Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O que Sou Eu?



Será que vou conseguir escrever essa história?
As minhas mãos tremem, o papel parece se dobrar contra o meu lápis e as minhas pálpebras carregam tijolos.
O que fazer quando o exército todo rende-se?
Não interessam as cores, nem os cheiros e nem as imagens, mas sim os sentimentos.
E os exércitos de mim mesmo, que jogam agora suas armas ao chão, 
Os lenços, os lápis, os papéis, as histórias e as mãos, estas ao céu, nada disso interessa.
O ato de fazê-lo não importa, mas sim o motivo.

Da boca pra fora, tudo, além de perfeito, funciona e é pra sempre.
As minhas pálpebras tremem com tantas lágrimas, dando a sensação que o lápis dobra-se contra o papel, que apesar de tanto choro mantém-se seco, como se quisesse que eu terminasse de escrever essa história.
Sou eu, contra um exército inteiro.
Mas eu os vejo bater em retirada, e, pobre de mim, ao invés de olhar para trás e ver o que os assustou, fico feliz pensando que sou eu o motivo de tanto medo.

O que sou eu?

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Pra Não Tocá-la, Melhor Nem Vê-la


Como se fosse possível não perceber quando ela passa.
Fico escalando o muro imaginário em minha frente,
Eu preciso ver além dele.

E se soubéssemos o que aconteceria, lutaríamos pelos nossos sonhos?
Ou então saberíamos com precisão a escolha certa a tomar.

O suor que escorre pelo meu rosto
E a cachoeira que abastece o teu carro.
E que os nós da nossa vida possam desfazer-se nesse novo dia, ou então pelo menos possamos esquecê-los..
São sempre as mesmas discórdias,
Um não infantil para a salada no prato
Um não adulto para um amor verdadeiro.
Porque os problemas não mudam de intensidade, só de rótulo.
Eu sei que vivo na pressão da escolha, da decisão,
Como se eu pudesse trocar a música que está tocando no rádio,
Como se eu pudesse escalar o muro que me separa do mundo e poder trocar o branco ofuscante do dia pelo negro da noite.

Como se um dia, pelo menos um dia na minha vida, eu pudesse tentar esquecer o futuro e olhasse para o passado, pois ali estão os fatos irremediáveis, os erros que não posso repetir, os acertos que devo me basear, as canções que me fizeram chorar e as que me deixaram pronto para uma nova luta. 

Não tenha medo do meu mundo meu amor, porque nele as dúvidas tornam-se sentimentos fortes como um tornado, mas lindos como o olho do furacão visto do espaço.


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Não me aperte, não me deseje: me deixe ver



Hoje é um dia  novo. Velho, mas novo dia.
Vejo novos olhares, novos formas, mas um mesmo amor.
Quando deparamos com estes pensamentos será que estamos apaixonados?
Ou será que é só mais uma fase, prestes a iniciar, e já com data marcada para terminar?

Ei, não me aperte, preciso de ar para respirar.
Se o abraço é muito forte não consigo te ver.
Mas não se preocupe, te agradeço no final; o que se manda para o universo sempre volta para nós.

Sabe o que mais gosto nas pessoas? Os olhos.... a forma que o olho delas veem o mundo. 


