Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Simplicidade


Agora acho que entendo você. 
Você não vive pra agradar ninguém.
Mas você me agrada, vivendo.

Pra que complicar tanto, quando é muito mais fácil viver ?!


Como um Suspiro


O que é o amor pra você?
E pra onde você foi?
Eu procuro em meu campo de visão algum sinal teu,
Mas nada além do horizonte eu encontro.

Escute o teu coração, escute a tua mente, nada disso faz sentido pra quem está na mira do bandido.

Eu te procuro no horizonte,
Mas devo ter sido eu, quem virou as costas pra você.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Sonhar para ver. Esperar para colher

Foi mais uma noite de sonhos ruins. Carrego na memória uma sensação diferente, um peso que meu coração não gostaria de carregar.

[...] Estava com as malas pontas, sentado no chão de mármore, esperando apenas o ônibus passar. [...]

As coisas dão errado para você também? O final da tempestade nem sempre trás o arco-íris. Não existe guerra sem perdas, não existem brigas sem desencontros. Em minha mente sinto um vazio estranho, e uma vontade inquietante de arrumar uma daquelas borrachas mágicas que acreditava quando era crianças para apagar meus sonhos ruins e tudo aquilo que me desconforta.

[...]  Olhei para o relógio enquanto lanchava. Faltava exatamente uma hora para a partida. Para meu espanto senti que faltava algo, ou alguém. Não poderia partir neste momento, alguma coisa estava errada. Deixei as malas de lado e fui atrás de respostas, andando para longe dali, esbarrando contra as outras pessoas pintadas apenas de preto em minha mente. [...]

Sonhos não podiam nos fazer sentir, pois nem sempre sonhamos o que queremos. Faz tempo que não sentia este balançar do vazio em meu coração. Em minhas lembranças não consigo resgatar nada que não sejam esperanças mortas, oportunidades perdidas, ou expectativas em vão. A vida passa para todos, deixamos tantos momentos de lado, momentos que nunca mais voltam e que podiam se tornar mais uma lembrança de uma boa conversa com quem se gosta.


[...] Eu corria para longe. O tempo quase estava esgotado, e já não dava mais para voltar.

Quando abrimos os olhos muito rápidos durante o sono é sinal de que não estávamos em paz. Talvez seja isto o que as pessoas mais querem hoje, e é o que menos temos feito uns com os outros.
Existe uma sombra em meu coração, que ainda não sumiu com o amanhecer do dia. Em meus sonhos, sensações ruins do abandono. Na mente ainda uma inquietação, afinal ainda não sei se era eu que tinha sido abandonado, ou se era eu que estava abandonando.

As trevas moram no coração de cada homem e a discórdia é sua aliada. Basta uma pequena dúvida para causar uma sombra no coração inteiro. Não adianta ter toda a tecnologia nas mãos se não soubermos falar.
Tenho vontade de correr para longe como nos sonhos; olhar novos horizontes, ver novas chances. Mas ainda não sei se isto seria abandonar, ou procurar.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Respire devagar... E aproveite a brisa


Um ar quente bate em meu rosto enquanto penso. Não faz sentido falar das coisas do coração quando tantos outros mais já falam.
O mundo não precisa de mais gente cega pelo vermelho, e nem arrogante pelo cinza.
Sempre suspeitei das coisas, e pessoas, que em meu peito fala para não me importar. Hoje talvez me importe menos da metade do que queria, e sofro o dobro do que planejava.

As dores trazem consigo algumas reflexões, e o conhecimento de nossa própria história nunca provou ser tão importante. Nosso passado ajuda a construir nosso futuro, e muitas vezes só conseguimos colher aquilo que plantamos em nosso jardim.

Nossos valores podem mudar o curso de uma batalha, eu sei, e ficar agarrados neles pode ser uma feliz decisão.
Faz muito tempo que tento mudar as coisas, as pessoas, para enfim o mundo.
Hoje o que mais quero é  me sentar no canto, encher um copo com água gelada e descansar sob este céu laranja, aproveitando a tarde quente de mais um dia cheio de esperanças.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Negro Como: Solidão


Cá estou, novamente, sentindo o calor do vento.
Será que estive virado para o lado errado todo esse tempo?
Mesmo que hoje fosse o dia da família,
Como posso sorrir despreocupado,
Se cada pedaço do meu coração está em um lugar diferente?
Desenho círculos no chão, com um pedaço de tijolo,
E como cada tijolo vem acima do outro, como cada prego desaparece após uma martelada e como a chuva precisa cair no maior lugar possível, é assim que a vida precisa prosseguir.
Fila indiana,
Reforma ortográfica,
O clarão sem o som.
Enquanto uns escrevem, outros apagam. 
E eu continuo desenhando círculos no chão.
Esboçando corações. Lembranças. Desejos de uma vida que ainda está no futuro.


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Negro Como: Títulos


Então ela pediu, olhando-me com o canto dos olhos:
É este o teu namorado?
Respondi, intrometendo-me:
"Namorado" é um título. E o título não traz consigo o sentimento. O sentimento sim, traz o título, ou não, é facultativo.
Quando há respeito, há carinho, há afeto e cuidado, não precisa haver título, porque o sentimento já é forte e está presente por si só.
Porque alianças e títulos não perduram relacionamentos.

Então, se eu te amo, por que preciso ser alguma coisa teu, além de teu amor?


domingo, 23 de dezembro de 2012

Negro Como: Eu Amo Você


Amar é dizer sim,
Mas também dizer não.
Se um dia já amou, então é preciso respeitar, 
Saber dizer que já acabou.
Se eu soubesse o quanto dói amar, é óbvio que nunca sentiria isso,
Mas como posso fugir de um sentimento que faz a nossa vida girar,
Do mesmo jeito que os cometas giram em torno do Sol, iguais,
Até mesmo nas épocas em que tudo é mais brilhoso, em que o cometa se aproxima do astro rei..
Eu não posso ser tolo de pensar que ninguém vai entender estas palavras.
Todos as entendem. Uns somente não sabem como lidar com essa compreensão.
Amar vai muito além de querer o bem, querer ficar junto e querer dar e receber carinho.
Amar também é ser paciente, conseguir esperar pela hora certa,
Amar também é olhar no fundo dos olhos e resistir à tentação de roubar aquele beijo que acompanha suspiros.

