Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Simplicidade


Agora acho que entendo você. 
Você não vive pra agradar ninguém.
Mas você me agrada, vivendo.

Pra que complicar tanto, quando é muito mais fácil viver ?!


Como um Suspiro


O que é o amor pra você?
E pra onde você foi?
Eu procuro em meu campo de visão algum sinal teu,
Mas nada além do horizonte eu encontro.

Escute o teu coração, escute a tua mente, nada disso faz sentido pra quem está na mira do bandido.

Eu te procuro no horizonte,
Mas devo ter sido eu, quem virou as costas pra você.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Sonhar para ver. Esperar para colher

Foi mais uma noite de sonhos ruins. Carrego na memória uma sensação diferente, um peso que meu coração não gostaria de carregar.

[...] Estava com as malas pontas, sentado no chão de mármore, esperando apenas o ônibus passar. [...]

As coisas dão errado para você também? O final da tempestade nem sempre trás o arco-íris. Não existe guerra sem perdas, não existem brigas sem desencontros. Em minha mente sinto um vazio estranho, e uma vontade inquietante de arrumar uma daquelas borrachas mágicas que acreditava quando era crianças para apagar meus sonhos ruins e tudo aquilo que me desconforta.

[...]  Olhei para o relógio enquanto lanchava. Faltava exatamente uma hora para a partida. Para meu espanto senti que faltava algo, ou alguém. Não poderia partir neste momento, alguma coisa estava errada. Deixei as malas de lado e fui atrás de respostas, andando para longe dali, esbarrando contra as outras pessoas pintadas apenas de preto em minha mente. [...]

Sonhos não podiam nos fazer sentir, pois nem sempre sonhamos o que queremos. Faz tempo que não sentia este balançar do vazio em meu coração. Em minhas lembranças não consigo resgatar nada que não sejam esperanças mortas, oportunidades perdidas, ou expectativas em vão. A vida passa para todos, deixamos tantos momentos de lado, momentos que nunca mais voltam e que podiam se tornar mais uma lembrança de uma boa conversa com quem se gosta.


[...] Eu corria para longe. O tempo quase estava esgotado, e já não dava mais para voltar.

Quando abrimos os olhos muito rápidos durante o sono é sinal de que não estávamos em paz. Talvez seja isto o que as pessoas mais querem hoje, e é o que menos temos feito uns com os outros.
Existe uma sombra em meu coração, que ainda não sumiu com o amanhecer do dia. Em meus sonhos, sensações ruins do abandono. Na mente ainda uma inquietação, afinal ainda não sei se era eu que tinha sido abandonado, ou se era eu que estava abandonando.

As trevas moram no coração de cada homem e a discórdia é sua aliada. Basta uma pequena dúvida para causar uma sombra no coração inteiro. Não adianta ter toda a tecnologia nas mãos se não soubermos falar.
Tenho vontade de correr para longe como nos sonhos; olhar novos horizontes, ver novas chances. Mas ainda não sei se isto seria abandonar, ou procurar.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Respire devagar... E aproveite a brisa


Um ar quente bate em meu rosto enquanto penso. Não faz sentido falar das coisas do coração quando tantos outros mais já falam.
O mundo não precisa de mais gente cega pelo vermelho, e nem arrogante pelo cinza.
Sempre suspeitei das coisas, e pessoas, que em meu peito fala para não me importar. Hoje talvez me importe menos da metade do que queria, e sofro o dobro do que planejava.

As dores trazem consigo algumas reflexões, e o conhecimento de nossa própria história nunca provou ser tão importante. Nosso passado ajuda a construir nosso futuro, e muitas vezes só conseguimos colher aquilo que plantamos em nosso jardim.

Nossos valores podem mudar o curso de uma batalha, eu sei, e ficar agarrados neles pode ser uma feliz decisão.
Faz muito tempo que tento mudar as coisas, as pessoas, para enfim o mundo.
Hoje o que mais quero é  me sentar no canto, encher um copo com água gelada e descansar sob este céu laranja, aproveitando a tarde quente de mais um dia cheio de esperanças.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Negro Como: Solidão


Cá estou, novamente, sentindo o calor do vento.
Será que estive virado para o lado errado todo esse tempo?
Mesmo que hoje fosse o dia da família,
Como posso sorrir despreocupado,
Se cada pedaço do meu coração está em um lugar diferente?
Desenho círculos no chão, com um pedaço de tijolo,
E como cada tijolo vem acima do outro, como cada prego desaparece após uma martelada e como a chuva precisa cair no maior lugar possível, é assim que a vida precisa prosseguir.
Fila indiana,
Reforma ortográfica,
O clarão sem o som.
Enquanto uns escrevem, outros apagam. 
E eu continuo desenhando círculos no chão.
Esboçando corações. Lembranças. Desejos de uma vida que ainda está no futuro.