Duas Emoções, Mil Caminhos


Estamos em uma sala totalmente branca, como se num tabuleiro de xadrez.
Ele está ali, no meio da sala, parado, olhando para baixo, pensativo.
E eu, um pouco amedrontado, estou aqui escondido, analisando-o.
Eu o conheço há anos. Eu sei tudo sobre a vida dele, e ele nunca precisou proferir uma palavra para que eu o entendesse. Mas são os últimos acontecimentos que o tem deixado atônito. Eu sequer consigo ler os seus pensamentos, como se ele tivesse construído uma parede em volta dos seus sentimentos, para que ninguém mais visse, ou julgasse, ou interferisse.
Eu o conheço muito bem. Ele sempre foi sentimental, ao extremo. As suas escolhas sempre foram as da emoção em primeiro plano, pois, como costumava gabar-se: "Eu ouço o meu coração."
Porém hoje esta frase está o matando. Não existem mais dois caminhos distintos á sua frente; Mas sim, milhões de combinações diferentes, pois agora ele não enxerga somente o que está imediatamente de cara para si; Agora ele enxerga além-mar, agora ele calcula quocientes de felicidade, de tristeza, de sorte. Agora existem duas essências em cada mão: Emoção e Emoção. 
Eu tento chegar mais perto dele, mas ele tenta me reprimir. Ele me olha, primeiro com um olhar ameaçador, depois com um olhar suplicante. O que está se passando dentro dele?

No meio da sala há um lustre, e, conforme eu me movimento, as sombras que projeto quase parecem-se com um cavalo.
Desculpe-me se eu não posso te ajudar.


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Negro Como: Dúvidas


Sabe, todas as noites eu deito imaginando que o amanhã vai ser melhor,
Procurando aquela sensação de alívio que sinto quando estou no meio de um pesadelo e acordo, e então percebo que nada existiu. 
Eu que achei que isso nunca aconteceria comigo, que cresci em meio a muitas facilidades, perdi a minha virgindade no momento em que coloquei os pés fora de casa. 
Aí então conheci os amigos, os inimigos, os pseudo-amigos. 

Espere eu respirar fundo..

E nem vou ficar me gabando, eu ainda não entendi o mundo nem sequer pela metade. E eu nem senti a amargura total da vida, sequer pela metade.
Mas eu entendi uma frase que ouvi há tempos:
" Se quiser derrubar um guerreiro, primeiro ataque seu coração. "

Todo mundo precisa de um momento só. Uns mais que os outros.
Me deixe sentir o ar puro das árvores...

Estou sozinho em um campo. Eu procuro o cavalo branco, eu admiro sua imponência pelo brilho do sol nele. Mas ele me dá as costas, e nisso aparece um outro cavalo, negro. Este sim me olha no fundo dos olhos, demonstrando desconfiança, raiva. Por duas vezes ele faz menção de não me querer ali perto. Eu continuo em contato visual, porém um pouco mais distante, amedrontado ainda pela ameaça. Eu preciso alcançar um objetivo, mas entre nós está o grande cavalo negro. O que fazer?

Lute.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

P.S: Ou raciocinar com as duas?

Às vezes acho que somos sensatos por de menos.
Deixamos nos levar sempre pela racionalidade das coisas e esquecemos um pouco de nossas emoções.
Nossos sentimentos sempre são inferiores ao nosso cérebro.

Ei, você é humano como Eu? Pergunto porque não parece. Sua apatia não me deixa chegar mais perto para ter certeza. 
Certezas...Ah, mas é claro! Isto também é característica de nós, humanos. Precisamos estar certos o tempo todo. Você também está cheio de tudo isto?

Aí vem aquela mesma ideia que estamos cansados de ouvir por aí...

Abandone as emoções! Eles obscurecem as verdades, elas enganam o homem, ela te impede de pensar!

Bobagem? Talvez.
De certo modo uma é mais primitiva que a outra, mas e daí? Até que ponto abandonar o homem das cavernas para virar o homem da tecnologia é a melhor solução? Se realmente soubéssemos ser racionais as coisas não estariam como estão agora. Muitas vezes não podemos mostrar o que sentimos por conta de um ideal. Isto que turva a mente, isto que nos impedem de crescer! Existe algo de muito pobre do ar...

Queria ver as coisas diferentes, ao menos uma vez. Caminhamos por uma via tão confusa que já não sei se ainda continuo humano. Para falar a verdade, já não sei mais qual é seu verdadeiro conceito.
Consegue ver? Ainda continuo buscando a mesma razão, mesmo quando eu digo que podemos conhecer bastante com nossas emoções. Isto parece uma maldição...
No fim das contas parece que nossos juízos estão todos alterados, ou no mínimo não condizem mais com nossa realidade. Tem algo de muito podre no ar, e não é apenas uma fruta madura demais.

