Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Anjo da Morte: Gran Finale

Boa tarde. Bom, devido ao resultado da enquete, hoje a história Anjo da Morte finalmente acaba. Espero que gostem desse desfecho, pois eu estava torcendo para que a história tomasse este rumo. Boa leitura! 
 
O Anjo da Morte; Parte 6: O Destino está em suas mãos


Analisando todas as formas de pensar, todas as probabilidades de que isso era só um sonho e que realmente era o que ele sentia, Richard pensou. Aquele dia era um bom dia pra pensar. Definitivamente. Tinha sido tirado do local de trabalho à força, sequestrado por um cara que nem sequer conhece e parado perto de um lugar do passado conhecido. Era insanidade ou era sonho mesmo. Pelo menos ele não tinha se estressado no trabalho e o clima local ajudava a cabeça a pensar. 

- Ok Gabriel, se são essas as duas escolhas que tenho, eu quero a minha família. Nada é mais importante que minha filha e minha esposa pra mim. Eu quero elas Gabriel, os amores da minha vida! 

Cidade Los Angeles. Dezembro, doze. Seis horas da manhã de uma boa sexta-feira chuvosa. Richard acordou de súbito, com o despertador chato tocando, que hoje não estava tão chato como de costume. Lembrou da sua escolha, de Gabriel, de Louis e de Janie e de uma felicidade muito grande que tomava conta do seu ser. Ele sabia o que devia ser feito.
Sete horas da manhã, ele em seu carro à caminho do trabalho. Ouvia uma boa música, ponte congestionada não estava na sua agenda. Motoristas loucos, só lá fora. Nada podia estragar um belo dia chuvoso de sexta.Chegou na sua loja e a primeira coisa que fez ao chegar foi ligar para um amigo, que além de amigo era confiável e que além disso, era candidato à uma vaga de gerente. Perfeito. Como era de se esperar ele aceitou a hora, pois era um salário bom. Irrecusável. Afinal, é o dinheiro que move a vida das pessoas, e era nisso que a vida de Richard girava em torno. Mas não mais. Aquela era uma sexta-feira que iria mudar a sua vida. Ele tinha tido a escolha e tinha escolhido bem.
Não demorou muito e lá estava ele, seu bom amigo. Richard deu-lhe as instruções, procedimentos e afins. Arrumou suas coisas e foi pra casa, pois lembrou que adorava a comida da sua mulher.

Louis também sentia que aquele dia era diferente. Fazia o almoço, Janie estava ajudando-a. Nem a chuva, nem o friozinho faziam-nas pensar em coisas tristes. E muito menos agora.
Richard estacionou o carro em frente de casa e foi andando em direção à porta. Janie viu o pai e veio correndo em direção à ele. Um abraço inevitável.

- Pai ! Eu sabia que você não ia me decepcionar.
- Ma-mas como?! Como você sabe, flor?
- Richard! O que me dá a honra de poder almoçar ao seu lado, ó marido trabalhador? - Disse Louis, em seu tom irônico.
- Amor! - Dizendo isso Richard beijou forte Louis, deixando-a quase sem ar.
- Eca! - Exclamou Janie.

Sentaram-se à mesa e almoçaram. Por pouco não faltou comida. E silêncio. Conversaram, riram, falaram de coisas que nunca tinham parado pra falar. Tarefas e estudos de Janie, necessidades de Louis. Aquela era uma boa família, um bom almoço e uma boa sexta-feira chuvosa. Richard até se esqueceu do tempo que não fazia isso, tamanha era a felicidade que sentia. Janie escovou os dentes e foi para a escola. O telefone tocou, Richard atendeu. Era o seu amigo que estava com problemas na concessionária, a mesma maldita burocracia de sempre. Richard relutante concordou em ir ajudá-lo, afinal esse era o seu negócio e ele precisava ensinar o novo gerente, a fim de que ele não precisasse mais de ajuda e entendesse todo o sistema.

