Neurônio da Semana

Se temos a possibilidade de tornar as pessoas mais felizes e serenas, devemos fazê-lo sempre. - Hermann Messe

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Hora de faxinar...


...

Ouvi sua voz me chamando. Já estou indo, meu bem. A faxina já está quase acabando. Quanta bagunça! Não pensei que estivessem tão sujos os quartos. Arregacei as mangas e comecei a limpar a algumas horas. 

Tive que desfazer do que não era mais necessário. Só que perdi algumas coisas no processo. Coisas que eu achava que sem elas não conseguiria viver. Coisas... Coisas são apenas coisas... Tiveram suas devidas importâncias em seus devidos momentos. Vai ver que essas coisas voltaram para seus respectivos lugares, para onde deveriam estar. 

Também reencontrei aquilo que achei que tinha perdido. Minha essência, Minha Alma, Minha Individualidade Cósmica. Baguncei para aprender a arrumar e encontrei o que deveria achar. Revi algumas lições e reciclei aprendizados. A meta é manter a mente arejada, aberta e livre, livre como um pássaro. 

Doei um pouco do que tinha para quem necessitava e nas horas inesperadas, recebi apoio de quem menos esperava. Sorrisos surgiram de todos os lados e até mesmo nos momentos “desanimadores”, o consolo era imediato, como se a Providência soubesse do meu desamparo. Bem aventurados os que choram, porque estes serão consolados..

Você continua me chamando, mas pode ir à frente! Já acabei, mas irei descansar um pouco. 

Hã? 

Você irá me esperar? 

Não precisa. 

Heim?

O que é esperar algumas horas para ver o meu sorriso?

Você ganhou. 

                                                    Sente-se aqui ao meu lado. 

                                                                                    Vamos descansar, 

pois sonhos dão trabalho.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

...


Acabei de ler uma matéria numa revista de psicologia, que fala justamente do ser "responsável" pela consequência de seus atos, demonstrando ser um sinal de amadurecimento emocional. Entretanto, nem todos possuem consciência do mal que suas atitudes causam tanto aos outros como a si próprio. Relegamos muitas vezes, o direito que nós temos para desenvolver nossos potenciais de forma saudável, presos à velhos hábitos e resistentes como uma rocha a prenuncia de mudanças significativas.

Não estamos preparados, é óbvio.  Contudo, somos constantemente cobrados a ter em troca do ser.

Aprisionaram nosso gosto pela simplicidade, já se foram os tempos que conversávamos na calçada, brincávamos na chuva ou de irmos no vizinho, com uma xícara na mão, pedir um pouco de açúcar porque era tarde demais para ir na quitanda. Não subimos mais em árvores e nem corremos mais descalços. Estamos cansados demais. Estamos tão cansados, que é mais fácil passar horas conversando com alguém "virtualmente", do que trocar duas palavras com quem está ao seu lado...

Não aceitamos as diferenças, pois todos tem um papel a assumir no nosso palco interior, alimentado mesquinhamente por superficialidades, generalizações e rótulos, rótulos e mais rótulos. O que é, ô ser digno de piedade que escarnece na autocomiseração, ser responsável pelas próprias atitudes se não estamos totalmente prontos para assumir o tamanho da nossa mesquinhez perante ao mundo?

Sempre projetamos a falha que existe em nós no outro, esquecendo-se que a nossa sombra é muito maior quando tentamos reluzir um brilho que não é nosso. E por debaixo desse "brilho", o que vemos são faces enferrujadas, carecidas de um espontâneo sorriso, cujo olhares transmite o mais inóspito desespero...

É nessas horas que a "esperança" se esvai e me vejo sozinho no mais completo isolamento, silenciado por uma angústia que me abraça amigavelmente, fazendo-me sentir responsável pelo peso que carrego... Mas isso é momentâneo e por algumas horas, me permito estar assim...



domingo, 12 de janeiro de 2014

Metamorfoses


Sabemos quase nada sobre a vida.
As coisas aparecem, transformam, e mudam de forma, sempre quando se olham demais para elas.
Uma vez certa Estrela me disse que o destino que podemos ver é o mesmo destino que podemos mudar.
Mas estrelas podem não falar, e destinos talvez possam não existir.

