Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Vermelho Como: Sangue


Onde está a razão de tudo?
Será que era para eu estar aqui olhando para você?

O amor nos aproxima de tantas pessoas e nos afasta de tantas outras.

Quantas vezes eu expliquei a razão de tudo para meus amigos,
Esquecendo-me que eu mesmo não acreditava nessas razões,
Que estas palavras só faziam sentido da boca pra fora, para outros ouvidos e outras mentes.
Todas estas vezes que eu dizia "não chore!". Mesmo que por dentro o meu coração estivesse em pedaços.

Pra falar a verdade toda essa saliva gasta é devido ao fato de que, mesmo que as coisas não façam sentido nenhum, por mais que sejam o contrário daquilo que pode acontecer, nós as ouvimos, seja por esperança ou por confiança em quem está falando.

"Essa pessoa que sempre está com um sorriso no rosto deve saber a resposta para minha pergunta".

Eu te peço, por favor, não me ouça de coração completamente aberto e confiança total. Veja por trás da minha máscara, eu com certeza estarei proferindo palavras de olhos fechados, ora para tentar não acreditar nelas, ora para não ver o estrago que elas podem(fazem) fazer.



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Não me aperte, não me deseje: Me deixe caminhar

Por muito tempo esperei por ti. Hoje vejo que a esperança de um dia não passa de uma criança perversa.
Esperar por alguém pode me prender no tempo, e no vazio.

Sabe quando você sente que aquele sorriso sincero pode nunca mais voltar? 
Existe algo em mim que amacia meu coração, 
o amor tende a encarcerar o Bicho dentro de nós.

Quem ama sempre é mais disciplinado que outrem.
Presos por atitudes covardes, mas autentico por escolher o que lhe faz bem.

O que você faz quando vê pessoas correndo atrás de você? Geralmente eu também corro, de susto.

Não siga meus passos,
mas caminhe junto de mim.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Alvorada



Eu estava lá quando vi tudo mudar.
Não pense que sempre seremos fixos. A estrada nunca tem o mesmo chão.

Mas também não me iludo em achar que toda mudança é necessária.
Às vezes a estrada mais segura é a que já estamos trilhando.

O que eu espero desta jornada? O que eu espero de meus pés que me levam para novos caminhos mesmo quando eu vejo tanta gente parando?
Estou cansado, e o cansaço só denota minha fraca existência que se perde nas trilhas tortas da vida. Devo parar também?

Caminhar sozinho pode ser perigoso, pois nem sempre estamos com nos mesmos.
Ao mesmo tempo que caminhar acompanhado pode parecer um dilema, pois nunca saberemos qual é o ritmo real do passo do outro.

As expectativas para uma continuação são sempre bem-vindas, não é mesmo? Se tem uma coisa que não deixamos de lado é a esperança. Esperança para um dia melhor, esperança para um futuro melhor, e uma vida melhor. Acho que agora entendo o motivo de meus pés continuarem mesmo vendo tantos outros pararem. Ainda estou ligado nos ideais que acredito, que alimentam minha esperança, que me mantêm seguro.

Caminhar sozinho pode ser perigoso, quando não confiamos em nos mesmos.

No que você acredita? Numa humanidade melhor e toda aquela ladainha utópica?
Ao menos é utópica...

Se existe algo no qual acredito, este deve ter meu nome, em minha forma. Depositar nossas esperanças num Outro, sem acreditar antes na própria imagem pode parecer um grande equívoco; é acreditar que os erros então sempre serão de outrem.

Acredito que isso seja importante. Existe sempre um dia após o outro, e com ele a expectativas de um novo começo. Temos a chance de recomeçar.
A alvorada de um novo dia nunca será igual, porque as pessoas nunca serão as mesmas.

Liçao da Luz: Nunca Diga Adeus

Um beijo e até logo.
Um mundo inteiro criado em minha mente,
Somente com as frases de uma canção.
Esta mesma que aparece em meus ouvidos pela manhã,
Esta mesma que aparece depois de tanto tempo...
Esta mesma que interfere e manipula tanto os meus pensamentos.

Oh, está tão frio lá fora,
Está tão frio aqui dentro.

A música começa a tocar,
Uma mulher está tocando flauta e eu canto para uma multidão de poucos rostos.
Alguns estão tão distorcidos...
Estes mesmos rostos que eu já esqueci depois de tanto tempo.

Seu beijo inflama o meu coração congelado,
Está tão quente aqui dentro..

A música está acabando e também a minha voz,
A luz apaga-se e com ela vão os rostos da multidão distorcida.
Esta mesma luz tanto me incomoda pela manhã, agora me distrai, me tranquiliza.
Eu não levanto a mão para acenar um adeus, porque essa palavra, aprendi, nunca deve ser proferida.
Então,
Até logo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Liçao da Luz: A História Nunca Muda



Só os personagens mudam.
Quanto tempo faz que eu não admiro o movimento das estrelas no céu - seja bem acompanhado ou não - .
Sei que as pessoas vêm e vão, mas será que isso é regra?
Será que isso preciso mesmo acontecer?
Pode ser mesmo assustador e simbólico o que escrevo quando forço as palavras a saírem...

E não sei, pode até ser que quando amamos só falamos do mesmo Amor,
Mas este mesmo Amor, tão incompreensivelmente complicado e inexplicável... Será que você consegue entendê-lo para definí-lo?
Jogue-o no abismo então!
Vire as costas para ele, por um milésimo de segundo, e depois pule atrás dele, com lágrimas nos olhos, procurando-o, autoflagelando-se por ter virado as costas para o que tinha significado para você... Ou mesmo não tendo, valia a pena destruí-lo?

