Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Partida




Como você está?
Já faz tanto tempo que não ouço a água correr..
Tem dias que eu saio de casa, tento achar o rio, tento achar a água que caía do céu nas tardes de sábado.
Mas eu não encontrei,
Eu encontrei o vazio, o pó da terra ardida que não se molha há muito tempo.

Onde você está?
Eu te procuro, em vão, e as minhas mãos só encontram indícios de onde você passou. Até a minha memória me trai nesse momento, e eu não consigo lembrar. Pra onde você foi?
Talvez você esteja me esquecendo, e por mais que eu não quisesse, isso me entristece.
Tem dias que eu fico em casa e a água corre pelas minhas veias, e a minha cabeça, pesada, cai sobre o travesseiro.
E eu não te encontro, mas nem ouso te procurar.

Aliás por que é que estou escrevendo aqui hoje?
Acho que é só pra constar:

Eu te achei, ou você me achou, eu não sei.
Em um sonho em que você estava partindo para algum lugar. Talvez saindo de vez do meu coração e da minha vida, ou indo para algum lugar que eu nunca mais possa te encontrar. E eu só passei pra te dar um abraço bem forte.
Adeus.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Pacatez




Jamais entendi.
Talvez não seja de meu interesse neste momento.

Ficamos tão presos nesta forma inerte e modelada, que sublimamos tantas outras características,
muito mais originais do que essa aparente forma humana. (Mas o que é ser original? O que é ser Humano?).
Uma peça de carne, (sem) movimentos e emoções?

São tantas as doenças, são tantos os medos, são tantos os desafios que ultimamente não temos tempo para o que realmente queremos fazer,
ou ser.
Repetimos tudo, e escondemos sob nossos ideais.
Ideais estes inventados por nós, para nos limitar, nos controlar... nos esconder.

Como se existisse uma tampa sob nossas cabeças.
Olhar para o céu é o mesmo que olhar para o infinito.

Por que ainda não conhecemos o limite de nossa liberdade, e desesperamos por não saber o que fazer frente a ela.
Vivemos em constante movimento mas parece que não saímos do lugar, parece que não fazemos nada.
Nada,
é isso o que mais fazemos.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Escadas para o Inferno



E agora que este sol amarelo me abraça, me tira da cama, dos pesadelos. O meu violão que dorme comigo me chama, me convida a cantar.
Eu saio de casa e eu entro no tártaro, porque viver não é uma opção, e nem uma realidade, mas meu lema não é desistir, nem abaixar a cabeça, nem apanhar sem assustar o meu algoz com meu grito de guerra.

Eu sou o fantasma da ópera, eu sou, não sou, nem existo, mas a minha máscara vaga por aí com um nome bem familiar, que me soa quase igual ao meu. E este fantasma canta, sorri, brinca e faz os outros leões darem gargalhadas.

Eu sou tudo aquilo que não fala nada mas faz muito, eu sou aquele que você nem dá atenção no começo do filme, mas que fica com a mocinha no final.

Oi Deus, tudo bem? Queria Lhe agradecer por tudo que Você já me ensinou...


Escadas para o Céu



Como é fácil encontrar as escadas que levam ao céu.

Mas os cordeiros estão ali, guardando seus primeiros degraus..

Não. Não há como usarem peles de cordeiro. Eles são piores que lobos, são raposas, são tigres, são leões que devoram a minha capacidade de raciocinar, de pensar, de falar, de sentir. Eles não fazem nem a mínima questão de me abraçar primeiro, de me mostrar alguma falsidade, esta que me atiram irrefreadamente, sem pudor, torpor, furor. E eu fico me imaginando fazendo o mesmo, aliás já estou, estas pessoas afloram dentro de mim como os seus piores sentimentos, me tornando um deles, um falso, um carnívoro, um canibal. Elas me dizem, me sussuram nos ouvidos, espere a morte chegar!
Espere!
Ela mesma está vindo com sua foice afiada me levar para um lugar qualquer.
Mas antes disso eles me fazem sofrer. Os mais sentimentais em nosso meio perdem a calma fácil, e são levados rapidamente, sem dó nem flores. Eu penso em ser igual, agir igual, furá-los com o mesmo veneno do qual já transbordo, mas caio em choro, em pensamentos e preocupações, dentre elas de que me tornando um deles posso não voltar a ser o mesmo.

Eu vivo numa hipérbole. Eu acabei de conhecer esta nova realidade e já cansei dela, eu quero união, entendimento, eu quero compaixão, ainda existem sentimentos conectados à estas palavras?