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Negro Como: Títulos


Então ela pediu, olhando-me com o canto dos olhos:
É este o teu namorado?
Respondi, intrometendo-me:
"Namorado" é um título. E o título não traz consigo o sentimento. O sentimento sim, traz o título, ou não, é facultativo.
Quando há respeito, há carinho, há afeto e cuidado, não precisa haver título, porque o sentimento já é forte e está presente por si só.
Porque alianças e títulos não perduram relacionamentos.

Então, se eu te amo, por que preciso ser alguma coisa teu, além de teu amor?


domingo, 23 de dezembro de 2012

Negro Como: Eu Amo Você


Amar é dizer sim,
Mas também dizer não.
Se um dia já amou, então é preciso respeitar, 
Saber dizer que já acabou.
Se eu soubesse o quanto dói amar, é óbvio que nunca sentiria isso,
Mas como posso fugir de um sentimento que faz a nossa vida girar,
Do mesmo jeito que os cometas giram em torno do Sol, iguais,
Até mesmo nas épocas em que tudo é mais brilhoso, em que o cometa se aproxima do astro rei..
Eu não posso ser tolo de pensar que ninguém vai entender estas palavras.
Todos as entendem. Uns somente não sabem como lidar com essa compreensão.
Amar vai muito além de querer o bem, querer ficar junto e querer dar e receber carinho.
Amar também é ser paciente, conseguir esperar pela hora certa,
Amar também é olhar no fundo dos olhos e resistir à tentação de roubar aquele beijo que acompanha suspiros.

Tome esta flor, ela representa o meu sentimento: Ela é viva e linda. Mas ela não vai durar pra sempre. Aí a diferença entre o sentimento e a rosa.


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Virar o Rosto para Não Ver


As fotos passam, um homem como um ator, presente em todas elas.
Os lugares, as companhias, as roupas.
É tudo isso que ela queria ver, era em todas essas fotos que ela queria estar, era ali, junto a ele, sorrindo, feliz e bem-sucedida que ela sonhava em estar.
E não aqui, do meu lado.

Eu prefiro virar o rosto. Eu não quero ver isto.


Guantánamo


Quem ama não espera que dê certo,
E quem bebe também não espera ficar bêbado.
Vamos lá, me dê mais um gole, eu só quero me embriagar,
Enquanto encaro a imagem de Jesus na parede, com um tanto quanto ironia...
Já que nessa casa nada entra além de violência, sexo, drogas, álcool.

Quem ama sempre espera que dê certo, já que entrega o pensamento, entrega o tempo, estraga o tempo, perde o tempo, entrega o coração e qualquer esperança. E depois que tudo acaba só encontra no vício a cura para suas dores.
E os vícios aqui não são somente os que mostram na TV, ninguém mata outrém por amor, já que é o próprio coração quem cai em uma cova.
Estas pessoas machucadas sentimentalmente agarram-se em outras, sugam suas energias, sugam suas ideias, seu tempo, estragam seu tempo, perdem o seu tempo.

Enquanto que pra mim nada disso faz sentido. Será que o meu coração é tão duro assim que não consigo derrubar mais que algumas lágrimas?
Já que o amor é tão diferente de um filme,
Pois em um filme o começo é chato e o fim, emocionante, vitorioso, relembrável. E o amor, o contrário.

Eu deito no escuro para enxergar melhor as estrelas, os movimentos delas, o brilho delas. Ou devo estar muito bêbado, mas até parece que elas se movem no céu, brincando comigo. Que ironia é essa, em que eu fico no escuro, afim de estudar a noite, mas tenho medo de ficar sozinho?

Desculpe-me Senhor Jesus, você de coração aberto nesta imagem, que traz consigo as palavras "Ame o próximo como a ti mesmo", mas não consigo compreendê-lo, eu não consigo entender, a vida parece um cubo mágico, onde a cada cor que acerto, dez cores eu erro..

