Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Conto: Anjo da Vida

" Far out in space, I ride on, Time is chasing us all. " - Blind Guardian



Todo conto começa com local e data definidos.
Porém neste, dimensões variadas são irrelevantes, ininterruptas e estranhas.
Os senhores de engenho compravam escravos. Matavam por prazer. Gêngis Khan conquistava territórios pela força física. A era do gelo iniciava. A descoberta mais importante do ano foi a cura do câncer. Os nazistas matavam milhares em campos de extermínio.
Foi nessa época que Alan, conheceu sua amada Annie. E eles eram felizes juntos.
Alan viajava no tempo. Annie vivia na França.
Com o passar do tempo, Alan cada vez mais dirigia sua atenção à guerra. Estava decidido que, sem nazistas o mundo do futuro seria muito melhor.
As batalhas iam bem. O amor não.
Um dia Annie, andando pelas ruas de Paris, foi pega. Tratada como judia, foi morta.
Alan ficou possuído por uma raiva desigual. Matou cinco nazistas. Dez. Cinquenta, cem. Caçava-os vorazmente, um por um. Não tinha medo do porvir, sua única direção era para onde a máquina do tempo estava escondida. Iria voltar no tempo, salvar o seu amor, deixar a guerra seguir a própria direção.
E estava realmente perto. Corria, ofegante.
Um barulho. Um tiro. Dois. Alan fora acertado. Arrastava-se pelo chão, lágrimas corriam pelo rosto. Não iria conseguir. Sobreviver. Ver seus lindos olhos, que fora um dia as janelas do paraíso. Passar os dedos por dentre seus cabelos, que um dia fora a raiz do perfume mais doce.
Morreu com a mão esticada, jogada ao chão.

O ser humano, por mais que queira correr atrás de seus erros, mudar a realidade, corrigir seus atos e dar um basta na dor das suas consequências, voltar no tempo, não pode fazer nada a não ser aprender. Aprender e não errar novamente.

2 comentários:

André disse...

Gostei! Trágico, triste, poético!

Continue assim

Fran disse...

O bom mesmo é saber aprender com os erros e não insistir neles, mas nem todos agem assim, por mais errado que algo pareça tem 'seres' que não ligam ou fingem não notar e não veem isso como uma lição. Texto interessante e criativo, realmente não existem limites para uma mente fértil.