- Louis, preciso ir lá ajudar o meu novo gerente, hoje e nos próximos dias talvez isso aconteça, mas quando ele aprender nós teremos o tempo todo pra nós.
- Tudo bem Richard, enquanto você vai lá e eu vou ao supermercado, fazer umas comprinhas.

Despediram-se e Richard foi rumo ao trabalho, enquanto Louis arrumava-se para ir ao supermercado.

Richard deu as instruções ao gerente, ensinou-o algumas coisas e explicou como deveriam ser tomadas as ações para determinados problemas que poderiam ocorrer. Olhou no relógio. Três e meia da tarde. Richard atravessou a rua e comprou um belo presente para Louis e pensou numa boa surpresa para ela. Já nem chovia mais e Richard entrou no carro e foi para casa. Estava cansado. Também, quem não estaria, tendo que ensinar mil coisas e falar mais do que deveria para fazer seu amigo entender. Bom humor não o fazia ser incansável, e ele sentiu isso. Deitou no sofá, planejando sua vida dali pra frente. Ligou para Louis e disse que era para ela, depois de ir ao supermercado, ir até a praia que ele a tinha pedido em casamento, pois ele tinha uma surpresa para ela. Pensando em tantos planos e tanta felicidade, adormeceu.

E do jeito que adormeceu, acordou. Sentia algo forte. Era no peito.
Olhou ao seu redor, grama, areia, chuva em meio ao sol. Praia, árvores e o mar. Gabriel e um outro homem, vestido igualmente a Gabriel, ao seu lado.
Era um sentimento forte, e não era a forte felicidade que ele sentia a algum tempo atrás. Era tristeza, e ele não sabia o porque. Gabriel sentia a mesma coisa e o olhava com olhos doídos e completamente tomados por lágrimas,dizendo, em meio a tanta tristeza:

- Desculpe-me, amigo.

Cidade Los Angeles. Dezembro, doze. Sete horas da manhã chuvosa de sexta, ideal pra dormir. Pena que despertadores não pensavam assim. Mas ele teve o que mereceu.
O despertador, uma batida forte.

- Finalmente quebrei essa porcaria! - Disse Louis, acordando cedo, como sempre. Mas hoje estava feliz e não sabia porque. Foi fazer o serviço, como todo dia, com um sorriso no rosto, como à muito tempo não fazia.
Aprontou tudo, deixou a casa brilhando.

- Janie, acorda! Me ajuda no almoço querida?

Pela vontade que a filha demonstrou levantando rápido, indo ao chuveiro tomar banho sem ser preciso repetir nada, Louis percebeu que aquele seria um dia diferente. Janie estava ajudando Louis de um jeito louvável. Louis fazia seu almoço, com mais carinho que o normal, quando, derrepente um carro parou na frente da casa. Janie saiu correndo abraçar o pai.


- Richard! O que me dá a honra de poder almoçar ao seu lado, ó marido trabalhador? - Disse Louis, em seu tom irônico.
- Amor! - Dizendo isso Richard beijou forte Louis, deixando-a quase sem ar.
- Eca! - Janie entrou em casa com cara de nojo devido ao beijo dos pais.

Almoçaram, comeram muito, quase faltou comida. Conversas não faltaram, e isso Louis estava amando. Sentia mesmo falta do marido, para conversar, para viver, para ser amada. Janie foi para a escola e Louis, como de costume a beijou na testa e disse para estudar bastante. Richard veio até ela e explicou que o gerente estava precisando de ajuda, e ela entendeu o marido, dizendo que também precisava sair, a fim de fazer compras no supermercado. Beijaram-se novamente, agora sem repúdio da filha. Richard pegou seu rumo e Louis entrou no chuveiro tomar um bom banho. Caía água lá fora e lá dentro do banheiro. Louis demorou quase uma hora para arrumar o cabelo. Estava feliz, muito feliz. Parecia que agora suas vidas iriam engrenar. Aquela era com certeza uma família feliz e nada podia estragar o dia de Louis. Pegou seu carro e foi ao supermercado. Fez as compras, afinal faltava coisas gostosas para se comer vendo filmes, passando um tempo com a família que se reerguia novamente.
Quando saía do mercado, Louis pensou em ir até a loja do marido encontrar o marido e irem juntos para a praia onde tinha sido pedida em casamento, pois era muito curiosa e queria saber logo o que ele iria fazer. Chegou lá. Entrou, mas não viu nem gerente nem Richard e nem ninguém. Voltou para o carro, fez meia volta e começou a sair da cidade, ansiosa para encontrar seu amor onde tudo tinha começado.
A estrada era boa e o carro era rápido. Foi aumentar o volume do rádio, aquela era uma música boa. Falta de atenção. 130 Km/h. Um grande caminhão. Buzinas e um clarão.

