Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Lição das Trevas: Oásis

Sempre existe uma esperança.
Mesmo quando tudo já escureceu.
As nuvens negras seguiam meus passos. Estava desesperado. 
Quanto mais eu corria mais rápido elas andavam atrás de mim. O mundo em minha volta já não tinha mais a mesma cor. Ele fora o responsável por tudo, por toda a nivelação dos tons negros, pelo fim da alvorada, sem se importar com a diversidade de toda a vida.
Meus pés estavam cansados, mas não podia parar.

Corra!
Você é o ponto branco no vazio, 
uma centelha de luz na escuridão, 
um oásis no deserto.
Ele pode te achar, 
Ele quer te enfrentar.

Sempre existe uma esperança.
Mesmo quando tudo parece acabar.
As vozes em minha cabeça gritavam meu nome, e as lágrimas voavam para trás sem ter a chance de molhar meu rosto sujo pelas batalhas. Não podia parar de correr. Saltar os obstáculos naturais parecia mais fácil do que olhar para Ele em sua glória e poder. Eu sentia medo. Medo por ser fraco, medo por desistir. Não queria vê-lo novamente. Nunca mais. Ele me odeia e por isso me quer tanto. Ele quer minha destruição. Não posso parar...

Corra!
Você é o ponto branco no vazio, 
uma centelha de luz na escuridão, 
um oásis no deserto.
Todos podem te ver, 
Todos podem te derrotar.

Eu olhei para trás pela primeira vez desde que parti. Tremia de frio e ansiedade.
Não havia ninguém por perto, não há nada ao redor. As pedrinhas do chão voavam pelo impacto de meus pés, e a poeira da terra seca ficava cada vez mais distante. Sentia minhas pernas quentes e rígidas e meu estado era decadente.
Meu corpo traía meus desejos, já não aguentava mais continuar. Talvez não fosse mais necessário, forçado pelo destino perdi os sentidos quando escorreguei no menor dos cascalhos aos meus pés. Desci da encosta acrobaticamente em direção à morte.

Ele ainda te segue?
Ele ainda te quer?
Você é o ponto...

O vento forte secava o sangue que escorria de minha boca. Logo eu, sempre tão fraco, e sempre carregando as piores das dores.
Estava sozinho, para variar. A vida ainda pulsava em meu coração, mas estava derrotado, esticado no chão novamente e sem forças para me levantar outra vez. 
A maldição da vida. 
Em meu ouvido apenas o barulho dos ventos, e em minha mente um turbilhão de pressentimentos ruins. Ao menos algo bom: Ele não estava por perto. Sabia que me distanciei o bastante para sua presença não me incomodar.

Você é o ponto...
Vulnerável como uma pequena vela no meio da ventania. 

Minha imagem sumia agora. A missão, arruinada, ao menos serviu para mostrar que desconhecia meu próprio limite. Meu fracasso como pessoa só repercutia o reflexo de uma humanidade perdida. Uma legião desesperada. Uma tribo sem valor. O que Ele queria que eu fizesse agora?

- Garoto mimado. Levante, e tente mais uma vez. Você é o único oásis deste deserto - disse Ele, sentado ao meu lado.


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