Sonhei com as coisas fugindo de mim, como se não quisessem mais ficar aqui. Não podemos ficar na imparcialidade o tempo todo e então decidir parar e refletir: O que é melhor, pular na piscina fria das emoções ou se cobrir sobre o véu apático das certezas?


sábado, 17 de novembro de 2012

I Love U: Apagar as Dores


Quando é o coração que dói, não há muito o que se fazer.

Que perfume é esse no ar desde que cheguei? Você esteve por aqui?
Meu peito dói, como eu queria que aquele olhar fosse meu.

A maior dúvida não é o quanto eu poderia te fazer feliz, pois seria muito,
Mas é o quanto você me faria feliz?
A minha cabeça dói, e como eu queria que aquele abraço fosse meu.

Se tem uma coisa que eu aprendi em todos esses anos é que podemos passar por cima de muitos problemas, exceto os da emoção. Estes, só o tempo traz a cura.
O meu corpo todo dói, e como eu queria que aquele "amo você" fosse meu um dia.

Mas o tempo vai passar, aliás, já passou. E o melhor que eu vou poder fazer é aconselhar as próximas gerações, se é que elas terão interesse em aprender tais coisas. Se é que essas coisas vão fazer sentido daqui a tantos anos...


Scutum



Eu ainda me pergunto...




... O que tanto me incomoda?
Certo dia deparei com um lado de mim mesmo que desconhecia. Isso acontece com você também? 
Às vezes vivemos um sonho de imagens reais; E às vezes não queremos acordar.

Preso em mim mesmo eu sigo em frente, na inocência de achar que não existem chaves para abrir esta prisão.
Não existe diferença entre o prisioneiro e o carcereiro. O escudo que carrego não me deixa ver o futuro, no qual vou me deparar um dia.

Por que não existe uma solução?
Por que não existe quem me entenda?
Por que não existe nada além de mim?

Só colhe pêssegos quem plantou um dia a semente do mesmo fruto.

Somos responsáveis por nós mesmos, é claro.
E estamos todos conectados com nossa própria história.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Negro Como: Seus Cabelos



Você pode me proibir de te ver,
Pode me proibir de conversar com você,
Mas você nunca vai conseguir me proibir de te amar.

E isso eu já faço.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Lição da Luz: O Valor de Alguém


Escrevemos tanto sobre o amor que nos esquecemos da maior virtude dele.
Escrevemos sobre andar de mãos dadas, sobre enaltecer o par,
Mas as vezes nos esquecemos de nossas bases, aquelas outras pessoas que andam perto de nós.
Por mais que algumas delas deixem nossos caminhos por vontade própria, por mais que outras tenham que sair, elas são inesquecíveis, cada uma de seu modo.
O ser humano necessita dos amigos. E cada um, filosoficamente falando, agrega mais valor e conhecimento para nossas vidas.
Um amigo pode ser engraçado, pode ser irritante,
Um amigo pode ser sábio, prudente,
Pode ser amigo.
O que mede o valor de uma pessoa é a falta que ela vai fazer nas nossas vidas.
E o que importa não é se essa pessoa te deixou triste, feliz, magoado ou bravo. O que importa é a lição que ela te fez aprender.


Como Seria?



Nós vivemos em um mundo de escolhas,
Onde cada uma dita cada sofrimento, cada felicidade, cada sorte.
Como seria aquele beijo? Como seria aquela cidade?
Deus sabe que eu deixo a cabeça embaixo do chuveiro minutos a fio pedindo para que tantas dúvidas escorram ralo abaixo,
Mas eu continuo sabendo que não é como a vida é,
Mas como ela seria.

