Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Vazio temporal


Já tiveram aquela impressão de que quanto mais se tenta preencher a vida com muitas atividades, para fazer o “tempo render mais”, mais se tem a sensação de que não vivemos nada, de que nada aconteceu? "O horror ao vazio parece que nos esvazia."
Isso é curioso porque nos remete a um vazio existente em outras situações melancólicas da vida: Na Depressão.
Se partirmos do pressuposto que o tempo é o tecido de nossas vidas e, é o que temos de mais abundante, então o nosso Tempo tem um significado importante, um sentido. Se então você o perder...
... O que lhe sobra? 


Nada?


E a culpa deste vazio? Seria desta sociedade eufórica, desta correria pela felicidade, festas e liberdade? Como pode a felicidade trazer a falta de sentido, a depressão?
Paradoxal demais para você? Pois para mim já é óbvio.


O "Ser feliz"  virou uma obrigação, uma mercadoria de venda do capitalismo, hoje centralizada na imagem e no entretenimento. 
Se você não correr para busca-la ficará para trás, e a sensação que lhe sobra é de estar num vazio temporal, pois sem este sentimento... o que nós somos? O que nós tornamos?
Escravo por si próprio.




Exagerei não é mesmo? Acho que fui longe demais em tentar mostrar um paradigma, talvez forte demais em nossas vidas.
Afinal, para que se importar com o Tempo agora, quando ainda estamos em período de férias, período da curtição, sol e praia
Deixe para "perder tempo" com estas bobagens quando a correria da vida te chamar novamente...

sábado, 28 de janeiro de 2012

Quanto Vale a Vida

Mudar é preciso. Mas nem sempre é proveitoso.
Os dias passam devagar e eu sempre vejo as mesmas ruas, os mesmos rostos, os mesmos tons. A rotina pra mim se tornou indolor. Eu vejo pessoas querendo mudar, a si mesmas, e além, mudar o mundo!
Mas percebem que não é tarefa fácil. E então desistem.
Desistem por medo de não dar certo? Por medo de não serem aprovadas? Não.
Desistem por medo, sim, mas o de não serem apoiadas.
Se lutarmos, dará certo. Se lutarmos, seremos aprovados. Mas quem quer dar o primeiro passo, consegue o dar? Vendo tantas massas caladas perante minorias egoístas, de barriga e bolsos cheios...
Do que vale atirar a primeira pedra para o oceano, se todas as outras vão cair no chão, com um estrondo fantasmagórico?

Nós vamos continuar calados, sim. Mas cada vez mais inquietos. Este ano pode não ser o da mudança radical que esperamos, mas há anos nosso coração aperta cada vez mais as nossas consciências, primeiro sussurando e depois gritando, "têm coisa errada aí !!!".
Tudo que se segura explode. Nenhum rei reina para sempre.

Eu vejo 6 bilhões de almas por um mundo melhor. E vejo frações ínfimamente menores acabando com o planeta. Em quem confiar? Acredito que só em Deus. Por ora.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

São apenas batatas?

Historinha velha, simples, e complexa. Boa para refletir quando não se tem nada para fazer neste mundão complicado.
Enjoy!

Um homem andava pelo campo de concentração fazendo seu trabalho. Todos os dias ele passava pelos mesmos lugares conversando com os soldados, mas num certo dia resolveu observar como estavam as coisas nas cozinhas do campo de guerra.  Não havia cheiro de comida, apenas o cheiro do terror em todos os lugares por ali.
Na primeira cozinha o homem da estória observa o cozinheiro trabalhar com as batatas, a única comida disponível daquele lugar.
- O que o senhor está fazendo? – perguntou o homem.

O cozinheiro virou os olhinhos para ele rigidamente sem parar de mexer com as batatas e, disse arrogantemente:
- Não está vendo? ESTOU APENAS DESCASCANDO BATATAS!

O homem então sorriu e saiu pela porta, em direção á outra cozinha ao lado.
Chegando à segunda cozinha o homem enxergou o cozinheiro do local e foi andando até ele. Um enorme saco de batata repousava perto de seus pés.
- O que o senhor está fazendo?

O cozinheiro terminou de olhar a qualidade da batata dourada em suas mãos, satisfeito com o tubérculo repousou-a na pia, se virou para o homem e disse:
- Ora bolas, não parece óbvio? EU ESTOU COZINHANDO.

