Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

domingo, 11 de novembro de 2012

Vermelho e Negro Como: Amar


Abri os olhos e percebi que estava sozinho.
Por quanto tempo caminhei só? Eu nem sabia onde estava, muito menos de onde tinha vindo. Mas sabia que ela estava comigo. Pra onde ela foi?
A paisagem a minha volta era fantástica. O campo era tão bem cuidado, como se artificialmente. E as árvores, cheias de cores estonteantes, somadas ao pôr-do-sol que dava um brilho alaranjado fascinante em cada folha.
Por um momento fiquei deslumbrado com o banho de cores e sons.
Mas então, como um turbilhão, as lembranças voltaram. Tempos bons, cabelos ao vento, aquele olhar doce e infantilmente inocente voltado pra mim. Cada toque era algo novo, como se nunca em minha vida houvesse tocado outras mãos ou outros lábios.
O sol já havia desaparecido, e a noite trouxe consigo tons negros para a paisagem. Há muito eu já tinha voltado a andar, por mais que fosse sem direção. Lembro de ter olhado para trás, mas um sentimento muito forte dentro de mim fez com que eu seguisse em frente. 
As mesmas florestas que antes me fascinavam agora estavam cheias de olhos, olhos grandes e brancos, outros vermelhos. Os pássaros que antes voavam graciosamente entre os galhos, agora mordiam-se uns aos outros, criando vertentes de sangue em suas penas. Eles seguiam minha silhueta no escuro da noite conforme eu passava. Eu sabia que estava sendo observado e temia que pudesse ser atacado a cada momento.
E a cada momento eu clamava mais e mais aquela desconhecida. Eu sabia, eu recordava que com minha mão junto a dela eu poderia passar por perigos maiores, por desafios maiores.
Mas então eu percebi. Aquele ambiente era minha vida. Com ela, eu via tudo da sua melhor forma possível. As coisas eram mais fáceis, as pessoas era mais belas e confiáveis. Eu sabia que algo havia acontecido para ela se perder de mim. E isso me fez fechar os olhos para todo o resto, fosse por tristeza, arrependimento, eu não sei.
Quando me senti realmente preparado para encarar o mundo ao meu redor novamente, eu percebi como ele é de verdade. As pessoas prontas para atacar a qualquer momento. A falta de confiança, a falta de beleza na rotina do dia-a-dia. Então eu percebi que amar de verdade é dar-se as mãos, sublimar tudo que não é importante, ajudar um ao outro a passar pelos desafios. É dar duas felicidades a cada tristeza.


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