E aqui mesmo as palavras saem tão facilmente, diferente do dia, em que elas patinam, insistindo em voltar para a minha garganta.
Não me abandone!
Não. Eu não queria dizer isso. Se for pra ser será.

Razão e emoção, nada disso existe, só existe mesmo aquilo que você deseja, aquilo que você quer e que dá um jeito de alimentar mais e mais vontade de realizá-lo, e então você toma a decisão.

Eu amo ouvir tantas músicas. Mas nunca encontrei uma que resumisse o que eu sinto. Nem mesmo se eu a escrevesse.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Longe

Toda vez que penso em alguém, chega até minha mente às mesmas pessoas.
Toda vez que elas aparecem, tento esquecê-las. 
Essa cisão não faz parte de mim...

Cantamos alto ao som da mesma música, não adianta compartilhar das mesmas motivações se não estivermos conectados. O mundo seria cinza demais sem aqueles que nos oferecem proteção.

Levanto minha cabeça, não se pode estar em tudo, ou em todos. Meu maior medo é de desistir das pessoas que eu ainda acredito.

Toda vez que me preocupo demais com os outros, chega a até minha mente uma sensação de vazio.
Toda vez que o vazio aparece, tento esquecê-lo.
Estou jogando a sujeira por debaixo do tapete, não é mesmo?... 

Queria poder entender o motivo de sermos assim. Onde estão nossos malditos ideais quando mais precisamos deles? Não adianta jogar a culpa em outrem pelo que somos.

Estendo a minha mão, mas não posso alcançar todos, ou alguém. Meu maior medo ainda é de desistir das pessoas que eu acredito.

Estou preso, e ainda preocupado com meu futuro. Precisamos escolher qual caminho andar, mas é difícil quando se está longe da estrada.
Olho para muitas direções, muitas delas me afastam de minha sanidade. Por quanto tempo me manterei humano estando sozinho?
Sempre foi assim. A união ainda é o melhor caminho, seja quem for.

Hoje penso um pouco sobre os outros, que sempre acham que não vou dar conta de minha própria realidade, e que estarei só por toda a vida. Mas, quem foi que disse que não ficarei bem?

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Até Parece uma História

 
Eu estaciono o carro em frente a casa dela, ainda planejando o que fazer,
Enquanto ela levanta da cama, passa uma escova nos dentes e uma blusa nos braços,
E nos encontramos na porta, olhos brilhantes, sorrisos que não se podem segurar,
Só para um abraço e um punhado de beijos,
Um "cuide-se" que ficou no ar.
Eu não sei, até parece uma história de amor.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O mesmo de sempre

Por quanto tempo estamos dispostos para esperar por alguém?
Às vezes meu silencio só demonstra minha pior fraqueza, meus piores pensamentos, minha maior inaptidão.

Não adianta ouvir, seja lá qual for o lado, se os ouvidos estiverem tapados. 

Toda vez que me lembro de meus sentimentos, aqui guardados por demais, penso o quão frio às vezes me mostro, e o quão frio os outros também são.
Buscamos por sinais, ou pelo menos uma pequena amostra, alguma manifestação afetiva daqueles que não demonstram da maneira mais comum. Como eles conseguem e ainda ficarem bem? Eles estão realmente satisfeitos? Não adianta em nada ter muitas perguntas e poucas respostas...

Sabe aquela sensação de que as coisas estão fugindo de você? Elas correm, mas eu também ando na direção oposta. Lidar com os outros é uma das coisas mais difíceis do mundo!

Eu me preocupo apenas com meia centena de pessoas, e elas já são o bastante para preencher meu universo inteiro; Machucando minha existência, afunilando minhas relações. 
Não adianta lutar por quem não luta por você, da mesma forma que não adianta insistir numa batalha já perdida. Aceitar a derrota é o primeiro passo para os vitoriosos

Ah, mas é claro... isto também já é clichê demais para minha mente altamente racional.
A inteligência trás consigo também a arrogância. 

domingo, 9 de dezembro de 2012

Ame-me, Lembre-se: Me Tire Daqui


Leve-me para o mar, onde eu possa esquecer o que eu deixei pra trás,
Onde as minhas escolhas não façam haver tempestades,
E onde o meu grito de liberdade não seja mais alto que uma prece em quatro paredes.