Eu quero amor. Eu digo te amo, mas eu não sinto. Eu choraria por isso, eu lutaria por isso, ou eu só procuraria outra?

Perseverar? Não, não, não, não, nem você, nem você, nem você e muito menos você.
Acho que só eu. Ou nem eu?

sábado, 18 de agosto de 2012

Flores de Desejo


Não tente me inibir. Eu sou um eterno apaixonado, apaixonado pela chuva, pela música, pelo sexo frágil..
Aliás, a rotulação "sexo frágil" como um clichê, uma lenda urbana.

Mas como é possível te ver e não querer te beijar?
É tão difícil quanto ver a chuva e não querer estar lá, no meio do jardim, de braços abertos, saudando-a como ela merece.
Como ela merece...

O desespero me bate a porta, e me grita nos ouvidos, o que é que estou fazendo da minha vida? O que estou imaginando, agindo, planejando?
Muitos verbos de ação, ou poucos ?!

A cada beijo que eu não lhe dou, são abraços que receberei depois, eu sei.
Como a chuva que eu só vejo acariciar o telhado de minha casa.
Eu já quis estar em seus braços, eu quero.

Não eu não quero.

Mas já pensei em estar, ou melhor
Eu sei que se eu estivesse não ficaria só.

Você é aquela flor do meu jardim, que da minha janela vejo banhar-se, vejo esbaldar-se com cada gota de chuva que cai, cheia de leveza e fragilidade.
Eu posso muito bem estar longe, flor, mas seria mentir para mim mesmo dizer que você não é linda.


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Bons Tempos, Tempos Passageiros

por Camilla Fernanda Bazzanella
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Vivemos bons tempos. Vivemos tempos de brincar, vivemos tempos de rir, vivemos tempos de chorar. Vivemos tempos de festa, de amizade, de cumplicidade. Vivemos tempos de amor. Vivemos tempos de ser adolescente. Mas e aí? O que vai acontecer quando o tempo de ser adolescente acabar, e o tempo de ter inúmeras responsabilidades chegar? Pra muita gente já chegou, pra ti também vai chegar. O que fazer?!
Pra onde correr?! Pra quem correr?! Bate o desespero, aquela ansiedade enorme de saber o que vai acontecer. De saber como vamos viver sem o tempo de bagunçar o tempo inteiro. De saber como vamos viver sem a presença constante dos amigos com quem foram compartilhados tantos momentos. De saber como vamos viver com tantas lembranças. De saber como vamos viver o tempo do futuro. Mas e daí? 
Nada importa. Não importa o tempo de amanhã, nem o tempo de daqui a 10 anos. O que importa é que um tempo nunca vai acabar: o tempo de viver.





domingo, 12 de agosto de 2012

Eterno amor neurótico

Que negocio é esse de fugir das decepções? Você vive na ditadura da felicidade?
Bondade, espirito, valor, tranquilidade, verdade, união, paixão, esperança, felicidade...
Cadê o espaço para o sofrimento?

"Eu quero uma coisa perfeita, eu quero algo ideal, eu quero algo eterno."
Buscamos a felicidade (Apenas e somente a felicidade!). Estamos sendo enganados, abrem os olhos, quem nunca sofre pode Cair com mais facilidade.
Porque o sofrimento existe.

Temos ideais que lançamos para perfurar as barreiras dos outros o tempo todo. O outro só me ama por que vê em mim algo de seu interesse.
Se soubéssemos realmente amar, não amaríamos como amamos.

Para você, do time da Paixão: Ame! Mas ame com a cabeça, e não com o coração. O amor verdadeiro pode ser uma hipocrisia pessoal.

No fim das contas somos todos neuróticos. 
Uns para mais, outros para menos.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Seria o Último...


Hoje é um daqueles dias nostálgicos...
Não sei porque, talvez eu tenha sonhado contigo esta noite
E por isso você não sai da minha cabeça.

Quanto tempo faz,
Uma semana, uma hora?

Pensando agora, com a cabeça no lugar, eu percebo que eu já sabia,
Eu já sabia que aquele beijo seria o último.
Mas porque?