Era um dor forte. Richard não sabia porque, mas seus olhos estavam embaçados de tanta dor.
- Desculpas por que, Gabriel? E quem é esse do seu lado?
- Sou Rafael, irmão de Gabriel, Richard. Eu sou o Anjo da Morte.

Richard retomou a visão, olhou bem no rosto de Rafael. Só aí percebeu que ele carregava Louis nos braços. Richard correu em direção a ela, a pegou nos braços e queria que aquilo não fosse verdade. Mas era.
- E-ela está... morta? Por que? POR QUE ?!!
- Sinto muito, meu amigo. Eu não sabia.. - Disse Gabriel.
- Nós nunca sabemos o que o futuro nos reserva. - Disse Rafael, friamente.
- Maldito !!

Nos dias que se seguiram à tragédia foram sofridos para todos. Os meses também.
Cidade Los Angeles. Dezembro, doze. Um ano depois. Seis da manhã. Richard abriu os olhos, olhou para o lado e a viu. Janie durmia ali do seu lado agora. Olhou para a porta e a viu. Louis.
- Louis !
Louis estava vestida totalmente de branco e parecia que zelava por aqueles que ela amava.
- Durma agora, meu bem. Estarei aqui, quando forem dormir, quando forem acordar. Quando você for estudar, Janie. Quando você for trabalhar, Richard. Durma agora. Amo vocês.
E Richard obedeceu.

Fim.

O Anjo da Morte; Parte 1.
O Anjo da Morte; Parte 2. 
O Anjo da Morte; Parte 3. 
O Anjo da Morte; Parte 4.   
O Anjo da Morte; Parte 5: Intervenção. 
O Anjo da Morte; Parte 6: Gran Finale. 

Dedicado à minha mãe, meu pai, minha mana, minha namorada e à mim mesmo. 
Obrigado pela paciência de esperar e de ler isso tudo. Espero que tenham gostado. Hehe


Felipe Alexandre Bazzanella.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Anjo da Morte: Intervenção

Richard então parou para escutar Gabriel, entusiasmado com o que ele tinha para dizer. 

 - Amigo, vim à pedido da sua filha, Janie, pois ela está preocupada com uma coisa.

O chão daquele lugar parecido inteiramente uma grande capa verde, uma planície que dava, vagarosamente, lugar à areia de uma praia não muito longe. O clima ficava cada vez mais agradável, as preocupações da vida urbana desapareciam de suas mentes.

 - Mas como ? - Disse Richard confuso.

 - Ela reza, Richard. Ela espera uma coisa de você. Ela espera que você participe mais da vida dela, que a leve pra escola e que você fique mais com Louis também. Você chegou aonde todos um dia chegam meu rapaz, no cruzamento das estradas, deparando-se com as portas da vida, onde você faz uma escolha para sua vida toda, sem saber o que lhe espera. Talvez a morte te espere para ceifar sua pobre vida, talvez a alegria bata na sua porta e você simplesmente nao abra. Você agora tem a escolha. Primeiramente, você pode continuar caminhando ao meu lado, aceitar que sua família precisa de você, largar aquele seu emprego e trabalhar em algo que não tome todo seu tempo e sua paciência. O seu outro caminho é não aceitar o que te digo e então você acordará hoje novamente em sua cama, pronto para mais um dia de serviço. Em qualquer uma das escolhas você nunca mais me verá. Pense sabiamente, Richard.