Tome esta flor, ela representa o meu sentimento: Ela é viva e linda. Mas ela não vai durar pra sempre. Aí a diferença entre o sentimento e a rosa.


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Virar o Rosto para Não Ver


As fotos passam, um homem como um ator, presente em todas elas.
Os lugares, as companhias, as roupas.
É tudo isso que ela queria ver, era em todas essas fotos que ela queria estar, era ali, junto a ele, sorrindo, feliz e bem-sucedida que ela sonhava em estar.
E não aqui, do meu lado.

Eu prefiro virar o rosto. Eu não quero ver isto.


Guantánamo


Quem ama não espera que dê certo,
E quem bebe também não espera ficar bêbado.
Vamos lá, me dê mais um gole, eu só quero me embriagar,
Enquanto encaro a imagem de Jesus na parede, com um tanto quanto ironia...
Já que nessa casa nada entra além de violência, sexo, drogas, álcool.

Quem ama sempre espera que dê certo, já que entrega o pensamento, entrega o tempo, estraga o tempo, perde o tempo, entrega o coração e qualquer esperança. E depois que tudo acaba só encontra no vício a cura para suas dores.
E os vícios aqui não são somente os que mostram na TV, ninguém mata outrém por amor, já que é o próprio coração quem cai em uma cova.
Estas pessoas machucadas sentimentalmente agarram-se em outras, sugam suas energias, sugam suas ideias, seu tempo, estragam seu tempo, perdem o seu tempo.

Enquanto que pra mim nada disso faz sentido. Será que o meu coração é tão duro assim que não consigo derrubar mais que algumas lágrimas?
Já que o amor é tão diferente de um filme,
Pois em um filme o começo é chato e o fim, emocionante, vitorioso, relembrável. E o amor, o contrário.

Eu deito no escuro para enxergar melhor as estrelas, os movimentos delas, o brilho delas. Ou devo estar muito bêbado, mas até parece que elas se movem no céu, brincando comigo. Que ironia é essa, em que eu fico no escuro, afim de estudar a noite, mas tenho medo de ficar sozinho?

Desculpe-me Senhor Jesus, você de coração aberto nesta imagem, que traz consigo as palavras "Ame o próximo como a ti mesmo", mas não consigo compreendê-lo, eu não consigo entender, a vida parece um cubo mágico, onde a cada cor que acerto, dez cores eu erro..

E aqui mesmo as palavras saem tão facilmente, diferente do dia, em que elas patinam, insistindo em voltar para a minha garganta.
Não me abandone!
Não. Eu não queria dizer isso. Se for pra ser será.

Razão e emoção, nada disso existe, só existe mesmo aquilo que você deseja, aquilo que você quer e que dá um jeito de alimentar mais e mais vontade de realizá-lo, e então você toma a decisão.

Eu amo ouvir tantas músicas. Mas nunca encontrei uma que resumisse o que eu sinto. Nem mesmo se eu a escrevesse.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Longe

Toda vez que penso em alguém, chega até minha mente às mesmas pessoas.
Toda vez que elas aparecem, tento esquecê-las. 
Essa cisão não faz parte de mim...

Cantamos alto ao som da mesma música, não adianta compartilhar das mesmas motivações se não estivermos conectados. O mundo seria cinza demais sem aqueles que nos oferecem proteção.

Levanto minha cabeça, não se pode estar em tudo, ou em todos. Meu maior medo é de desistir das pessoas que eu ainda acredito.

Toda vez que me preocupo demais com os outros, chega a até minha mente uma sensação de vazio.
Toda vez que o vazio aparece, tento esquecê-lo.
Estou jogando a sujeira por debaixo do tapete, não é mesmo?... 

Queria poder entender o motivo de sermos assim. Onde estão nossos malditos ideais quando mais precisamos deles? Não adianta jogar a culpa em outrem pelo que somos.

Estendo a minha mão, mas não posso alcançar todos, ou alguém. Meu maior medo ainda é de desistir das pessoas que eu acredito.

Estou preso, e ainda preocupado com meu futuro. Precisamos escolher qual caminho andar, mas é difícil quando se está longe da estrada.
Olho para muitas direções, muitas delas me afastam de minha sanidade. Por quanto tempo me manterei humano estando sozinho?
Sempre foi assim. A união ainda é o melhor caminho, seja quem for.

Hoje penso um pouco sobre os outros, que sempre acham que não vou dar conta de minha própria realidade, e que estarei só por toda a vida. Mas, quem foi que disse que não ficarei bem?

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Até Parece uma História

 
Eu estaciono o carro em frente a casa dela, ainda planejando o que fazer,
Enquanto ela levanta da cama, passa uma escova nos dentes e uma blusa nos braços,
E nos encontramos na porta, olhos brilhantes, sorrisos que não se podem segurar,
Só para um abraço e um punhado de beijos,
Um "cuide-se" que ficou no ar.
Eu não sei, até parece uma história de amor.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O mesmo de sempre

Por quanto tempo estamos dispostos para esperar por alguém?
Às vezes meu silencio só demonstra minha pior fraqueza, meus piores pensamentos, minha maior inaptidão.

Não adianta ouvir, seja lá qual for o lado, se os ouvidos estiverem tapados. 

Toda vez que me lembro de meus sentimentos, aqui guardados por demais, penso o quão frio às vezes me mostro, e o quão frio os outros também são.
Buscamos por sinais, ou pelo menos uma pequena amostra, alguma manifestação afetiva daqueles que não demonstram da maneira mais comum. Como eles conseguem e ainda ficarem bem? Eles estão realmente satisfeitos? Não adianta em nada ter muitas perguntas e poucas respostas...