O homem então sorriu e saiu pela porta, em direção á outra cozinha ao lado.
A terceira cozinha não era diferente das outras duas. Batatas para todos os lados. Chegando perto do cozinheiro, que manipulava as batatas como todos os outros, o homem perguntou:

- O que o senhor está fazendo?

O cozinheiro sorriu. Largou a batata da mão, deslizou seus dedos até a faca ao lado e a empunhou para o alto dizendo:
- O que eu estou fazendo? EU ESTOU AJUDANDO PARA A REVOLUÇÃO!


NOTA: reparem que ambos os cozinheiros fazem a mesma coisa, contudo, com uma visão diferente de sua realidade. Quem está trabalhando mais feliz? Quem está mais satisfeito com aquilo que faz? O mesmo mundo que eu vejo é o mesmo mundo que você vê?

/pensem

sábado, 21 de janeiro de 2012

Mais uma Vez


Quando você nasceu, eu soube que seríamos grandes amigos, seríamos como irmãos.

E foi assim mesmo todos estes anos...

Mas um dia, senti que era preciso mudar. Que meu lugar não era ali. Hoje você sabe que também não era o seu. Mas eu te abandonei.

E eu percebi que algo em você havia mudado. Você estava ríspida e agia como se fôssemos meros conhecidos.

Fiquei incomodado, e, como todo egoísta, machucado. Porém, hoje,
Percebo que todas as tuas ações não eram uma rebeldia adolescente, mas sim mágoas.

Me desculpe. Amo você.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Lição das Trevas: Solidão

- Ei, você, por favor, me ajuda. Não me ignore.
Mas nada adiantava chamar, era outro que sumira naquela neblina fria.
As pessoas pareciam passar por mim sem se importar com as lágrimas que meus olhos pingavam de minuto a minuto. E aquele homem...
... Aquela Sombra maldita ainda está aqui para me fitar. Seu olho azul fixava no meu corpo debilitado que tremia de horror por estar aqui.
Não podia me entregar a sua hipnose.
- Ei moça, Não me ignore também! Ajude-me. Salve-me, leve-me para a Luz! Não me deixe... Aqui... Sozinho.
               A cabeça doía de tanto fazer força para chorar. Os dedos sujos tampavam os olhos deixando tudo escuro mas, sem eles a escuridão parecia muito pior. Não podia ficar calado pois, o silêncio só me fazia lembrar da solidão.
            - Eu não gosto daqui! Quero ir embora! Eu... Detesto estar só!
               Ele chegou perto de mim, levantou meu queixo e limpou a secreção de muco que saia de meu nariz.
           - Criança barulhenta. O que você detesta é você mesmo.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Longe de Ti

Como o sol fica engraçado por entre meus dedos não?
Estou aqui, com a palma da mão direita virada para o sol,
Lembrando de quando ela me separava de outra luz, a dos seus olhos...

Como que aquele alguém, que um dia me levou nas costas, pôde me largar no chão sozinho?

Mas hoje você não me achará. Hoje estarei bem longe de ti. Hoje estaremos deitados de costas, um contra o outro.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sem querer amar

Por quanto tempo estive sozinho?
Você ainda está.
Impossível. Eu já posso vê-la por aqui novamente
O sorriso
A pele
O perfume
A alegria

Não se iluda.
O que só existe no coração não existe de verdade.
Você ignora o que eu sinto
E você, o que digo. Ela não pode te ouvir mais.
Acabou.
Abandone-a ou cairá também.

Eu amo demais para poder esquecer
Você só está preso a um fantasma.
Que agora é passado.

Não julgue mau o que sinto, só eu entendo
Você me trata como se fossemos diferentes.
Então consegue sentir o que sinto? Então sabes que faria tudo diferente

O passado não volta.
Eu a beijaria naquele dia
O passado não volta.
Eu dançaria a mesma musica novamente
O passado não volta.
Eu... a salvaria
O passado não volta.

... Só agora me dei conta do que você é
Frio e calculista
Que não ama ninguém

Ainda não percebe não é mesmo? O abismo que você se encontra.

Estou apaixonado
Você está caído.

Quero guardar estas lembranças para sempre
E o que ganhará com isso?
Segurança, de todas as Trevas do mundo

Seu amor é só uma tentativa de mitigar o terror que te impera.
Mentira. E falastes assim para me prejudicar! Quero ama-la muito mais
Arrogante pelo próprio fracasso.

