Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

domingo, 19 de maio de 2013

O aquário

É como nascer de novo.
Só que desta vez ao contrario.

Somos obrigados a resignificar a vida, que outrora tínhamos.
Assim, da maneira mais maldosa que pode ser e muitas vezes sem escolher.
Lidar com a finitude pode ser uma angustia provocadora. Somos complexos demais para admitir, assim simplesmente, e tão de repente, que um dia tudo se vai.
Então fico me perguntando, até onde vai nossa capacidade de escolher? Somos livres do quê, afinal?

A morte não é o fim da vida,
mas a vida termina quando perdemos a consciência dela. E aqui estou preso num aquário de águas limpas. Adornos em todos os cantos, mas que não fazem a menor importância para mim. As pessoas me olham espantadas. Eu retribuo o olhar com o mesmo espanto. Espanto por estar aqui sem saber o que fazer, espanto por não conseguir dizer mais nada, espanto pela vida. E pela morte.

Vida é sentido; Sentido esse que atribuímos constantemente.
Sinto-me como se estivesse num zoológico, cujo animal da atração é eu mesmo.
As coisas foram sempre assim?

Muitos se perguntam onde deveríamos estar se não fosse aqui, mas a resposta se perde no ar. Somos incompetentes demais para responder.
Consigno meu próprio esquecimento, e a repetição de meus atos só mostram o quão às coisas estão no automático. Faz tempo que não sei o que é ser humano; Ou é ser humano sendo assim também?
Toda a minha vida se definha num piscar de olhos. Quem eu fui? Quem eu sou? Quem eu posso ser?

Um peixe...

Para você que me pergunta o porquê não choro mais, saiba de uma coisa: existe mais de uma forma de mostrar nossos sentimentos além do derramamento de lágrimas, assim como existe muitas outras maneiras de existir. Eu ainda estou preso neste belo aquário. Mas ainda tenho duvidas se eu existo ou não.



4 comentários:

Felipe Bazzanella disse...

"Existir" é fazer parte da memória de alguém?

Carlos Filho disse...

"Existir" pode ser ter a consciência da própria vida, e morte.
:)

Fernando Silva disse...

Aí você tá sendo cartesiano: penso, logo existo!

Carlos Filho disse...

haha não comece a querer me categorizar de novo. O que quero dizer é que o fim da vida não é a morte, mas sim a perda existencial (a a perda de produção de sentido, perda da autonomia sob a própria vida...) fenômeno este muito evidente numa lógica manicomial e asilar, por exemplo. :P