Sabe aquela sensação de que as coisas estão fugindo de você? Elas correm, mas eu também ando na direção oposta. Lidar com os outros é uma das coisas mais difíceis do mundo!

Eu me preocupo apenas com meia centena de pessoas, e elas já são o bastante para preencher meu universo inteiro; Machucando minha existência, afunilando minhas relações. 
Não adianta lutar por quem não luta por você, da mesma forma que não adianta insistir numa batalha já perdida. Aceitar a derrota é o primeiro passo para os vitoriosos

Ah, mas é claro... isto também já é clichê demais para minha mente altamente racional.
A inteligência trás consigo também a arrogância. 

domingo, 9 de dezembro de 2012

Ame-me, Lembre-se: Me Tire Daqui


Leve-me para o mar, onde eu possa esquecer o que eu deixei pra trás,
Onde as minhas escolhas não façam haver tempestades,
E onde o meu grito de liberdade não seja mais alto que uma prece em quatro paredes.

Antes enfrentar um mar tempestuoso a um coração partido.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Lição das Trevas: Epitáfio

"As nuvens engoliram tudo.
Esse é o horror que a vida carrega? É estranho demais pensar que uma ora estamos aqui, e depois não estaremos mais. Qual é mesmo o sentido da vida? Viver é lutar contra a morte... lutar o tempo todo."

Abri os olhos com receio do que podia ver. Estávamos cobertos pela terra marrom. Não havia sinal de mais nada além do grande vazio que sucumbia todo o nosso redor. Fazia silencio lá fora, e dentro de mim o frio que cobria meu coração durante todo este tempo parecia se acalmar.
Ele está por perto, seus olhos já estavam abertos quando percebi sua presença, via os dois claramente pela primeira vez. Congelei por um instante, receoso em não saber o que fazer, olhei para o alto, já estava amanhecendo novamente. O que ele fará agora?
Jamais pensei que este dia chegaria. Uma estranha sensação passou pelo meu corpo, uma espécie de calafrio. Não era bom, mas também não parecia ruim. Ele respirava com dificuldades e algo nele estava  se esvaecendo. Meu coração se abafava novamente.

- Então quer dizer que um final existe? - perguntei, mas Ele não respondera.

Sentava lentamente ao seu lado. Seu corpo tinha parado de emitir aquela aura agressiva que me distanciava dele. Estava vulnerável como todos nós.

- Escuto o som dos sinos tocarem o balançar de uma despedida. - disse Ele com a  voz tremula - Consegue ouvir também? Os violinos já tocam  harmoniosamente, se despedindo do Piano Negro.

Não conseguir evitar, as lágrimas desciam mais uma vez. Estavam secas, mas molhadas o bastante pata limpar a sujeira de meu rosto. Por que choro tanto?

- Desde o inicio é o que tu tens mais feito.
- Sou mesmo tão inútil. No fim das contas por que não consigo celebrar minha própria vitória?
- Talvez uma vitória plena não exista.
- Quem sabe... nada disto nunca existiu.

Ouvia Ele pela primeira vez com atenção. As dores que sentiam não eram mais fortes que minha vontade de tocar em sua mão uma única vez. O coral do fundo também cantava ao som de um momento final. As coisas se despediam aos poucos. Consegue ver o céu chorar? Tudo aqui parecia se despedir.
Uma gota. Apenas uma gota foi o que desceu de seu olho azul direito. Fixava toda a minha atenção em sua expressão vaga e sem brilho. Quando sua lágrima molhou a areia do chão pude ter certeza que ela era real. Qual é o motivo, dor?

- Lutamos sempre pelo que vale a pena. Caso contrario nem chegaríamos a tentar. Toda história tem um fim, toda guerra também. O que difere é o que fizemos durante todo o percurso. - disse Ele.
- Eu lutei por muitas pessoas e coisas que não valeu a pena lutar.
- Não adianta se culpar mais uma vez, as pessoas que deixamos de lado não voltam para nós. E se voltarem, já não são as mesmas de antes.

O tempo passava devagar. O som de um piano triste tocava nos meus ouvidos. Eu sabia que estava no fim, mas algo em mim queria voltar para trás, queria fazer diferente. O que está acontecendo?

- Uma vez me perguntastes se estava satisfeito com o que me tornei. A resposta é não. Sempre tento ser alguém melhor, mas as coisas tendem a dar errado, como deu no fim. Eu não tenho mais escolhas, eu não tenho mais quem ser!
- Angustiado pelo próprio caminho que escolhestes? Persistir no erro já é uma escolha, sinta-se feliz com ela. Ser o Arauto da luz nunca foi uma missão fácil.
- E nem sempre ela é o mais certo, não é mesmo? Vivemos tão cegamente um ideal que às vezes esquecemos-nos dos idéias dos outros e iniciamos todas as calamidades do mundo. Por que é tão difícil viver em harmonia, afinal?
- Com a morte, aprendemos a viver. Apenas quando deparamos com o fim, o destino de todas as coisas, é que percebemos o quão breve somos para ficar  perdendo tempo com nossas arrogâncias.
- É esta a importância da fraternidade, então? Manter unidos mesmo sabendo de nossas falhas, mesmo sabendo de nossa condição. Individualismo nunca nós levará em nada. Mas conviver com os outros é sempre tão difícil. Existe sempre um outro alguém que nos quer mal, que quer nos prejudicar. O que fazer com eles?

Ele respirava com dificuldades. Seu tempo estava se esgotando. O coral cantava mais forte, o final é eminente.

- Se você continuar julgando-os assim antes de conhecê-los, jamais abrirá espaço para o dialogo. Muitas vezes somos nós próprios os causadores de nossos males, e não alguém de fora. Conviver com nossos medos, nossas perdas, nossos sofrimentos é muito mais complexo do que lidar com os outros. É como um oásis: belo, mas perigoso.