O que fazemos nos anos que se passam? Lembro-me de estar consciente. Nada mais importava.
Mas, estar vivo nem sempre quer dizer viver.

Os dias passam depressa demais. O mesmo questionamento imunda minha cabeça. Onde está o sabor da chuva? As nuvens com forma de animais, ou aquele céu... Aquele céu azul turquesa, que fazia crescer o estado de felicidade jamais igualada. Um pico grande de euforia em tempos que não voltam. Crescemos, mudamos, transformamos. 

Tudo na vida muda. E o que fazemos com essas mudanças é o que realmente importa.




segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Pandora


Ela me perguntou: o que você irá fazer? Não sei, pensei comigo. Aprendi recentemente que não devo gerar expectativas demais. A vida é uma roda, nada é estável e estamos em constante mutação. Meus planos mudaram bruscamente de um ano pra cá, ou será que na verdade isso é uma prova que em mim, não existe constância? Talvez me falte persistência. 

Talvez. 

Não sei o que fazer. O plano é estudar para “ser” alguém, ou pelo menos, para ser enquadrado perfeitamente na parede da sociedade como “mais um tijolo”. Dura realidade. Esse é o mundo “real” que tento enfeita-lo com minhas ideologias, mas ainda que minha mente ande nas nuvens, meus pés estão constantemente no chão.




O que se fazer quando na verdade se está esperando? E o que se esperar quando na verdade as ações parecem temporariamente bloqueadas pelo o quê externo? Ou será que na verdade, eu sou o maior obstáculo para mim mesmo?


O futuro tornou-se uma caixa de surpresas e toda vez que tento visualiza-lo, suas imagens se distorcem, escorregando de minhas mãos aquilo que achei que jamais escaparia delas. Mas entendi, que as melhores coisas que nos acontecem, raramente as planejamos. Não marcamos horário com a felicidade e não há receita certa ou manual de instruções para obtê-la. 

Descobri que mesmo diante de todos os "males" que surgiram da inocência, você ressignificou aquilo que achei que tinha perdido: a esperança de dias melhores. 



A Realidade, Nua e Crua



Sem alongar-me, era uma promessa. 
Nunca vou conseguir afastar-me de você, tanto quanto preciso. E isso só me fará assistir, em uma tela de cinema, sem pipoca ou refrigerante, enquanto você encontra aquele que não será nem metade do que eu poderia ser pra você. E eu, tal como bom amigo, irei acenar, e sorrir.
Sorrir enquanto morro, por dentro.
Sem indiretas, era uma promessa. Que acabei de quebrar.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Novo dia



Mais um dia chegou para tentarmos melhorar nosso ser.

Todo dia é um novo dia! A página da vida está em branco e cabe a você, preenchê-la da melhor maneira. Chega de fazer rabiscos. Tudo bem, se sua letra não for bonita, mas se for feita de coração, é o que realmente vale.

As transformações batem na porta e elas entram sem que você perceba. É tão sutil, que muitas vezes não percebemos que uma simples mudança de pensamento muda tudo aquilo que nos rodeia.

As mudanças que gostaríamos de fazer, podemos começar hoje, não amanhã! Mas não se preocupe. Essa mudança não precisa ser feita radicalmente em apenas UM dia.



Comece pelo o simples, almeje o que é possível e corra atrás daquilo que julga impossível. O impossível só é impossível porque não tentamos. Existem três requisitos básicos para uma realização plena: desejar, saber desejar e merecer. Em outras palavras: vontade ativa, trabalho persistente e merecimento justo!  

E tenha em mente que uma simples mudança de pensamento, já é um terço do caminho a ser percorrido.

E não se preocupe em errar ou correr riscos. Não se preocupe com a “perfeição”, pois ela não abre espaço para a Evolução!


Um novo dia nasce repleto de possibilidades, mas as oportunidades são como o vento, para algumas pessoas. Sabemos que elas existem, sentimos as bater nos nossos rostos e passar entre nossos dedos, mas não conseguimos agarrá-las. 