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Lição das Trevas: Um Outro alguém

     O fim daquela noite marcava o segundo dia sem dormir. Não deveria sobrar muito de minha sanidade agora que já lutava contra os limites de meu próprio corpo. Os braços chacoalhavam e não era apenas de calafrios. Ele desferia seus golpes com seu olhar.
    O céu escuro atingia cores róseas aos poucos. Não havia mais estrelas visíveis. Apesar de iniciar mais um dia, parecia que a cada minuto que se passava eu estava mais perto do final. A minha triste derrota já era eminente, sabia o que estava para acontecer. Sabia de tudo, menos da verdadeira identidade Dele.
- Eu não sei mais chorar, pois algo em mim se secou. - disse sem muitas palavras na boca rachada.
- Precisamos dar nome aos nossos sofrimentos, pois é muito mais fácil enfrentar um inimigo depois que o conhecemos. Ser um humano é estar à mercê da escuridão, pois tudo o que é desconhecido nos assusta.
- Eu nunca consegui entender os outros! São sempre tão imparciais para mim. Já não quero mais falar de meus problemas, já desistir de muitas coisas, inclusive de te conhecer.
- Percebestes agora de onde vem seu temor? Você parece que tem medo de viver sozinho.
Sozinho... como tem sido nesta estação.
- É muito duro estar só. Mais ainda quando não consigo dançar no mesmo ritmo dos problemas. Lidar com os outros sempre me pareceu mais difícil do que lidar comigo mesmo. Hoje vejo o contrário e o quão tolo fui. Queria que as pessoas fossem diferentes.
    A alvorada emergia das sombras, revelando toda a podridão do ambiente. O silencio do horror a nossa volta ofegava minha respiração. Sempre havia grandes pausas entre nossas discussões, e o silencio as vezes machucava. Tirando Ele, não havia nada de pé, nem mesmo minha própria imagem embrulhada pela terra do chão selvagem. Ver tudo isto sem expectativas era desesperador.
   Um pássaro negro voou por cima de nós quando Ele voltou a dizer:
- Existe congruência nas relações? Ou será que tudo parte de um interesse em comum?
- Você me disse uma vez que quando julgamos, já estamos errando. Mas isto torna as coisas complicadas demais. Como agir sem julgar os outros? Como conseguir um ideal sem manipular alguém? Como ser a luz sem criticar as trevas?
    Ele fez pausa. Ia dizer algo mas hesitou. Fora a primeira vez que recebia ajuda para me levantar, contrariando tudo que havia pensado ao seu respeito. Ele sorriu para meu espanto. Nunca tinha visto Ele sorrir.
- Você se contradiz muito, garoto. Só não se esqueça que não conseguimos mudar ninguém, apenas nos mesmos. Só quando você muda, é que percebemos a mudança em Outro alguém.


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Tristes Escolhas


Queria tomar o ônibus para qualquer lugar,
Ver as árvores passando como vultos pela janela.
Que pena que eu cresci assim,
Aprendendo a dar valor somente ao que posso ter,
e não aquilo que eu já tenho...

Queria viajar de trem, só para ir mais devagar.
Poder dormir, esquecer que ao botar o pé na estação
Vou precisar te encarar nos olhos,
Vou precisar dizer o que não consigo,
Dizer o que preciso,
Dizer o que não seria necessário se eu não tivesse errado tanto.

Estou indo de avião. Eu sei que ao chegar ao meu destino você não estará lá.
Eu sei que não mereço nem um tapa na cara,
Muito menos poder ver os teus olhos novamente.
Bom, não ao vivo,
Porque as nossas fotos são coisas que guardarei sempre por perto.

Para me lembrar de que na vida não existe volta
Que é mais fácil olhar para trás e ver tudo aquilo já aconteceu,
Do que ver qual caminho eu segui.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Tudo Vai Melhorar


Onde você está?
Você sabe que odeio o escuro.
Por que você apagou as luzes?

O meu tato, que nunca foi dos melhores, tenta encontrar algo,
Mas o que toco está tão quente e ... molhado?!

Eu ouvi sua voz ecoando em algum lugar ao longe...

Viro a cabeça na direção do barulho do vento que passa pela porta que se abriu,
Agora eu me lembro de tudo.

Você gritou, clamou liberdade, bateu a porta e se foi,
O molhado em minhas mãos são as lágrimas que vertem de meus olhos, que seguro fortemente afim de não ver sua partida.
Por isso tudo está tão escuro...

Mas a porta se abriu,
E eu sinto um perfume no ar que não é o seu.
É mais doce e mais sincero.
Ela está aqui. Quem é, não sei.
Mas ela se agacha em minha frente e me abraça, me aquece e me enaltece.
Obrigado. Eu já amo você.