Ele fechou os olhos por um instante. Lágrimas saiam de suas pálpebras fechadas. Desta vez elas saiam de dor. Quando voltara a abrir os olhos algo não parecia normal. Ele estava cada vez mais sem vida.

- Não! Por favor, me ajude, não quero me despedir de você também! Nossa história já tem perdas demais, me ajude a me tornar mais humano, não me deixe sozinho nesta terra utópica e desgraçada. Por favor...
- Este é apenas um fim. O final de um ciclo que se fechou. Outros mais irão se abrir. Não se entregue junto de mim, fique aqui para provar que eu existir.
- Mas você sempre esteve comigo, sempre me pós para cima! O que farei agora nesta terra desolada, sem ninguém? O que o devo fazer?
- O que fazer para se levantar na escuridão? Não adianta mais me perguntar, você sabe a resposta. - disse Ele numa voz fraca jamais vista por mim - Celebre com a Luz! Parece que finalmente estou indo embora, eu já não tenho mais uma lição para você.

O piano tocava lentamente. Quase não se escutava o barulho de nada ao redor. O que fazer para levantar na escuridão? Foi tão obvio como se já estivesse calejado de saber. Em movimentos leves levantei meu corpo quebrado. Estava de pé quando surgiu a primeira alvorada do novo dia. É como nascer de novo. O coral triste que parecia acabar voltava mais forte, como uma orquestra que tem altos e baixos, pausas e picos. Olhei para baixo sem acreditar que meus pés estavam de pé. Via-o Ele sorrindo satisfatoriamente para mim. Então era apenas isto que ele queria? Manter-me firme...

- Vou continuar porque sou humano. - disse sem medo de errar - E isto implica em ser forte e perseverante. Mas também sou fraco, admito. As vezes que perdi superam em números minhas vitórias. Minha força então vem delas? Das derrotas?

Não havia sinais das nuvens negras no horizonte. Aliais, não há sinal de nada, pessoas ou natureza. A guerra em seu final nos mostra toda a nossa selvageria incondicional. Somos capazes de aniquilar todos nós se não soubermos usar nosso conhecimento.

- A humanidade acaba quando seus significados desaparecem. O que ainda te liga a este mundo? - disse Ele, tinha virado a cabeça em minha direção.
- Eu não sei, mas vou me manter de pé até chegar meu momento de partir - secava os olhos. Observava o sol nascer gloriosamente em nossa terra. Aos poucos os pássaros voltavam a dominar os céus varrendo a tristeza, construindo novos ninhos mais uma vez. - O que você quer que eu escreva em sua lápide?

Ele sorriu. Olhou para o céu enquanto desabotoava suas grossas roupas. Era como se quisesse tirar o peso de se seu corpo para enfim ir em paz. Suspirou profundamente e fechara os olhos para sempre.

As nuvens engoliram tudo, eu sei, mas não é fim. Esse é o horror que a vida carrega? É estranho demais pensar que uma ora estamos aqui, e depois não estaremos mais. Qual é mesmo o sentido da vida? Viver é lutar contra a morte... lutar o tempo todo. Você me ensinou a lutar. Obrigado por tudo, amigo das Trevas. Descanse em paz.


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Negro Como: Seus Olhos


Quem é real, 
E quem só pretende ser?

Enquanto as crianças imaginam,
os adultos choram.
E quem são mais felizes?

Tem uma parte de mim que não gosta de nada.
E o Nada continua o mesmo,
E mesmo assim eu ainda ouço as mesmas vozes.
E quanto mais terra eu retiro do buraco, 
Mais me sinto sufocado.

E, contra todas as chances,
Quanto mais tarde da noite ficava, mais aquele par de olhos negros me faziam sentido.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O que Sou Eu?



Será que vou conseguir escrever essa história?
As minhas mãos tremem, o papel parece se dobrar contra o meu lápis e as minhas pálpebras carregam tijolos.
O que fazer quando o exército todo rende-se?
Não interessam as cores, nem os cheiros e nem as imagens, mas sim os sentimentos.
E os exércitos de mim mesmo, que jogam agora suas armas ao chão, 
Os lenços, os lápis, os papéis, as histórias e as mãos, estas ao céu, nada disso interessa.
O ato de fazê-lo não importa, mas sim o motivo.

Da boca pra fora, tudo, além de perfeito, funciona e é pra sempre.
As minhas pálpebras tremem com tantas lágrimas, dando a sensação que o lápis dobra-se contra o papel, que apesar de tanto choro mantém-se seco, como se quisesse que eu terminasse de escrever essa história.
Sou eu, contra um exército inteiro.
Mas eu os vejo bater em retirada, e, pobre de mim, ao invés de olhar para trás e ver o que os assustou, fico feliz pensando que sou eu o motivo de tanto medo.

O que sou eu?

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Pra Não Tocá-la, Melhor Nem Vê-la


Como se fosse possível não perceber quando ela passa.
Fico escalando o muro imaginário em minha frente,
Eu preciso ver além dele.

E se soubéssemos o que aconteceria, lutaríamos pelos nossos sonhos?
Ou então saberíamos com precisão a escolha certa a tomar.

O suor que escorre pelo meu rosto
E a cachoeira que abastece o teu carro.
E que os nós da nossa vida possam desfazer-se nesse novo dia, ou então pelo menos possamos esquecê-los..
São sempre as mesmas discórdias,
Um não infantil para a salada no prato
Um não adulto para um amor verdadeiro.
Porque os problemas não mudam de intensidade, só de rótulo.
Eu sei que vivo na pressão da escolha, da decisão,
Como se eu pudesse trocar a música que está tocando no rádio,
Como se eu pudesse escalar o muro que me separa do mundo e poder trocar o branco ofuscante do dia pelo negro da noite.