Pseudo Paz

E a guerra se declara mais uma vez.
Ultimamente não se pode dormir em paz, existe sempre algo que não sai de nossa cabeça, querendo nos enlouquecer, uma agonia fantasma que só existe em nosso cérebro robotizado.
Quanto mais você significa algo, mas sentido ele fará.

O que te afeta?

As coisas parecem estar erradas, mas é um errado pertinente, um errado certo, um errado que parece fundar todas as outras formas de organizar o pensamento. Consegue entender? Um errado certo...

As pessoas acham que falta amor na vida delas, outras acham já tem demais. Aquelas ali acham que precisam de Deus (ou de deus) enquanto outras irão viver negando a existência dele. Também temos os cientistas! Ah, estes se acham os detentores da razão, pobres coitados parecem que não percebem que acabaram de fundar outra religião.
E o mundo parece estar girando assim. Se você nasce, é só mais um. Se você morre, também foi só mais um. E o sentido das coisas parece se esvaecer.

O que é mesmo que te afeta?

Essa inquietação é descomunal. Não sabemos o que pode acontecer, mas sempre desejamos o melhor. O melhor... melhor para quem mesmo? Este mundo pseudo contemporâneo parece sempre ditar as regras. Estamos tão modernos quanto antigamente.
Nada parece certo, um errado irritante, mas com poucas chances de mudar.

Estou decepcionado, e às vezes acho que o que sinto já está se organizando em pensamento...


domingo, 11 de novembro de 2012

Turbilhão de Sensações


Espero que esse turbilhão de sentimentos, de sensações, de dúvidas e de ideias nunca deixe a minha cabeça, pois é assim que eu gosto de ser, de pegar um papel e não me decepcionar.

Já que existem tantas outras coisas para entristecer...

Vermelho e Negro Como: Amar


Abri os olhos e percebi que estava sozinho.
Por quanto tempo caminhei só? Eu nem sabia onde estava, muito menos de onde tinha vindo. Mas sabia que ela estava comigo. Pra onde ela foi?
A paisagem a minha volta era fantástica. O campo era tão bem cuidado, como se artificialmente. E as árvores, cheias de cores estonteantes, somadas ao pôr-do-sol que dava um brilho alaranjado fascinante em cada folha.
Por um momento fiquei deslumbrado com o banho de cores e sons.
Mas então, como um turbilhão, as lembranças voltaram. Tempos bons, cabelos ao vento, aquele olhar doce e infantilmente inocente voltado pra mim. Cada toque era algo novo, como se nunca em minha vida houvesse tocado outras mãos ou outros lábios.
O sol já havia desaparecido, e a noite trouxe consigo tons negros para a paisagem. Há muito eu já tinha voltado a andar, por mais que fosse sem direção. Lembro de ter olhado para trás, mas um sentimento muito forte dentro de mim fez com que eu seguisse em frente. 
As mesmas florestas que antes me fascinavam agora estavam cheias de olhos, olhos grandes e brancos, outros vermelhos. Os pássaros que antes voavam graciosamente entre os galhos, agora mordiam-se uns aos outros, criando vertentes de sangue em suas penas. Eles seguiam minha silhueta no escuro da noite conforme eu passava. Eu sabia que estava sendo observado e temia que pudesse ser atacado a cada momento.
E a cada momento eu clamava mais e mais aquela desconhecida. Eu sabia, eu recordava que com minha mão junto a dela eu poderia passar por perigos maiores, por desafios maiores.
Mas então eu percebi. Aquele ambiente era minha vida. Com ela, eu via tudo da sua melhor forma possível. As coisas eram mais fáceis, as pessoas era mais belas e confiáveis. Eu sabia que algo havia acontecido para ela se perder de mim. E isso me fez fechar os olhos para todo o resto, fosse por tristeza, arrependimento, eu não sei.
Quando me senti realmente preparado para encarar o mundo ao meu redor novamente, eu percebi como ele é de verdade. As pessoas prontas para atacar a qualquer momento. A falta de confiança, a falta de beleza na rotina do dia-a-dia. Então eu percebi que amar de verdade é dar-se as mãos, sublimar tudo que não é importante, ajudar um ao outro a passar pelos desafios. É dar duas felicidades a cada tristeza.


