Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

No meu caminho: Para longe daqui

Ela está morta.
Pálida como as roupas claras que vestiam sua pele, seu corpo se misturava nas sombras, sumindo até desaparecer por completo. O céu chorava de raiva e rancor jamais visto por mim. A tempestade abria uma infinidade de sentimentos ruins, dentre elas a maior insegurança do mundo. Tudo parecia desmoronar aqui;
Um show de imagens bombardeavam minha mente, tudo girava, tudo mudava, tudo definhava.

Eles me puxavam para trás, esticando minhas roupas até fazer os primeiros estragos no tecido sujo de sangue. Os olhos não enxergavam nada além do vazio que agora possuía no grande salão. Não queria sair daqui, não queria abandoná-la. Gritava um horror sem igual, mas ninguém parecia escutar.

- Vamos, ou então será tarde. - gritava a voz adulta, puxando meu punho, me arrastando como um animal teimoso.
- Ele não quer andar, parece uma casca vazia!
- Pelos deuses, como isto foi acontecer?
- Não desgrude do garoto!
- Ele não vai aguentar a isto...

Mas as palavras não tinham sentido algum. Queria estar morto junto dela, queria poder correr para longe, queria mudar tudo.
Corriam como se o mundo estivesse acabando atrás de nós, mas eu ainda era puxado. Não tínhamos tempo para um luto, pois as sombras dançavam com alegria e prazer atrás de nós. Eramos os próximos. Acredito que ninguém ainda acreditava no que estava acontecendo.

- Vamos garoto, não desista, falta pouco. Lá estaremos salvos - disse um deles com a voz trêmula, sua juventude parecia ter ficado para trás - Lá estaremos salvos!

Salvos? Salvos de quê?
Era como ouvir os pensamentos. O desespero de todos deixava as coisas mais difíceis, e o vazio que ela  acabara de deixar me desligava da vida. Estava tudo acabado aqui. Um erro vital. Onde estão nossas esperanças agora? Meus sonhos para com ela acabaram, destruído da maneira mais brutal na qual eu jamais imaginaria.
Quando estendi minha mão ela não aceitou.

Faça aquilo que te faz bem. O céu nunca foi o limite. Eram as palavras do Velho amigo que cobriam todos os meus desejos ruins. Tenho que encontrar algum modo, algo para fazer as coisas varem a pena novamente. Ele sabia o que tinha que ser feito...
Temos a liberdade para amar novamente?

- Chegamos, chegamos!

A expressão daqueles que nós aguardavam não poderiam ser piores. A amiga dela se desesperava quando via que faltava alguém.
Um horror sem igual tomava conta de mim. Já não poderia ter ela mais nos meus braços, e todos ao meu redor perdiam o sentido de existência. Tinha que fazer o que achava necessário, sem medo de errar, sem olhar para trás. Não queria ver o luto começar...

Eles jamais esperariam isso de mim, não usaria tais palavras. Aquilo que não se diz é sempre o que se diz. Minha própria história de amor virou uma tragédia, por quê?
Foi quando me libertei das mãos que aprisionavam meus pulsos, dei as coisas e então decidir ir embora, como já dizia a música que tocava em minha cabeça agitada. Estou voando para longe daqui, onde posso ser mais eu, onde posso me desenterrar, onde posso viver novamente.
Corri desesperadamente na direção oposta. Todos gritavam meu nome pedindo para voltar, dois ou mais deram os primeiros passos para me impedir quando a voz do Velho soou no fundo:

- Deixe-o ir. Deixe-o voar - foi a última coisa que ouvi dele.

Sou livre para mudar o curso da minha vida, mesmo que isto implica abandonar a todos, mas mesmo assim meu coração disparava com medo de ser reprovado. Os relâmpagos anunciavam o inicio da tempestade. Lágrimas ficavam para trás, mas já era tarde para mudar o que tinha feito, já era tarde para tentar trazê-la de volta. Um coração vazio sempre deixa marcas, um amor perdido sempre deixa arrependimentos. 
Eu já estava longe; voando para longe de todos, voando para longe dela...
Eu quero voa para longe... Para longe daqui.

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