Como se um dia, pelo menos um dia na minha vida, eu pudesse tentar esquecer o futuro e olhasse para o passado, pois ali estão os fatos irremediáveis, os erros que não posso repetir, os acertos que devo me basear, as canções que me fizeram chorar e as que me deixaram pronto para uma nova luta. 

Não tenha medo do meu mundo meu amor, porque nele as dúvidas tornam-se sentimentos fortes como um tornado, mas lindos como o olho do furacão visto do espaço.


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Não me aperte, não me deseje: me deixe ver



Hoje é um dia  novo. Velho, mas novo dia.
Vejo novos olhares, novos formas, mas um mesmo amor.
Quando deparamos com estes pensamentos será que estamos apaixonados?
Ou será que é só mais uma fase, prestes a iniciar, e já com data marcada para terminar?

Ei, não me aperte, preciso de ar para respirar.
Se o abraço é muito forte não consigo te ver.
Mas não se preocupe, te agradeço no final; o que se manda para o universo sempre volta para nós.

Sabe o que mais gosto nas pessoas? Os olhos.... a forma que o olho delas veem o mundo. 


Duas Emoções, Mil Caminhos


Estamos em uma sala totalmente branca, como se num tabuleiro de xadrez.
Ele está ali, no meio da sala, parado, olhando para baixo, pensativo.
E eu, um pouco amedrontado, estou aqui escondido, analisando-o.
Eu o conheço há anos. Eu sei tudo sobre a vida dele, e ele nunca precisou proferir uma palavra para que eu o entendesse. Mas são os últimos acontecimentos que o tem deixado atônito. Eu sequer consigo ler os seus pensamentos, como se ele tivesse construído uma parede em volta dos seus sentimentos, para que ninguém mais visse, ou julgasse, ou interferisse.
Eu o conheço muito bem. Ele sempre foi sentimental, ao extremo. As suas escolhas sempre foram as da emoção em primeiro plano, pois, como costumava gabar-se: "Eu ouço o meu coração."
Porém hoje esta frase está o matando. Não existem mais dois caminhos distintos á sua frente; Mas sim, milhões de combinações diferentes, pois agora ele não enxerga somente o que está imediatamente de cara para si; Agora ele enxerga além-mar, agora ele calcula quocientes de felicidade, de tristeza, de sorte. Agora existem duas essências em cada mão: Emoção e Emoção. 
Eu tento chegar mais perto dele, mas ele tenta me reprimir. Ele me olha, primeiro com um olhar ameaçador, depois com um olhar suplicante. O que está se passando dentro dele?

No meio da sala há um lustre, e, conforme eu me movimento, as sombras que projeto quase parecem-se com um cavalo.
Desculpe-me se eu não posso te ajudar.


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Negro Como: Dúvidas


Sabe, todas as noites eu deito imaginando que o amanhã vai ser melhor,
Procurando aquela sensação de alívio que sinto quando estou no meio de um pesadelo e acordo, e então percebo que nada existiu. 
Eu que achei que isso nunca aconteceria comigo, que cresci em meio a muitas facilidades, perdi a minha virgindade no momento em que coloquei os pés fora de casa. 
Aí então conheci os amigos, os inimigos, os pseudo-amigos. 

Espere eu respirar fundo..

E nem vou ficar me gabando, eu ainda não entendi o mundo nem sequer pela metade. E eu nem senti a amargura total da vida, sequer pela metade.
Mas eu entendi uma frase que ouvi há tempos:
" Se quiser derrubar um guerreiro, primeiro ataque seu coração. "

Todo mundo precisa de um momento só. Uns mais que os outros.
Me deixe sentir o ar puro das árvores...

Estou sozinho em um campo. Eu procuro o cavalo branco, eu admiro sua imponência pelo brilho do sol nele. Mas ele me dá as costas, e nisso aparece um outro cavalo, negro. Este sim me olha no fundo dos olhos, demonstrando desconfiança, raiva. Por duas vezes ele faz menção de não me querer ali perto. Eu continuo em contato visual, porém um pouco mais distante, amedrontado ainda pela ameaça. Eu preciso alcançar um objetivo, mas entre nós está o grande cavalo negro. O que fazer?

Lute.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

P.S: Ou raciocinar com as duas?

Às vezes acho que somos sensatos por de menos.
Deixamos nos levar sempre pela racionalidade das coisas e esquecemos um pouco de nossas emoções.
Nossos sentimentos sempre são inferiores ao nosso cérebro.

Ei, você é humano como Eu? Pergunto porque não parece. Sua apatia não me deixa chegar mais perto para ter certeza. 
Certezas...Ah, mas é claro! Isto também é característica de nós, humanos. Precisamos estar certos o tempo todo. Você também está cheio de tudo isto?

Aí vem aquela mesma ideia que estamos cansados de ouvir por aí...

Abandone as emoções! Eles obscurecem as verdades, elas enganam o homem, ela te impede de pensar!

Bobagem? Talvez.
De certo modo uma é mais primitiva que a outra, mas e daí? Até que ponto abandonar o homem das cavernas para virar o homem da tecnologia é a melhor solução? Se realmente soubéssemos ser racionais as coisas não estariam como estão agora. Muitas vezes não podemos mostrar o que sentimos por conta de um ideal. Isto que turva a mente, isto que nos impedem de crescer! Existe algo de muito pobre do ar...

Queria ver as coisas diferentes, ao menos uma vez. Caminhamos por uma via tão confusa que já não sei se ainda continuo humano. Para falar a verdade, já não sei mais qual é seu verdadeiro conceito.
Consegue ver? Ainda continuo buscando a mesma razão, mesmo quando eu digo que podemos conhecer bastante com nossas emoções. Isto parece uma maldição...
No fim das contas parece que nossos juízos estão todos alterados, ou no mínimo não condizem mais com nossa realidade. Tem algo de muito podre no ar, e não é apenas uma fruta madura demais.

