perceber", o que acontece quando não somos bons o bastante para notar quando ela estiver aqui?
Tudo pode ser uma questão relativista, já que nossas interpretações dependem de como enxergamos para a situação.
Olhe para suas lágrimas, suas dores; Elas são suas, ou de todo mundo?

Num turbilhão de emoções a gente se perde em situações que nunca deparamos. Um mundo de idéias repleto de juízos equivocados. Esperamos muito para sermos felizes, como nos contos que dizem ser de fadas "e viveram felizes para sempre". Nos ensinam a acreditar que as coisas que mais aguardamos estão no final da vida, no final da estrada, que vai chegar e completar tudo o que falta.
As pessoas mentem.
Não existe esta plenitude toda. Não existem verdades absolutas que não possam ser contestadas, assim como não existe alma gêmeas, amor universal, e até mesmo a felicidade.
O que existe é nossa interpretação dos fenômenos.



terça-feira, 2 de julho de 2013

Ficção


Essa é uma história em que os personagens são totalmente fictícios.
Ele era um cara normal, com seus problemas normais. 
Ela era uma menina doida, com problemas demais. Linda.
Ele queria vê-la, senti-la por algum momento.
Ela queria vê-lo, esquecer da vida por alguns segundos.
E foi isso que aconteceu.
Quando os quilômetros não bastaram, nem a chuva, nem pessoas,
Quando os vidros do carro já estavam cansados de embaçar e desembaçar,
Até mesmo quando o rádio já estava cansado de cantar as mesmas músicas, 
Ou ele cansado de sentir o nervosismo do momento,
Ela saiu da prisão, 
Ele desengatou a marcha e puxou o freio de mão, já não se importava se estava em uma descida
Ela vacilou, sussurrou "que medo"
Ele não disse nada, só a beijou.
Foram quantos segundos? Ninguém soube dizer. Já estavam separados novamente.
Como uma teoria de espaço-tempo, semanas se tornaram segundos, que se tornaram semanas novamente.
Ele continua um cara normal. Ela continua doida. O que mudou é que por um tempo foram só os dois no mundo.
Essa é uma história fictícia. Pra quem não sabe.