Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

domingo, 24 de junho de 2012

Lição das Trevas: O destino de todas as coisas

           - Uma vez você me disse sobre uma humanidade perdida. Que humanidade seria essa?
- A mesma em que nós nos encontramos hoje - disse com raiva nas palavras. Fazia silêncio lá fora - O mundo está perdido em caos, violência e intolerância.
- Sempre quando escuto isto dos homens tenho a sensação de que são Eles que estão perdidos no mundo.
- Você sempre contesta com o que digo.
- Este é o meu dever aqui.
- Me contestar?
- Ser o outro lado.
O frio parecia invadir meu pulmão. Correntes gélidas perfuravam minha carne, me puxando para um vazio desconhecido. A solidão já não era a pior coisa do mundo neste instante. Cortinas escuras escondiam a alvorada. Não havia nuvens, apenas manchas escuras no céu.
- A vida sempre foi algo frágil demais - disse ele inflexivelmente. Olhava com atenção a ferocidade da destruição em nossa volta.
- A vida sempre tende a continuar! Não importa as dificuldades. Ela sempre arruma uma forma de se manifestar. Isto é lindo.
- Menino incompreensível. Nunca percebe, não é mesmo? Sua causa cairá em ruínas quando perceber que tudo se destina em padecer. A vida, no entanto, é apenas uma resistência.
- Como você pode contestar a vida?
- Não contesto, mas vejo gente tentando burlar o fim o tempo todo. Abra seus olhos garoto, o tempo é curto. Faça a diferença.
- Para quê? Se o destino final de todas as coisas é a morte, por que eu deveria fazer a diferença? Sou apenas uma resistência. Vou sentar aqui e esperar meu fim chegar - cuspia as palavras ironicamente.
Ele fechou os olhos com decepção.  Virou-se ao se afastar de mim em passos lentos.
- Ei! Aonde vai?
- Procurar uma humanidade melhor, mais consciente e tolerante.



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