Sonhei com as coisas fugindo de mim, como se não quisessem mais ficar aqui. Não podemos ficar na imparcialidade o tempo todo e então decidir parar e refletir: O que é melhor, pular na piscina fria das emoções ou se cobrir sobre o véu apático das certezas?


sábado, 17 de novembro de 2012

I Love U: Apagar as Dores


Quando é o coração que dói, não há muito o que se fazer.

Que perfume é esse no ar desde que cheguei? Você esteve por aqui?
Meu peito dói, como eu queria que aquele olhar fosse meu.

A maior dúvida não é o quanto eu poderia te fazer feliz, pois seria muito,
Mas é o quanto você me faria feliz?
A minha cabeça dói, e como eu queria que aquele abraço fosse meu.

Se tem uma coisa que eu aprendi em todos esses anos é que podemos passar por cima de muitos problemas, exceto os da emoção. Estes, só o tempo traz a cura.
O meu corpo todo dói, e como eu queria que aquele "amo você" fosse meu um dia.

Mas o tempo vai passar, aliás, já passou. E o melhor que eu vou poder fazer é aconselhar as próximas gerações, se é que elas terão interesse em aprender tais coisas. Se é que essas coisas vão fazer sentido daqui a tantos anos...


Scutum



Eu ainda me pergunto...




... O que tanto me incomoda?
Certo dia deparei com um lado de mim mesmo que desconhecia. Isso acontece com você também? 
Às vezes vivemos um sonho de imagens reais; E às vezes não queremos acordar.

Preso em mim mesmo eu sigo em frente, na inocência de achar que não existem chaves para abrir esta prisão.
Não existe diferença entre o prisioneiro e o carcereiro. O escudo que carrego não me deixa ver o futuro, no qual vou me deparar um dia.

Por que não existe uma solução?
Por que não existe quem me entenda?
Por que não existe nada além de mim?

Só colhe pêssegos quem plantou um dia a semente do mesmo fruto.

Somos responsáveis por nós mesmos, é claro.
E estamos todos conectados com nossa própria história.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Negro Como: Seus Cabelos



Você pode me proibir de te ver,
Pode me proibir de conversar com você,
Mas você nunca vai conseguir me proibir de te amar.

E isso eu já faço.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Lição da Luz: O Valor de Alguém


Escrevemos tanto sobre o amor que nos esquecemos da maior virtude dele.
Escrevemos sobre andar de mãos dadas, sobre enaltecer o par,
Mas as vezes nos esquecemos de nossas bases, aquelas outras pessoas que andam perto de nós.
Por mais que algumas delas deixem nossos caminhos por vontade própria, por mais que outras tenham que sair, elas são inesquecíveis, cada uma de seu modo.
O ser humano necessita dos amigos. E cada um, filosoficamente falando, agrega mais valor e conhecimento para nossas vidas.
Um amigo pode ser engraçado, pode ser irritante,
Um amigo pode ser sábio, prudente,
Pode ser amigo.
O que mede o valor de uma pessoa é a falta que ela vai fazer nas nossas vidas.
E o que importa não é se essa pessoa te deixou triste, feliz, magoado ou bravo. O que importa é a lição que ela te fez aprender.


Como Seria?



Nós vivemos em um mundo de escolhas,
Onde cada uma dita cada sofrimento, cada felicidade, cada sorte.
Como seria aquele beijo? Como seria aquela cidade?
Deus sabe que eu deixo a cabeça embaixo do chuveiro minutos a fio pedindo para que tantas dúvidas escorram ralo abaixo,
Mas eu continuo sabendo que não é como a vida é,
Mas como ela seria.

Pseudo Paz

E a guerra se declara mais uma vez.
Ultimamente não se pode dormir em paz, existe sempre algo que não sai de nossa cabeça, querendo nos enlouquecer, uma agonia fantasma que só existe em nosso cérebro robotizado.
Quanto mais você significa algo, mas sentido ele fará.

O que te afeta?

As coisas parecem estar erradas, mas é um errado pertinente, um errado certo, um errado que parece fundar todas as outras formas de organizar o pensamento. Consegue entender? Um errado certo...

As pessoas acham que falta amor na vida delas, outras acham já tem demais. Aquelas ali acham que precisam de Deus (ou de deus) enquanto outras irão viver negando a existência dele. Também temos os cientistas! Ah, estes se acham os detentores da razão, pobres coitados parecem que não percebem que acabaram de fundar outra religião.
E o mundo parece estar girando assim. Se você nasce, é só mais um. Se você morre, também foi só mais um. E o sentido das coisas parece se esvaecer.

O que é mesmo que te afeta?

Essa inquietação é descomunal. Não sabemos o que pode acontecer, mas sempre desejamos o melhor. O melhor... melhor para quem mesmo? Este mundo pseudo contemporâneo parece sempre ditar as regras. Estamos tão modernos quanto antigamente.
Nada parece certo, um errado irritante, mas com poucas chances de mudar.

Estou decepcionado, e às vezes acho que o que sinto já está se organizando em pensamento...


domingo, 11 de novembro de 2012

Turbilhão de Sensações


Espero que esse turbilhão de sentimentos, de sensações, de dúvidas e de ideias nunca deixe a minha cabeça, pois é assim que eu gosto de ser, de pegar um papel e não me decepcionar.

Já que existem tantas outras coisas para entristecer...