Lembro-me da cor dos olhos! A saudade só faz queimar o que sinto
Tolo.
A ausência congela o coração, não aumenta o amor.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Acordes: Cap.6

Primeiros capítulos em Histórias;
____________________________

Preciso mesmo explicar como me senti quando ela sorriu pra mim?
Primeiro pensei que fosse seu namorado parado atrás de mim, me encarando, me jogando para fora dali. Mesmo em uma fração de segundos, senti um calor incomum subindo pelo meu estômago até meu pescoço, ruborizando meu rosto, mas mesmo assim, mantendo meus olhos conectados aos dela.

Ainda hoje quando a vejo sinto o mesmo calor.

Me sentei ao lado dela, e não lembro se em algum momento olhei para algum outro lugar senão seu rosto.
- Er, Oi.
- Olá rapaz! - Ela me respondeu com uma voz aveludada.
- O que você estava tocando?
- Epica. Gosta?
- Conheço algumas. - Menti. - Poderia cantá-la pra mim novamente?

O que em mim faltava de coragem, nela sobrava. Pra falar-lhes a verdade nem prestei atenção à música. A minha cabeça era só aquela voz. Quando acabou, virou para mim com aquele jeito infantil que eu já estava apaixonado e me fitava, parecendo que não sabia o que falar.

- Qual seu nome?
- Eduardo, e o seu?
- O meu é Yeda, muito prazer. - E me estendeu a mão.

Tocar aquela pele me deu calafrios. Os sinto até hoje, lembrando de nosso primeiro encontro.

- Foi você que eu vi andando na chuva, ontem a noite? - Com essa pergunta tive certeza que era ela e tive certeza também que algo crescia dentro de mim, exponencialmente comparado ao tempo que passávamos juntos.
Me sentia bem ao lado dela. Me sentia seguro, como se as asas daquele anjo protegessem-me.
- Sim, e presumo que era você do outro lado da rua. Desculpe se fui incapaz de conter os meus olhos, pois senti surpresa ao ver que mais alguém queria refletir àquela hora, sem falar que você é linda de mais, ainda mais ensopada.
Seu sorriso e sua risada baixinha inundaram meu coração de sentimentos.
- Estou preocupado, precisamos de mais um integrante em nossa banda. Estou consternado, eu não consigo achar meu lugar nesse mundo. Será que é tão difícil? Será que sou tão inseguro, tão imperfeito, que as peças simplesmente não se encaixam para mim? Devo estar fazendo algo errado, eu sei, mas ainda não encontrei um porque para tudo isso.
Então ela puxou meu queixo para seu lado, calmamente, e disse:
- Acho que nos encaixamos perfeitamente..
E me beijou.

domingo, 8 de janeiro de 2012

O mesmo velho de sempre

Já fazia alguns minutos que a mão dele repousava em meus ombros magros.
Mãos grossas, descascadas pelo tempo.
Os tons róseos da alvorada se misturavam com os campos verdes daquela cerra imensa. Seus olhos grandes e cansados refletiam a mágica daquele local utópico.
- Gosta do que vê meu jovem?
- É tudo tão lindo. É o que sempre imaginei. Ainda não acredito que seja real.
- Por que duvidas tanto assim?
- Até então eu só conhecia minha casa. Ainda tenho medo de sair de perto Dela.
- Só porque está longe de casa não quer dizer que nada mais exista. – disse ele sorrindo  – Se você perceber...
“...cada grão de areia que suporta seus pés, aquelas nuvens gigantescas que flutuam sob nossas cabeças, as colinas, aquele sol, os bosques, as casas, as pessoas, esse cheiro da vida e aquele cheiro da morte. Perceba que tudo isso existe aqui e agora para você... o que faz do mundo toda a sua casa. Faça aquilo que te faz bem. O céu nunca foi o limite
Meus olhinhos o fitavam com admiração. Queria eu enxergar assim tão longe e esconder a insegurança que meu coração demostrava por estar aqui.

Curioso como qualquer criança, ainda insistia:
- Mas... então qual é o tamanho de minha casa?
O velho levantou uma das sobrancelhas, tirou a mão pesada dos meus ombros para coçar a cabeça.
Olhou mais longe ainda...
Passou alguns segundos observando a pacata paisagem daquele inicio de manhã, movendo apenas os dedos pelos fios crespos de sua barba.
Acho que ele se esqueceu de minha pergunta...
Finalmente virou-se para mim com o mesmo sorriso bondoso de sempre. Encostou sua cabeça junto da minha e me respondeu:
- Meu jovem... qual é mesmo o tamanho de sua imaginação?

sábado, 7 de janeiro de 2012

Acordes: Cap.5 (Mí Maior)