Antes enfrentar um mar tempestuoso a um coração partido.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Lição das Trevas: Epitáfio

"As nuvens engoliram tudo.
Esse é o horror que a vida carrega? É estranho demais pensar que uma ora estamos aqui, e depois não estaremos mais. Qual é mesmo o sentido da vida? Viver é lutar contra a morte... lutar o tempo todo."

Abri os olhos com receio do que podia ver. Estávamos cobertos pela terra marrom. Não havia sinal de mais nada além do grande vazio que sucumbia todo o nosso redor. Fazia silencio lá fora, e dentro de mim o frio que cobria meu coração durante todo este tempo parecia se acalmar.
Ele está por perto, seus olhos já estavam abertos quando percebi sua presença, via os dois claramente pela primeira vez. Congelei por um instante, receoso em não saber o que fazer, olhei para o alto, já estava amanhecendo novamente. O que ele fará agora?
Jamais pensei que este dia chegaria. Uma estranha sensação passou pelo meu corpo, uma espécie de calafrio. Não era bom, mas também não parecia ruim. Ele respirava com dificuldades e algo nele estava  se esvaecendo. Meu coração se abafava novamente.

- Então quer dizer que um final existe? - perguntei, mas Ele não respondera.

Sentava lentamente ao seu lado. Seu corpo tinha parado de emitir aquela aura agressiva que me distanciava dele. Estava vulnerável como todos nós.

- Escuto o som dos sinos tocarem o balançar de uma despedida. - disse Ele com a  voz tremula - Consegue ouvir também? Os violinos já tocam  harmoniosamente, se despedindo do Piano Negro.

Não conseguir evitar, as lágrimas desciam mais uma vez. Estavam secas, mas molhadas o bastante pata limpar a sujeira de meu rosto. Por que choro tanto?

- Desde o inicio é o que tu tens mais feito.
- Sou mesmo tão inútil. No fim das contas por que não consigo celebrar minha própria vitória?
- Talvez uma vitória plena não exista.
- Quem sabe... nada disto nunca existiu.

Ouvia Ele pela primeira vez com atenção. As dores que sentiam não eram mais fortes que minha vontade de tocar em sua mão uma única vez. O coral do fundo também cantava ao som de um momento final. As coisas se despediam aos poucos. Consegue ver o céu chorar? Tudo aqui parecia se despedir.
Uma gota. Apenas uma gota foi o que desceu de seu olho azul direito. Fixava toda a minha atenção em sua expressão vaga e sem brilho. Quando sua lágrima molhou a areia do chão pude ter certeza que ela era real. Qual é o motivo, dor?

- Lutamos sempre pelo que vale a pena. Caso contrario nem chegaríamos a tentar. Toda história tem um fim, toda guerra também. O que difere é o que fizemos durante todo o percurso. - disse Ele.
- Eu lutei por muitas pessoas e coisas que não valeu a pena lutar.
- Não adianta se culpar mais uma vez, as pessoas que deixamos de lado não voltam para nós. E se voltarem, já não são as mesmas de antes.

O tempo passava devagar. O som de um piano triste tocava nos meus ouvidos. Eu sabia que estava no fim, mas algo em mim queria voltar para trás, queria fazer diferente. O que está acontecendo?

- Uma vez me perguntastes se estava satisfeito com o que me tornei. A resposta é não. Sempre tento ser alguém melhor, mas as coisas tendem a dar errado, como deu no fim. Eu não tenho mais escolhas, eu não tenho mais quem ser!
- Angustiado pelo próprio caminho que escolhestes? Persistir no erro já é uma escolha, sinta-se feliz com ela. Ser o Arauto da luz nunca foi uma missão fácil.
- E nem sempre ela é o mais certo, não é mesmo? Vivemos tão cegamente um ideal que às vezes esquecemos-nos dos idéias dos outros e iniciamos todas as calamidades do mundo. Por que é tão difícil viver em harmonia, afinal?
- Com a morte, aprendemos a viver. Apenas quando deparamos com o fim, o destino de todas as coisas, é que percebemos o quão breve somos para ficar  perdendo tempo com nossas arrogâncias.
- É esta a importância da fraternidade, então? Manter unidos mesmo sabendo de nossas falhas, mesmo sabendo de nossa condição. Individualismo nunca nós levará em nada. Mas conviver com os outros é sempre tão difícil. Existe sempre um outro alguém que nos quer mal, que quer nos prejudicar. O que fazer com eles?

