Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

domingo, 30 de dezembro de 2012

Sonhar para ver. Esperar para colher

Foi mais uma noite de sonhos ruins. Carrego na memória uma sensação diferente, um peso que meu coração não gostaria de carregar.

[...] Estava com as malas pontas, sentado no chão de mármore, esperando apenas o ônibus passar. [...]

As coisas dão errado para você também? O final da tempestade nem sempre trás o arco-íris. Não existe guerra sem perdas, não existem brigas sem desencontros. Em minha mente sinto um vazio estranho, e uma vontade inquietante de arrumar uma daquelas borrachas mágicas que acreditava quando era crianças para apagar meus sonhos ruins e tudo aquilo que me desconforta.

[...]  Olhei para o relógio enquanto lanchava. Faltava exatamente uma hora para a partida. Para meu espanto senti que faltava algo, ou alguém. Não poderia partir neste momento, alguma coisa estava errada. Deixei as malas de lado e fui atrás de respostas, andando para longe dali, esbarrando contra as outras pessoas pintadas apenas de preto em minha mente. [...]

Sonhos não podiam nos fazer sentir, pois nem sempre sonhamos o que queremos. Faz tempo que não sentia este balançar do vazio em meu coração. Em minhas lembranças não consigo resgatar nada que não sejam esperanças mortas, oportunidades perdidas, ou expectativas em vão. A vida passa para todos, deixamos tantos momentos de lado, momentos que nunca mais voltam e que podiam se tornar mais uma lembrança de uma boa conversa com quem se gosta.


[...] Eu corria para longe. O tempo quase estava esgotado, e já não dava mais para voltar.

Quando abrimos os olhos muito rápidos durante o sono é sinal de que não estávamos em paz. Talvez seja isto o que as pessoas mais querem hoje, e é o que menos temos feito uns com os outros.
Existe uma sombra em meu coração, que ainda não sumiu com o amanhecer do dia. Em meus sonhos, sensações ruins do abandono. Na mente ainda uma inquietação, afinal ainda não sei se era eu que tinha sido abandonado, ou se era eu que estava abandonando.

As trevas moram no coração de cada homem e a discórdia é sua aliada. Basta uma pequena dúvida para causar uma sombra no coração inteiro. Não adianta ter toda a tecnologia nas mãos se não soubermos falar.
Tenho vontade de correr para longe como nos sonhos; olhar novos horizontes, ver novas chances. Mas ainda não sei se isto seria abandonar, ou procurar.

Nenhum comentário: