Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

terça-feira, 23 de abril de 2013

Esperando o Momento Certo


As coisas não acontecem por acaso, isso eu aprendi. Acontecem por vontade ou mesmo consequência, seja de nós ou de outros.
E foi assim que começou uma história normal. Por acaso.
Ela estava caminhando, como quem não quisesse nada, como se sua mente estivesse tão livre quanto seus cabelos, que esvoaçavam ao vento. O clima estava seco e frio, típicamente de outono, como ela poderia imaginar - até porque as folhas, amareladas, cobriam o chão aqui e ali. Ao caminhar, com passos firmes e cronometrados, as folhas partiam-se sob seus tênis All Star. Ela não fazia menção de importar-se, tampouco conseguia ouvir alguma coisa além da música que inundava sua mente através dos fones de ouvido.
Por que ela ouvia tão alto essas músicas?
Talvez pra esquecer, esquecer do que ficou pra trás no caminho da vida, metaforicamente falando. Ela poderia querer sublimar as lágrimas que era iminentes com músicas que a traziam, lentamente, de volta à vida.
Não. Ela queria era realmente o contrário. Ela queria se lembrar dos momentos. Aquelas músicas eram as que ela ouvia junto de outro alguém. Eram as músicas que eles cantavam juntos, que gritavam juntos, talvez até alto e desafinado de mais para os ouvidos alheios, mas que para eles eram covers perfeitos. Ela ouvia, cantava baixinho, somente mexendo os lábios, perfeitamente alinhados ao que o vocalista cantava na música. Ela andava sobre as folhas do outono, num caminho sem destino. Ela queria lembrar - e esquecer - tudo que ficava pra trás. 
O que o caminho traria - e o que o futuro, por conseguinte - não seria deixado de lado. No momento certo, ela tiraria os fones e veria o mundo com outros olhos. Até lá, aumentava o volume.


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