Mas não se preocupe se pelo que passou. Já passou. Afinal, todo dia é um NOVO DIA!


"Ela olhou nos meus olhos com um estranho e nítido brilho. 
Me vi refletido neles. Não havia maldade nem negação.
Estava ali na sua frente, observando cada atitude, cada reação.
Mas ela provou-me o contrário. 
Finalmente encontrara alguém que me aceitasse por completo
e a Ela, entreguei-lhe meu coração..."


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Passagem à 2014


As páginas do livro viram-se exponencialmente, rapidamente. Uma ou outra palavra que desconheço, acabo deixando para saber seu significado depois.
Hora ou outra fecho o livro, com o marcador repousando na página atual. Preciso focar meus olhos em lugares distantes. Simplesmente levanto a cabeça e vejo um campo verde, que vai de alguns metros à minha frente até o perder de vista.
Conforme minha mente desprende-se do mundo daquele livro, percebo o aroma no ar. É uma mistura de notas amadeiradas, quase como árvores no outono, cheirando ainda à toda a chuva que cai nessa época, com uma nota um pouco mais irritante, que vêm da fumaça dos trens que param, dos passageiros que entram e saem da estação na qual estou.
Como não há nada mais interessante a se fazer no momento - a não ser um senhor de alguns oitenta e poucos anos, que prende sua atenção em mim, tal como estivesse me julgando -, eu acabo voltando ao meu livro. 
Por que não falar um pouco dele? Bom, trata-se de um livro normal, com sua capa e contracapa já gastas pelo tempo, suas bordas amareladas e seu cheiro indiscutivelmente agradável. Em seu conteúdo, somente coisas sobre mim - desculpe, não é de minha vontade passar uma imagem narcisista. Fique tranquilo, ninguém escreveria um livro sobre mim -. Coisas que aconteceram nesse período. Marcando as melhores páginas com adesivos, fiquei preocupado se os mesmos adesivos iriam sobrar, ou faltar. Foram amores perdidos - não, retifico, foram amores vividos -, reencontros tensos e resolvidos, muitos desapontamentos - principalmente vindos de mim mesmo -, muitas lágrimas desnecessárias e socos na parede. Mas também foram muitas risadas, encontros felizes, orgulhos e abraços.
Ler aquele livro demorou muito, mas, como havia de se esperar pelo trem, eu tinha tempo. Ele chegou, freou lentamente e soltou um apito forte. Em algum lugar à minha direita, ouvi chamarem os passageiros. Levantei-me, meio tonto ainda pelo tempo que passei sentado, e olhei ao meu redor. Aquela cidade eu não veria novamente, e naquele momento imaginei se deveria sentir saudade ou alívio.
Na capa do livro, em números imponentes, 2013. No trem, em igualdade de tamanho e importância, 2014. 

Feliz ano novo!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Pelo menos essa noite...


Ele me abraçou fortemente. Sua mão percorreu pelo meu corpo e pude sentir o calor que dela emanava. Seus dedos trêmulos me tocavam com receio e prazer. Sua respiração ofegante combinava perfeitamente com as batidas descompassadas de seu coração. Sinto-me lisonjeada, afinal, ele nunca esteve realmente com outra mulher e eu serei a primeira. Mas isso não é verdadeiramente importante. O que importa é o que está prestes a acontecer neste momento. O tempo não existe para nós. O passado e o futuro se tornam planos distantes e tudo o que importa é o aqui e o agora. Eu o segurei firme, para ter a certeza de que só um sentimento nos entrelaçava. Eu o beijava como se cada beijo fosse o último. Seu cheiro me embriagava, fazendo-me desejar consumir cada gota da sua essência. Cada movimento, cada gesto, cada olhar, cada sorriso, me desarmavam. Nossas mãos dançavam entre si e nossos corpos uniam-se, não existindo fronteiras, tornando-nos um só. Eu não quero perder o controle, entretanto você dissolve cada defesa cuidadosamente construída. Elas estão ruindo. Eu já sabia. Já te amava muito antes de nos reencontrar novamente. E por mais que a insegurança teime em me acompanhar, ela some quando estou na sua presença. Mas eu sei. Você é livre como um pássaro, livre para voar para onde quiser, livre para deixar que tuas asas lhe guiem na imensidão deste céu azul. Mas, continue ao meu lado, pelo menos essa noite, pelo menos até o amanhecer...