Vermelho e Negro Como: Amar


Abri os olhos e percebi que estava sozinho.
Por quanto tempo caminhei só? Eu nem sabia onde estava, muito menos de onde tinha vindo. Mas sabia que ela estava comigo. Pra onde ela foi?
A paisagem a minha volta era fantástica. O campo era tão bem cuidado, como se artificialmente. E as árvores, cheias de cores estonteantes, somadas ao pôr-do-sol que dava um brilho alaranjado fascinante em cada folha.
Por um momento fiquei deslumbrado com o banho de cores e sons.
Mas então, como um turbilhão, as lembranças voltaram. Tempos bons, cabelos ao vento, aquele olhar doce e infantilmente inocente voltado pra mim. Cada toque era algo novo, como se nunca em minha vida houvesse tocado outras mãos ou outros lábios.
O sol já havia desaparecido, e a noite trouxe consigo tons negros para a paisagem. Há muito eu já tinha voltado a andar, por mais que fosse sem direção. Lembro de ter olhado para trás, mas um sentimento muito forte dentro de mim fez com que eu seguisse em frente. 
As mesmas florestas que antes me fascinavam agora estavam cheias de olhos, olhos grandes e brancos, outros vermelhos. Os pássaros que antes voavam graciosamente entre os galhos, agora mordiam-se uns aos outros, criando vertentes de sangue em suas penas. Eles seguiam minha silhueta no escuro da noite conforme eu passava. Eu sabia que estava sendo observado e temia que pudesse ser atacado a cada momento.
E a cada momento eu clamava mais e mais aquela desconhecida. Eu sabia, eu recordava que com minha mão junto a dela eu poderia passar por perigos maiores, por desafios maiores.
Mas então eu percebi. Aquele ambiente era minha vida. Com ela, eu via tudo da sua melhor forma possível. As coisas eram mais fáceis, as pessoas era mais belas e confiáveis. Eu sabia que algo havia acontecido para ela se perder de mim. E isso me fez fechar os olhos para todo o resto, fosse por tristeza, arrependimento, eu não sei.
Quando me senti realmente preparado para encarar o mundo ao meu redor novamente, eu percebi como ele é de verdade. As pessoas prontas para atacar a qualquer momento. A falta de confiança, a falta de beleza na rotina do dia-a-dia. Então eu percebi que amar de verdade é dar-se as mãos, sublimar tudo que não é importante, ajudar um ao outro a passar pelos desafios. É dar duas felicidades a cada tristeza.


Negro Como: A Prisão



Ela andava em círculos, com as mãos delicadamente pousadas sobre a cintura.
Sua cabeça estava abaixada e seus olhos semifechados, mas ela conhecia muito bem o ambiente: Era o seu quarto, o seu porto seguro. Em cima da cama, além dos lençóis desarrumados como de costume, estavam as cartas de um certo alguém. De onde ela estava não era possível distinguir as palavras, mas sim o coração estampado em quase todas elas.
Mais uma lágrima escorreu pelo seu rosto.
Ela então parou, olhou pra cima e gritou: "Por que isso está acontecendo?"
Seus punhos se fecharam, e com tanta força que suas pernas vacilaram e ela caiu de joelhos.
Ela ainda estava sem entender o fim. Talvez as pessoas, por mais iguais que pareçam ser, sejam tão diferentes quanto o fogo é da água. Ela era o tipo de pessoa que precisava tocar as feridas, precisava fazê-las sangrar e sangrar até curarem-se. Mas ele não aceitava isso.
Por que ela não queimava aquelas cartas naquele mesmo momento? A pessoa que havia escrito as palavras tão simbólicas naqueles papéis era a mesma que criava as feridas nela e que não aceitava as consequências disso.
Uma a uma ela rasgou. As primeiras na escuridão, devido ao banho de lágrimas que seus olhos tomavam. Depois com um sorriso livre e leve que começava a percorrer ela. 
Na última carta, a mais velha, a primeira, ela parou para ler. Tudo era tão bonito, tão novo, tão admirável. Tão perfeito quanto um final feliz de um filme romântico. Mas o que estava escrito ali, senão mentiras, falsas promessas, correntes que a haviam enclausurado por tempo demais?
Como as outras ela a rasgou. E no último pedaço ela encontrou um coração, o coração padrão de todas as outras cartas. Mas nesse pedaço de papel ela não encontrou nenhuma palavra, somente o símbolo. 
De uma vida nova, de novos dias, de novos amores e de novas decepções. Ou felicidades, como sua esperança dizia, como o sorriso de uma nova aurora que ela levava consigo dali em diante.

sábado, 10 de novembro de 2012

Negro Como: Pérolas


Se algum dia,
Eu pudesse te abraçar,
Nós pudéssemos ficar a sós 
E ninguém pudesse se importar com isso.

E se eu te beijasse, como seria? Teríamos o mundo todo somente para nós?
Queria que houvesse mais campos de girassóis por aí para atravessarmos ele de mãos dadas.

Mas para onde esses girassóis virariam, se o meu ( e o nosso ) sol foi embora? Como eu, eles ficam de cabeça baixa, enquanto a chuva escorre pelas linhas do meu rosto.
Se algum dia ele te machucar, posso aquecer o teu coração com um abraço?
Posso ficar a sós contigo, e, com isso, fugir dos olhares alheios que caem sobre mim como bigornas em cartoons?
Minha querida, não faria diferença nenhuma o que aconteceu antes, a minha vida seria o daqui em diante, o futuro, o céu.
Que custa em mostrar suas nuvens negras para mim.
Mas não, eu não tenciono passar por cima delas como muitas vezes já fiz,
Não que eu não tenha vontade, pois o caminho mais fácil é sempre o mais sedutor ao ser humano, 
Eu quero enfrentá-las, minha querida, junto com você.

Pegue esta rosa, ela é vermelha como o sangue que corre em meu corpo, guarde-a com carinho.
Com tanto carinho quanto eu guardo a imagem dos teus olhos negros, como pérolas, em meus sonhos.