Negro Como: A Prisão



Ela andava em círculos, com as mãos delicadamente pousadas sobre a cintura.
Sua cabeça estava abaixada e seus olhos semifechados, mas ela conhecia muito bem o ambiente: Era o seu quarto, o seu porto seguro. Em cima da cama, além dos lençóis desarrumados como de costume, estavam as cartas de um certo alguém. De onde ela estava não era possível distinguir as palavras, mas sim o coração estampado em quase todas elas.
Mais uma lágrima escorreu pelo seu rosto.
Ela então parou, olhou pra cima e gritou: "Por que isso está acontecendo?"
Seus punhos se fecharam, e com tanta força que suas pernas vacilaram e ela caiu de joelhos.
Ela ainda estava sem entender o fim. Talvez as pessoas, por mais iguais que pareçam ser, sejam tão diferentes quanto o fogo é da água. Ela era o tipo de pessoa que precisava tocar as feridas, precisava fazê-las sangrar e sangrar até curarem-se. Mas ele não aceitava isso.
Por que ela não queimava aquelas cartas naquele mesmo momento? A pessoa que havia escrito as palavras tão simbólicas naqueles papéis era a mesma que criava as feridas nela e que não aceitava as consequências disso.
Uma a uma ela rasgou. As primeiras na escuridão, devido ao banho de lágrimas que seus olhos tomavam. Depois com um sorriso livre e leve que começava a percorrer ela. 
Na última carta, a mais velha, a primeira, ela parou para ler. Tudo era tão bonito, tão novo, tão admirável. Tão perfeito quanto um final feliz de um filme romântico. Mas o que estava escrito ali, senão mentiras, falsas promessas, correntes que a haviam enclausurado por tempo demais?
Como as outras ela a rasgou. E no último pedaço ela encontrou um coração, o coração padrão de todas as outras cartas. Mas nesse pedaço de papel ela não encontrou nenhuma palavra, somente o símbolo. 
De uma vida nova, de novos dias, de novos amores e de novas decepções. Ou felicidades, como sua esperança dizia, como o sorriso de uma nova aurora que ela levava consigo dali em diante.

sábado, 10 de novembro de 2012

Negro Como: Pérolas


Se algum dia,
Eu pudesse te abraçar,
Nós pudéssemos ficar a sós 
E ninguém pudesse se importar com isso.

E se eu te beijasse, como seria? Teríamos o mundo todo somente para nós?
Queria que houvesse mais campos de girassóis por aí para atravessarmos ele de mãos dadas.

Mas para onde esses girassóis virariam, se o meu ( e o nosso ) sol foi embora? Como eu, eles ficam de cabeça baixa, enquanto a chuva escorre pelas linhas do meu rosto.
Se algum dia ele te machucar, posso aquecer o teu coração com um abraço?
Posso ficar a sós contigo, e, com isso, fugir dos olhares alheios que caem sobre mim como bigornas em cartoons?
Minha querida, não faria diferença nenhuma o que aconteceu antes, a minha vida seria o daqui em diante, o futuro, o céu.
Que custa em mostrar suas nuvens negras para mim.
Mas não, eu não tenciono passar por cima delas como muitas vezes já fiz,
Não que eu não tenha vontade, pois o caminho mais fácil é sempre o mais sedutor ao ser humano, 
Eu quero enfrentá-las, minha querida, junto com você.

Pegue esta rosa, ela é vermelha como o sangue que corre em meu corpo, guarde-a com carinho.
Com tanto carinho quanto eu guardo a imagem dos teus olhos negros, como pérolas, em meus sonhos.


