Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

segunda-feira, 25 de março de 2013

No meu caminho: Tempestades

Quando resolvi dar as costas para todos eu não tinha pensado nas consequências, e como já era de se esperar a dor veio depois.
Abandonei tudo que tinha por ela, e escolhi voar para longe, mas mesmo assim me sentia um pássaro tolo, perdido do restante da revoada. Meu orgulho, agora ferido, não me deixava olhar para outra direção que não fosse a minha frente. Deixei tudo para trás, e com isto, agora estou inevitavelmente sozinho. O que foi que eu fiz? O que estamos dispostos a abandonar em nome de alguém?


Chove forte lá fora. O fogo em meu coração se apaga aos poucos e um vazio existencial toma conta de tudo, como se quisesse me desfazer, como se quisesse me reorganizar.
Quando se espera demais por uma paixão, quando fantasiamos demais, é um sinal de que estávamos infelizes. Eu era ao seu lado por não conseguir dizer tudo que sentia e agora, sem sua presença, eu já não sei mais no que eu sou, no que estou me tornando.

- Ela vai voltar? - perguntei para mim mesmo já sabendo a resposta. Certas coisas quando vão jamais voltam para nós, e mesmo que pareçam voltar já não são as mesmas coisas. Que coisa estranha, eu aqui conversando sozinho. A gente sempre se remete a nos mesmos quando não há mais ninguém por perto.

Onde estão meus sonhos? Estou escutando os outros sussurrarem o que tenho que fazer, mas meus sentimentos já não ligam em obedecer. Preciso de tempo para pensar, e isto implica estar longe de tudo; estar longe de todos; estar longe dela.
Foi numa árvore velha que me protegia da chuva. Achava que tudo era um castigo para mim, um obstáculo para me impedir de continuar me afastando. Logo percebi que na verdade esta chuva é apenas chuva. Os significados e interpretações são sempre nossos, e com eles complicamos toda a nossa liberdade.
Os pingos gelados que desciam do meu nariz molhavam meu peito que tremia de frio a cada gota de tristeza. Lágrimas? A chuva lava tudo, e com ela vão também as esperanças. Esperanças de um dia melhor, um futuro incerto, adiado para o final. Estou sem saber o que fazer, e ela está longe demais para poder me escutar.



Um comentário:

Isie Fernandes disse...

Que triste... Bem, a chuva lava tudo mesmo, e o melhor é que depois dela sempre vêm o arco-íris e o sol, sempre!

Beijos,

Isie Fernandes - de Dai para Isie