Ele respirava com dificuldades. Seu tempo estava se esgotando. O coral cantava mais forte, o final é eminente.

- Se você continuar julgando-os assim antes de conhecê-los, jamais abrirá espaço para o dialogo. Muitas vezes somos nós próprios os causadores de nossos males, e não alguém de fora. Conviver com nossos medos, nossas perdas, nossos sofrimentos é muito mais complexo do que lidar com os outros. É como um oásis: belo, mas perigoso.

Ele fechou os olhos por um instante. Lágrimas saiam de suas pálpebras fechadas. Desta vez elas saiam de dor. Quando voltara a abrir os olhos algo não parecia normal. Ele estava cada vez mais sem vida.

- Não! Por favor, me ajude, não quero me despedir de você também! Nossa história já tem perdas demais, me ajude a me tornar mais humano, não me deixe sozinho nesta terra utópica e desgraçada. Por favor...
- Este é apenas um fim. O final de um ciclo que se fechou. Outros mais irão se abrir. Não se entregue junto de mim, fique aqui para provar que eu existir.
- Mas você sempre esteve comigo, sempre me pós para cima! O que farei agora nesta terra desolada, sem ninguém? O que o devo fazer?
- O que fazer para se levantar na escuridão? Não adianta mais me perguntar, você sabe a resposta. - disse Ele numa voz fraca jamais vista por mim - Celebre com a Luz! Parece que finalmente estou indo embora, eu já não tenho mais uma lição para você.

O piano tocava lentamente. Quase não se escutava o barulho de nada ao redor. O que fazer para levantar na escuridão? Foi tão obvio como se já estivesse calejado de saber. Em movimentos leves levantei meu corpo quebrado. Estava de pé quando surgiu a primeira alvorada do novo dia. É como nascer de novo. O coral triste que parecia acabar voltava mais forte, como uma orquestra que tem altos e baixos, pausas e picos. Olhei para baixo sem acreditar que meus pés estavam de pé. Via-o Ele sorrindo satisfatoriamente para mim. Então era apenas isto que ele queria? Manter-me firme...

- Vou continuar porque sou humano. - disse sem medo de errar - E isto implica em ser forte e perseverante. Mas também sou fraco, admito. As vezes que perdi superam em números minhas vitórias. Minha força então vem delas? Das derrotas?

Não havia sinais das nuvens negras no horizonte. Aliais, não há sinal de nada, pessoas ou natureza. A guerra em seu final nos mostra toda a nossa selvageria incondicional. Somos capazes de aniquilar todos nós se não soubermos usar nosso conhecimento.

- A humanidade acaba quando seus significados desaparecem. O que ainda te liga a este mundo? - disse Ele, tinha virado a cabeça em minha direção.
- Eu não sei, mas vou me manter de pé até chegar meu momento de partir - secava os olhos. Observava o sol nascer gloriosamente em nossa terra. Aos poucos os pássaros voltavam a dominar os céus varrendo a tristeza, construindo novos ninhos mais uma vez. - O que você quer que eu escreva em sua lápide?

Ele sorriu. Olhou para o céu enquanto desabotoava suas grossas roupas. Era como se quisesse tirar o peso de se seu corpo para enfim ir em paz. Suspirou profundamente e fechara os olhos para sempre.

As nuvens engoliram tudo, eu sei, mas não é fim. Esse é o horror que a vida carrega? É estranho demais pensar que uma ora estamos aqui, e depois não estaremos mais. Qual é mesmo o sentido da vida? Viver é lutar contra a morte... lutar o tempo todo. Você me ensinou a lutar. Obrigado por tudo, amigo das Trevas. Descanse em paz.


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Negro Como: Seus Olhos


Quem é real, 
E quem só pretende ser?

Enquanto as crianças imaginam,
os adultos choram.
E quem são mais felizes?

Tem uma parte de mim que não gosta de nada.
E o Nada continua o mesmo,
E mesmo assim eu ainda ouço as mesmas vozes.
E quanto mais terra eu retiro do buraco, 
Mais me sinto sufocado.

E, contra todas as chances,
Quanto mais tarde da noite ficava, mais aquele par de olhos negros me faziam sentido.