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Vermelho Como: Céu


Não sei o que as pessoas querem, se é um pouco de atenção,
Um pouco de paixão,
Ou compreensão.
Como vai o seu mundo?
Quais são as coisas que se passam atrás desse vermelho?
Já parou pra pensar que você não é o centro do universo para eu ficar louco por você?
Por mais que eu fique..
Já olhou para o céu hoje e percebeu quais são as estrelas mais bonitas? Por mais que elas sejam todas iguais, o que as tornam especiais, únicas? São as definições que damos para elas. A nossa estrela, as estrelas que formam um rosto, uma caixa, um caminho para seguir, deixar o que passou para trás, deixar o impossível e o improvável de lado e abraçar um futuro brilhante, um céu de brigadeiro.
O mesmo acontece com as pessoas. Vistas de cima, todas são iguais, exceto detalhes físicos. Então o que é que as torna diferenciadas, apaixonantes, admiráveis?
Aliás, já parou para pensar no valor que você dá para cada pessoa? Supervalorizamos amizades, amores, fatos.
Eu não sei do que as pessoas precisam, é tudo tão sublimado hoje em dia. O que ainda não complicaram é que precisamos respirar.
Atenção, paixão, compreensão, Amor. 
Não precisa me entender, nem compartilhar fatos semelhantes de sua vida. Não precisa me dar atenção, somente me veja quando eu estiver em sua frente. Não precisa se apaixonar por mim, mas faça amor comigo como se fosse a última vez.
E por fim, não precisa me amar. Ame as estrelas e atribua uma a minha imagem, para que sempre que você se perca em lembranças ao procurá-la lá em cima, lembre-se de quando tirei teus olhos do céu e fiz com que se fechassem diante de um beijo tão ardente, tão atencioso, apaixonante, compreensivo e amante.


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Não me aperte, não me deseje: Me deixe sarar

É como se o tempo sanasse as dores.
Os olhos quando estão fechados veem melhor quando estão abertos.

Me cure, me ajude, me liberte, me afague , me abrace, me beije.

O sonho acabou.
 O tempo presente é o mesmo de ontem? Claro que não.
Não existe cicatriz que cure com o auxilio do tempo. A fruta verde sempre amadurece antes do fim da estação.
As pessoas mudam sem perceber, e ...

...as feridas sempre saram.


domingo, 4 de novembro de 2012

Lição das Trevas: Um fim

         Já era o momento de acordar. Minha cabeça rodopiava como um carrossel escuro e abandonado, prestes a ser demolido de um parque fantasma. Se havia algo que queria fazer agora era chorar para ver se as dores saíssem junto das lágrimas.

- Chorar mais uma vez? Isto realmente muda alguma coisa? - disse Ele decepcionado com minhas atitudes repetitivas.
- O que me resta fazer então, agora que tudo caiu? Estão todos mortos, tudo morto. A vida se ausenta mesmo quando eu insisto em chama-la de volta. Uma guerra nunca pode ter outro fim a não ser a destruição plena das coisas. Onde está a luz que tanto falam que carregamos no interior de nós? Neste mundo não existe mais nada que possa ser salvo...

         Ele não sabia me responder. Eu sentia isto! Encarava-me com o olho fixo, circulando em volta de meu corpo debilitado. A marca da devastação estava tatuada no corpo dele tanto quanto estava marcada no meu. No que vale a pena sofrer tanto? Lutamos por amor, igualdade, paz, justiça e o que mais? A humanidade está apodrecendo, e nenhuma gota de sangue parece valer a pena a ser derramada por estes homens escrupulosos e onipotentes, que cheiram a desobediência e orgulho. Talvez o mundo fosse  melhor sem eles, sem nós.