Primeiros capítulos em Histórias.
___________________________

Como eu parecia um pinto de molhado, segui o rumo para casa. Mas aquela gatinha não saía da minha cabeça. Levei dezoito anos para vê-la pela primeira vez e provavelmente vou levar mais dezoito para encontrá-la novamente - pensei.
O que eu vejo hoje como trágico, é que levei só mais um dia.
Manhã de sábado, um pouco anormalmente gelada. Havia acordado mais cedo devido ao nervosismo do bendito festival. Tentei ligar para vários amigos e amigas mas todos já tinham alguma coisa com que se preocupar.
E cada vez que eu esvaziava a cabeça aquele rosto vinha à tona, como se me perseguisse, como se precisasse de mim.
Por isso resolvi sair de casa. Pra variar, levei o violão comigo.
Inconscientemente, andei pelo mesmo caminho na qual eu a encontrara noite passada - com uma mistura de ânimo e também de ansiedade - tudo isso fazendo um turbilhão no meu estômago.
Imagine só como me senti então, quando vi aqueles cabelos ruivos com um brilho estonteante à luz do sol,  aquelas mãos tão delicadas formando os acordes, e aqueles olhos que eu não podia ver ainda - fechados, mergulhados em seus desejos mais ocultos, em seus pensamentos mais únicos.

Quando me dei conta, percebi que havia parado de andar. Puxa, eu não conseguia nem rir da minha própria timidez. Tomei coragem para ir à frente.
Não ainda não.
Acho que vou voltar pra casa.
Mais dezoito anos pra ver ela?
Linda do jeito que é já deve ter namorado.
Ou posso ser o primeiro.
Meu Deus o que eu faço?

Acho que Ele me ouviu.
Ela, pelo que pensei, deveria ter terminado a música que tocava. Abriu aqueles lindos olhos que primeiro olharam para o chão a sua frente. Desacostumados com a luz, suas sombrancelhas franziram por um momento, e foi a coisa mais inocente que já vi. Então ela me viu, ali, parado. E sorriu.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Nexos

Olá a todos os leitores do Neurônio.  É um prazer enorme estar aqui.

Sim, 2012 chegou, mas só será um “novo ano” quando também mudarmos, independentemente da intensidade da mudança. Caso contrário, foram apenas números que saltaram de lugar.
Quando conheci esse espaço virtual eu não só aprendi mais sobre um jovem catarinense, mas também sobre reflexões para a minha vida e para a sobrevivência da espécie humana na sua mais pura forma. 

Amizade, amor, companheirismo, realidade, palavras, vida, mundo, histórias, estórias, músicas, perdas, vitórias, reflexões, Medos, politica, Futebol... Palavras espalhadas ao sabor do vento? Provavelmente sim se nós não atribuirmos sentido a cada uma delas.

Percebem como somos animais altamente simbólicos, e repletos de desejos? Será mesmo que é o mundo que nós faz ser?

Coisas e pessoas são adicionadas em nossa estrada da vida o tempo todo. Tudo mudou e sempre estará em movimento.

Movimento...

Às vezes nossa vida parece com um rio de águas turvas.
Ás vezes nossa vida parece com um pendulo em eterna oscilação.
Ás vezes nossa vida nós obriga a se unir. 
Quem sou eu para julgar se isso é bom ou ruim?

Mudanças são, e sempre serão apenas mudanças.
Acredito que o ano de 2012 começou com novos horizontes, com um novos cheiros, novos desejos, e novas conquistas. Uma delas é estar aqui, fazendo parte da família Neurônio. Como disse nosso nobre Felipe “Um neurônio apenas não faz sinapse”.
Obrigado amigo pelo convite e um Feliz Ano Novo para todos. Que ele venha repleto de grandes surpresas.

Ah, quase me esqueci; muito prazer a todos, me chamo Carlos Cézar e estarei aqui com vocês até a vida mudar novamente.
Clique aqui e Ouça a Música dentro de Você Mesmo!

Ano Novo

Pode estar sendo meio atrasado, mas é de coração.
Neste ano, tenho o pressentimento que muitas mudanças vão ocorrer. 
Nada relacionadas aos comuns fins do mundo, mas relacionadas ao caráter das pessoas.
Aquelas que não se adaptarem a união, ao respeito à liberdade dos outros e de seus respectivos livre-arbítrios, serão deixadas de lado.
Espero que todos tenhamos um ótimo ano novo!

Best Regards,
F.