Ei você tem aí, um cigarro?

Eu vejo tantas 24 horas passarem, todas da mesma forma, eu só estou cansado disso tudo. Os personagens nunca mudam, mas a história é sempre a mesma. Levante a cabeça, não olhe onde seus pés pisam.

Ame-me, Lembre-se: As Pessoas Vêm e Vão



Quando acordei a porta estava aberta, mas ela não estava quando fui deitar.
Tão simbólico, tão assustador..
O cheiro de chuva estava no ar, e os meus sentimentos também.
Assustadores, mas simbólicos.

A vida está passando rápida de mais,
Hoje é um, amanhã é vinte.
Mas eu estou sentado no alto da placa no meio do viaduto,
E eu só vejo o rastro brilhoso dos olhos das pessoas que vêm,
E o das lágrimas das que vão.
E nesse movimento incessante não há nenhuma simetria nem graciosidade, somente um caos desenfreado.
Um pouco simbólico, mas muito assustador.

Se eu vivesse em algum século passado,
A minha pena quebraria, o meu papiro rasgaria, as minhas pirâmides rachariam e eu não conseguiria dar cabo de meus sonhos.
E o fato é que eu só consigo pensar quando estou instável.
Nada assustador. Mas completamente simbólico.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Não me aperte, não me deseje: Me deixe diversificar

Quando amamos demais, só falamos de amor.
Amor no café, no almoço e na janta.

Esquecemos do restante do mundo, de nosso Mundo.
Afastamos dos outros, perdemos consciência,
ganhamos um novo sentido.

Somos sensíveis.

Quando amamos demais ficamos cegos, alienados, e presos.
Qual é o tamanho de sua viseira? 
Não pensamos em mais nada...

Quando amamos demais, só construímos amor.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Lição das Trevas: Despedida

O precipício ao redor não parecia real. Aquele clima sombrio de um sonho me dava a certeza que finalmente, após todos estes dias, eu adormeci.
Estava contente afinal, apesar de não gostar das cenas turvas em minha visão.
O garoto segurava minhas mãos com força. Sua expressão de espanto implorava para que não o soltasse, pois a força da gravidade o puxava para baixo. Ele resistia heroicamente, mesmo sabendo que sua vida dependia apenas de mim, e não de seus esforços. 

"A vida sempre tem vontade de viver. E seu horror é saber o quão frágil e breve ela é. Somos tão pequenos. Um átomo no meio do tecelão do universo..."

Tinha  a impressão que estávamos horas ali pendurados. Sua máscara era a única coisa que me incomodava, me dando repugnância toda vez que olhava para seus contornos dourados. A peça de metal polido que cobria a metade de seu rosto me fazia lembrar Dele e de toda a sua apatia.
Custo a acreditar. Deixamos nos levar para o lado mais fraco. Não adianta apenas ter um coração bom, tem que saber preserva-lo. Entre no meio da maldade sem se proteger e veja como nossa carne é corrompida.
- Por favor, não me solte - disse o garoto.

Ele apertava cada vez mais forte minha mão. Sentia dele a vontade de viver, pois o calor de seu corpo pulsava nas veias. Teria caminhado junto de ti se soubesse que o fim seria este, e minha maior vontade agora era de abraça-lo forte e dizer o quanto a sua falta me fazia mau.
- Me puxa de volta. Eu quero voltar!

Ele sacudia a cabeça desesperadamente. Seu peso ficava cada vez maior. O pior de tudo não era saber de seu fim, era poder ver tudo isto e não conseguir fazer nada além de escuta-lo. Faltava palavras em minha boca apesar de querer me manifestar. Parecia que não estava vivendo o meu sonho; Parecia que não tinha voz nem em meus próprios pensamentos...

Aquela máscara maldita, parecia colada em seu rosto inocente. A perdição sempre deixa marcas permanentes, sempre deixa algo para se lembrar. Quando é que decidimos sobre nosso futuro? É melhor planeja-lo, ou simplesmente viver o presente?

Eu não podia fazer nada... talvez não quisesse, e este foi meu pior erro. Aguardei em silencio
até a sombra de alguém invadia o ambiente estranho, cobrindo a face amedrontada do garoto. Ele denotava medo, e algo o fez se decompor, perdendo a voz e a vontade de continuar ali. Senti o mesmo quando olhei para trás e vi Ele andando em minha direção em passos firmes, inflexíveis e o olho fixo em minha existência frágil. As pernas estremeceram.
Não sentia mais os dedos do garoto presos aos meus. A máscara que cobria meu amigo finalmente caíra, e junto dela um garoto triste...

O grito da morte soava como uma serenata de despedida, uma lembrança para chorar.
Acordei imóvel, meditando as ultimas imagens manchadas das lembranças. É triste quando perdemos alguém que amamos. Em minhas memorias, no entanto, lembro de todas as nossas aventuras, todos os nossas conflitos, todas as nossas semelhanças. 

- Cair no vazio nem sempre pode ser a pior escolha.  - Disse Ele para meu ódio - Finalmente ele esta livre de toda a dor. Celebramos tanto o nascimento e esquecemos do final, de fechar o ciclo. Agora tente celebrar a despedida, porque a morte é a prova de que um dia ele existiu.