- Talvez? Agora está em duvida no que lutar? Você que tinha tantas certezas...
- Eu já disse. Lutamos por que planejamos um futuro. Que futuro tem estas terras negras? Que futuro terá se a única coisa que resta somos nós?
- Um fim chega para todos de qualquer forma. O que importa é como você lutou até o momento final.
- Eu queria... - comecei. As lágrimas voltavam a pingar, limpando o sangue coagulado do rosto - ao menos fazer algo que valesse a pena. Foi tudo em vão, tudo cairá no esquecimento. Este é o fim.
- A única forma de ser lembrado é estando ausente. Um herói apenas se torna Herói quando morre.

         Perguntava-me se ele tinha mesmo a razão, mas já era tarde demais para questiona-lo, as nuvens negras já estavam prestes a nos engolir. O que importa então é ser lembrado pelo que se tentou fazer?
        A escuridão vinha do horizonte como o poente de toda a luz. As nuvens negras estavam cada vez mais perto, eu nunca pensei que um dia elas chegariam. Ele as observa da colina, olhava com atenção como elas caminhavam engolindo todas as coisas. Logo em seguida Ele olhava para mim com preocupação, uma expressão de pena nos lábios, mas sem transparecer sua apatia. Centenas de pássaros voavam contra toda a morte, inutilmente, ainda procurando algum lugar seguro. Ele sabia que ao menos nisto, nada se podia fazer.

- Admita que Esse Mundo talvez não nos pertença. Nossa própria realidade sempre é diferente da que imaginamos. Você fala dos homens e de toda uma existência corrompida, mas de perto somos todos, apenas,... os mesmos humanos.
- Nada se pode fazer então?

         Ele não respondeu. Deu as costas para a escuridão que vinha em nossa direção. Os ventos soavam fortes demais e seus passos lentos mostravam pouca preocupação com o que estava por vir. Passou por mim esbarrando seus ombros nos meus como se quisesse me apontar para alguma direção, as mesmas que os pássaros fugiam por sobrevivência, as mesmas que Ele também seguia. Ele queria correr também, mas seu orgulho parecia não deixar... Por quê?

- Então, este é o meu fim? - perguntei, e ele parou de andar.
- Sim, é o inicio dele. Mas não é apenas para você; um fim é para todos nós.
          Então o Dia se esvaecia mais uma vez como um ciclo, que sempre insiste em continuar na alvorada seguinte. As nuvens negras alcançavam-nos finalmente, cobrindo o restante das coisas com agressividade e fome de destruição. Tudo parecia ir para os ares, e não havia mais nada ali que eu pudesse ver além do olho Dele olhando para mim.




sábado, 3 de novembro de 2012

Vermelho Como: Água


Já cansado de andar, ele parou, de frente para o horizonte, o sol nascendo lá no fundo.
Atirava conchas, algumas com certa raiva, conforme as imagens passavam pela sua mente.
Uma briga, uma promessa, uma porta fechada.
Que culpa tinha ele, se o amor era como o mar, em que tudo que ele atirava voltava para ele?
Ele estava entrando mar adentro, ainda inebriado pelos pensamentos, pelas palavras ditas em vozes alteradas. Seu punho, cerrado, refletia não só a agonia que sentia, mas também as coisas que ele escolhia guardar dentro de si a dizer, quer seja para não piorar a situação, quer seja para não aliviar o seu coração. A água já batia na sua cintura, e ela estava gelada. Ele podia sentir o turbilhão que fazia a cada passo que dava. 
Parou, fechou os olhos e sentiu a brisa calma que levantava o seu cabelo. Sua boca já tinha em si o gosto de areia misturada com algo alcalino que ele não sabia dizer. 
Ele então olhou para a sua mão, abriu-a lentamente e lembrou de ali estar um coração que era pra ser seu eternamente. Mas agora só havia cinzas, que não poderiam ser curadas por lágrimas, isso ele sabia, pois já havia tentado.
Voltou a andar, a água agora em seu pescoço, e ele sentia que poderia ser agora, ele poderia simplesmente afundar a cabeça e esquecer de seus problemas. Em sua mão ele iria sentir novamente o coração pulsante, ele veria novamente o sangue correr tão rápido quanto seus olhos podiam acompanhar, ele não teria mais algo com que se preocupar.
E, no momento da tomada de fôlego final, ele pôde ouvir um grito romper o ar. Ele olhou pra trás e a viu. Mas já era tarde de mais, quando uma monstruosa onda surgiu, cobriu a sua cabeça e a luz do sol que ainda nascia no horizonte.
Seu último pensamento foi de indignação, afinal, por que ela havia demorado tanto para ir atrás dele? O tempo tinha acabado agora.