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Vermelho Como: Céu


Não sei o que as pessoas querem, se é um pouco de atenção,
Um pouco de paixão,
Ou compreensão.
Como vai o seu mundo?
Quais são as coisas que se passam atrás desse vermelho?
Já parou pra pensar que você não é o centro do universo para eu ficar louco por você?
Por mais que eu fique..
Já olhou para o céu hoje e percebeu quais são as estrelas mais bonitas? Por mais que elas sejam todas iguais, o que as tornam especiais, únicas? São as definições que damos para elas. A nossa estrela, as estrelas que formam um rosto, uma caixa, um caminho para seguir, deixar o que passou para trás, deixar o impossível e o improvável de lado e abraçar um futuro brilhante, um céu de brigadeiro.
O mesmo acontece com as pessoas. Vistas de cima, todas são iguais, exceto detalhes físicos. Então o que é que as torna diferenciadas, apaixonantes, admiráveis?
Aliás, já parou para pensar no valor que você dá para cada pessoa? Supervalorizamos amizades, amores, fatos.
Eu não sei do que as pessoas precisam, é tudo tão sublimado hoje em dia. O que ainda não complicaram é que precisamos respirar.
Atenção, paixão, compreensão, Amor. 
Não precisa me entender, nem compartilhar fatos semelhantes de sua vida. Não precisa me dar atenção, somente me veja quando eu estiver em sua frente. Não precisa se apaixonar por mim, mas faça amor comigo como se fosse a última vez.
E por fim, não precisa me amar. Ame as estrelas e atribua uma a minha imagem, para que sempre que você se perca em lembranças ao procurá-la lá em cima, lembre-se de quando tirei teus olhos do céu e fiz com que se fechassem diante de um beijo tão ardente, tão atencioso, apaixonante, compreensivo e amante.


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Não me aperte, não me deseje: Me deixe sarar

É como se o tempo sanasse as dores.
Os olhos quando estão fechados veem melhor quando estão abertos.

Me cure, me ajude, me liberte, me afague , me abrace, me beije.

O sonho acabou.
 O tempo presente é o mesmo de ontem? Claro que não.
Não existe cicatriz que cure com o auxilio do tempo. A fruta verde sempre amadurece antes do fim da estação.
As pessoas mudam sem perceber, e ...

...as feridas sempre saram.


domingo, 4 de novembro de 2012

Lição das Trevas: Um fim

         Já era o momento de acordar. Minha cabeça rodopiava como um carrossel escuro e abandonado, prestes a ser demolido de um parque fantasma. Se havia algo que queria fazer agora era chorar para ver se as dores saíssem junto das lágrimas.

- Chorar mais uma vez? Isto realmente muda alguma coisa? - disse Ele decepcionado com minhas atitudes repetitivas.
- O que me resta fazer então, agora que tudo caiu? Estão todos mortos, tudo morto. A vida se ausenta mesmo quando eu insisto em chama-la de volta. Uma guerra nunca pode ter outro fim a não ser a destruição plena das coisas. Onde está a luz que tanto falam que carregamos no interior de nós? Neste mundo não existe mais nada que possa ser salvo...

         Ele não sabia me responder. Eu sentia isto! Encarava-me com o olho fixo, circulando em volta de meu corpo debilitado. A marca da devastação estava tatuada no corpo dele tanto quanto estava marcada no meu. No que vale a pena sofrer tanto? Lutamos por amor, igualdade, paz, justiça e o que mais? A humanidade está apodrecendo, e nenhuma gota de sangue parece valer a pena a ser derramada por estes homens escrupulosos e onipotentes, que cheiram a desobediência e orgulho. Talvez o mundo fosse  melhor sem eles, sem nós.

- Talvez? Agora está em duvida no que lutar? Você que tinha tantas certezas...
- Eu já disse. Lutamos por que planejamos um futuro. Que futuro tem estas terras negras? Que futuro terá se a única coisa que resta somos nós?
- Um fim chega para todos de qualquer forma. O que importa é como você lutou até o momento final.
- Eu queria... - comecei. As lágrimas voltavam a pingar, limpando o sangue coagulado do rosto - ao menos fazer algo que valesse a pena. Foi tudo em vão, tudo cairá no esquecimento. Este é o fim.
- A única forma de ser lembrado é estando ausente. Um herói apenas se torna Herói quando morre.

         Perguntava-me se ele tinha mesmo a razão, mas já era tarde demais para questiona-lo, as nuvens negras já estavam prestes a nos engolir. O que importa então é ser lembrado pelo que se tentou fazer?
        A escuridão vinha do horizonte como o poente de toda a luz. As nuvens negras estavam cada vez mais perto, eu nunca pensei que um dia elas chegariam. Ele as observa da colina, olhava com atenção como elas caminhavam engolindo todas as coisas. Logo em seguida Ele olhava para mim com preocupação, uma expressão de pena nos lábios, mas sem transparecer sua apatia. Centenas de pássaros voavam contra toda a morte, inutilmente, ainda procurando algum lugar seguro. Ele sabia que ao menos nisto, nada se podia fazer.

- Admita que Esse Mundo talvez não nos pertença. Nossa própria realidade sempre é diferente da que imaginamos. Você fala dos homens e de toda uma existência corrompida, mas de perto somos todos, apenas,... os mesmos humanos.
- Nada se pode fazer então?

         Ele não respondeu. Deu as costas para a escuridão que vinha em nossa direção. Os ventos soavam fortes demais e seus passos lentos mostravam pouca preocupação com o que estava por vir. Passou por mim esbarrando seus ombros nos meus como se quisesse me apontar para alguma direção, as mesmas que os pássaros fugiam por sobrevivência, as mesmas que Ele também seguia. Ele queria correr também, mas seu orgulho parecia não deixar... Por quê?

- Então, este é o meu fim? - perguntei, e ele parou de andar.
- Sim, é o inicio dele. Mas não é apenas para você; um fim é para todos nós.
          Então o Dia se esvaecia mais uma vez como um ciclo, que sempre insiste em continuar na alvorada seguinte. As nuvens negras alcançavam-nos finalmente, cobrindo o restante das coisas com agressividade e fome de destruição. Tudo parecia ir para os ares, e não havia mais nada ali que eu pudesse ver além do olho Dele olhando para mim.