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

A Mulher de Olhos Azuis


De canto de olho eu percebo a tela do meu celular ativar a cada deformação na pista. 
São 20:22.
21:23.
22:50.
23:59.
05:43.

A estrada me ataca de frente e some atrás de mim, e as vezes me pego prestando mais atenção no efeito espelho das curvas em meu retrovisor do que à minha frente.
Tem uma mensagem esperando para ser lida. Deveria ser tua, mas não é. 
Deus, eu ainda estou esperando aquela resposta.

Um dia acabei lendo, por aí, que devíamos nos arrepender mais daquilo que fazemos, do que deixamos de fazer. 
Mas e do que nos foge a alçada? Qual sentimento que deve haver nisso? Frustração?
O que quer que eu traga agora comigo no porta-malas, não vai fazer diferença. Porque eu estou indo embora de tudo, estou indo aonde sempre acreditei ser meu sonho, com o único intuito de ser mais solitário. Estou indo, PORQUE NUNCA CONSEGUI DIZER QUE TE AMO, OLHANDO NESSES OLHOS AZUIS. E mesmo agora, enquanto a banda que toca em meu rádio grita qualquer coisa com amor, eternidade e satisfação, palavras que sequer posso entender em um passado longínquo, você nunca vai saber de tudo isso, a não ser que algum dia leia tudo isso e entenda.

Bom, eu nunca acreditei em amor à segunda vista. Mas poderia você, por favor, tropeçar nisso e crer? A pequena garotinha dos olhos azuis e cabelos ao vento ainda está nos esperando.

Um Minuto da Sua Atenção?



Hm. Ei Pai, será que poderia me mandar uma estrela cadente?
Eu havia acabado de desligar o motor. Saí vagarosamente do carro e me encostei em sua lateral, a cerveja ainda tentando resfriar minha garganta que queimava.
As estrelas me chamaram a atenção.
Comecei a conversar comigo mesmo, sobre todos aqueles assuntos infindáveis, tais como origem do universo, para onde vamos, de onde viemos.
Então lembrei de quantas vezes havia parado naquele mesmo lugar e olhado para os mesmos pontos luminosos no céu. Respirei fundo, e olhei para a esquerda. 
Lá estava eu e uma amiga, escolhendo nossa estrela. A caixa, um conjunto característico, estaria logo abaixo da que escolhemos. Imaginei se ela algum dia ainda olhava para o céu, e mais, se lembrava daquela noite há tantos anos atrás. Pisquei, e olhei para a direita.
Eu e um grande amigo tínhamos nosso caderno, onde anotávamos todas as coisas estranhas que apareciam no céu, tanto como estrelas cadentes e possíveis satélites. Todas as noites deitávamos na calçada dura, adjetivo que não fazia diferença para a grande amizade que tínhamos, nem para a curiosidade que olhar lá pra cima gerava em cada um de nós. Imaginei também se ele ainda tinha tempo de admirar as estrelas e lembrar de tudo aquilo, e mais, se sentia saudade, tanto quanto eu, dessas coisas que a gente nunca mais vai fazer e que damos tanto valor hoje.
Novamente olhei para o céu e pedi. Pedi por um risco no céu, um sinal de que Ele, diferente de todo mundo, ainda me olhava lá de cima. E mais. Perguntei qual era o sentido de tudo aquilo, qual era o sentido de eu, diferente dos demais, ainda estar ali olhando para o mesmo lugar, enquanto as minhas memórias ganhavam vida à minha volta, como se várias realidades passadas estivessem ocupando o mesmo espaço, no presente. Perguntei também o que eu deveria fazer da minha vida.
E no mesmo momento que perguntei isso, soube que, mesmo que ficasse ali até o fim dos dias, eu não descobriria assim, tão fácil.