Um grito, uma mágoa.
E de rompante ele acordou e viu que tudo ainda estava no lugar. Os pôsteres, a luminária. Olhou pela janela e percebeu que o dia estava amanhecendo.
Uma porta se abriu. E ele sabia. Havia tempo para mudar as coisas.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Vermelho Como: Dor


Outro anjo que cai do céu.
Não era você que olhava para o céu procurando respostas?
Ela está ao seu lado, mas será que você a está segurando como deveria?
Somente a abrace, deixe-a afundar o rosto no espaço perfeitamente construído para ela, entre seu pescoço e seu ombro, ela só precisa disso, nada de palavras,
Palavras são tão inúteis as vezes.

Por favor meu amor, nunca desista.

Você não caiu, porque anjos tem asas, asas que você usou para abraçar-me e ajudar-me a sobreviver ao inverno, tão frio e duro pelo qual passei.

O problema é que as pessoas nunca sentem a diferença que faz os pesos que as outras tiram delas. Mas elas sentem a ínfima pena a mais que cai em suas costas.

É tão fácil surgir milhões de palavras(inúteis) para machucar, e tão difícil resistir a tentação delas e usar uma para amar.

Não me machuque, por favor, meu amor.


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Vermelho Como: Fogo


Eu que sempre passei perto de ti e nunca senti,
O que seus olhos fariam quando encontrassem os meus.
Eu não quero complicar as palavras.

Procurando os óculos que caíram no chão,
Não consigo te ver de tão longe.
E de tão perto, não quero nem abrir os olhos.
Como se fosse a primeira vez, a nossa primeira vez, cheia de medo de algo dar errado, cheia de excitação de saber que tudo está dando certo.

Queria eu me desprender um pouco e ir até você, entrelaçar meus dedos em seus cabelos e tirar da minha cabeça tantas dúvidas que me assombram. 
Fazer uma coisa que não me recordo fazer nenhuma vez em meus dias monótonos: Sentir o teu perfume e respirar fundo, sentir o ar fresco fluir por cada parte do meu corpo.

Eu nunca vou descansar, eu nunca vou desistir. Sem choros, sem mágoas, somente o fogo que arde dentro de mim quando a minha boca encontra a tua. Sempre, sempre que eu coloco as minhas mãos em seu rosto e formamos um só.


Vermelho Como: Suas Mãos


Quantas são as vezes que você chora olhando para o céu?

Melhor dizendo, quantas são as mãos que estendem-se em sua direção sempre que você precisa?
Eu vejo tantas mãos,
Mas todas carregando um punhal.

Vez ou outra que encontramos alguém que nos suporte quando caímos, quer seja com intenção ou com um sorriso.
Sorrisos que perco de ver de tanto olhar para baixo.

O que me preocupa não é ter alguém caminhando junto a mim, mas sim se essa pessoa vai continuar ali depois que passarmos pela névoa.
"Hold my hand, my darling".

Eu já não sei qual a cor do meu sangue, muito menos se eu me cortar ainda terei como sangrar. Isso já aconteceu tanto...

Quantas foram as vezes que eu olhei, chorando, para o céu?
E me esqueci de abaixar a cabeça, estender as minhas mãos e olhá-las. Largar o punhal que uso para cortar a mim mesmo, esboçar um sorriso caloroso e segurar forte a mão da pessoa ao meu lado?
É o que vou fazer agora.